<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6165605677969513844</id><updated>2012-01-14T07:48:34.275-08:00</updated><category term='poesia portuguesa'/><category term='David Mourão-Ferreira; foto; E por vezes as noites duram meses; Poema'/><category term='poesia'/><category term='poesia da década de 50'/><category term='Terra lavrada'/><category term='raquel illescas bueno'/><category term='MARIA CÉLIA MARTIRANI'/><title type='text'>BLOG DO JAYME BUENO - Literatura</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://jaymebueno.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaymebueno.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Jayme Ferreira Bueno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13660954942300311364</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SNWjxHcpZKI/AAAAAAAAAAg/QlFFARzY2qg/S220/Imagem+170blog.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>62</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6165605677969513844.post-142858470379505135</id><published>2011-12-22T01:55:00.000-08:00</published><updated>2011-12-22T02:02:43.601-08:00</updated><title type='text'>A BUSCA DA FELICIDADE</title><content type='html'>Nos dados disponíveis, é possível perceber a alternância entre as relações de poder e solidariedade, nas tentativas de marcação das dis-tâncias psicossociais, situacionais, interacionais etc., ou de restabele¬cimento da simetria comunicativa, por meio da utilização do registro (...) Como se sabe, é bastante fácil identificar o exercício do poder de um interlocutor sobre outro, com base na identi¬ficação de estratégias de controle de tópicos e turnos na conversa. As relações de solidariedade, porém, igualmente perceptíveis no discurso, podem camuflar uma definição precisa da distância social, psicológi-ca, econômica, linguística, interacional ou simplesmente cognitiva.&lt;br /&gt;Pode-se afirmar que a assimetria comunicativa resulta, pois, do exercício do poder pessoal, social ou institucional, embora, algumas vezes, seja apenas fruto de pressupostos acerca dos interlocutores, de julgamentos subjetivos dos falantes a propósito dos receptores das mensagens. &lt;br /&gt;(MARTINS, Denise de Aragão Costa. Pressupostos ideológicos na interação: o mecanismo da simplificação comunicativa em ação, em (Org.) MAGALHÃES, Izabel. As múltiplas faces da linguagem. Brasília: UNB, 1996, p. 53.) &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;30 LONGO PERCURSO NA BUSCA DA FELICIDADE&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt; Esta é a história de uma mulher que buscava incessantemente a felicidade. Onde encontrá-la quando ao certo nem sabia o que realmente buscava, o que realmente desejava? Será que o que procurava era algo necessário ou alguma mera complementação para ela, como pessoa física e psicológica? O jeito era mesmo sair à procura. Foi o que fez. Procurou os mais diversos profissionais e pessoas que poderiam vir a ajudá-la. E um a um foi consultando sobre o remédio para o seu mal.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1 Publicitário:&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;O que faz você feliz? É o último lançamento da moda primavera-verão mostrada no desfile que aconteceu sábado no shopping? Ah, não! Então, é aquele carro modernoso, potente, de cores extravagantes, que desfila pelas ruas da cidade? Não ainda? Então, aquele produto de beleza capaz de fazê-la bonita, para que possa vestir aquele biquíni último tipo? Se não for tudo isso, você terá de reinventar-se. &lt;br /&gt;Deverá manter um contato pessoal com alguém da área, um profissional que entenda de técnicas modernas de atendimento, de auto-estima, e que possua visão de negócios e, ainda, que seja capaz de lhe vender uma ideia. Portanto, alguém que tenha potencial. Esse profissional da publicidade deve possuir um grande e atualizado portfolio, e ainda capaz de dar o key insight. Só assim ele poderá integrar o offline com o online. É isso que, com embasamento em pesquisa junto à mídia criativa, eu poderia indicar-lhe. &lt;br /&gt;Poderia também indicar-me a mim próprio como pretendente a dar-lhe ajuda e uma solução definitiva para esse seu inconformismo diante daquilo que não tem.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- A mulher:&lt;/strong&gt;Como não me parece que seja essa a solução para o meu caso, vou procurar outro profissional.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2- Economista: &lt;/strong&gt;Minha senhora, na atual crise de confiança do mercado, nada se pode prever. Não se pode ainda saber o tamanho da atual crise. Ela poderá durar seis meses ou seis anos, tudo depende dos ativos das ações e dos derivativos dos juros. A bolsa, como se sabe, não tem dado trégua a ninguém, e mesmo o Brasil já está profundamente afetado, embora o nosso governante máximo diga que nada sabe de crise e que aqui se ela chegar será uma marolinha, que não vai dar nem para surfar nela! &lt;br /&gt; Que bom que fosse assim realmente, senhora. Mas se vê que essa não é a realidade. Tudo está muito volátil e o que a senhora busca talvez não se encontre no mercado. E importar é difícil, porque com o dólar e o euro subindo a cada dia... Isso torna qualquer intercâmbio comercial caro e não compensador. A não ser que a Senhora queira dar tudo o que tem em forma de pagamento.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- A mulher:&lt;/strong&gt;Está bem! Mas isso me soou como uma cantada! Está ele muito enganado. O meu negócio é a felicidade, não a vida fácil que muitas procuram. Sei, porém, que não será ele que dará uma resposta para o meu problema. Vou procurar ajuda na psicologia, já que não sou dada a crendices de cartomantes e madames que prometem em folhetos nos devolverem tudo o que perdemos. No máximo, aceitarei conselhos de algum guru, um bruxo, que seja realmente famoso e confiável.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3- Médico: &lt;/strong&gt;Sabe... A vida é como aquelas lesões que no processo cicatricional sempre demonstram incômodo. Há necessidade de que elas retomem ao processo inicial para descobrir-lhes a causa subjacente ao mal. É uma questão de anamnese demorada e que nem sempre apresenta resultados positivos.&lt;br /&gt;A senhora está estressada! Não se preocupe, hoje em dia, isso é muito comum! O importante é detectar qual o principal problema que a aflige. É necessário descobrir se o seu problema é de ordem clínica, reumatológica, pneumológica, cardiológica, ou hematológica. Talvez, e, então, seria mais grave, seria um caso de trombostemia? Espero que não! É que, para cada caso, há que se pensar em um tratamento adequado, o que implica impostos, recibos, notas, vigilância sanitária, conselho regional, associações de classe, sindicatos e convênios. Ou o pagamento será em dinheiro? Nesse caso, é diretamente com a minha secretária, a não ser que deseje acertar pessoalmente comigo em meu outro escritório particular. &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;-A mulher:&lt;/strong&gt;É, parece que estão mesmo a fim de me conquistar, mas não vai ser assim, não! Vou firme em frente, que não é de saúde corporal, física, ou de carência sexual a doença que me aflige.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;4- Psicóloga:&lt;/strong&gt;A senhora fez muito bem em procurar ajuda na ciência do Dr. Freud, que ultimamente anda em baixa, mas eu ainda prefiro este psicanalista a outros estudiosos da alma humana, como o alemão Jung, por exemplo, que foi apenas um de seus discípulos e só complicou com o conceito dos arquétipos. O francês Lacan, unindo a psicologia à linguística, também complicou a nossa ciência. Detectar os anseios pelo discurso não me parece muito convincente. Os mais modernos são mais confusos ainda, porque, geralmente, misturam todos e dessa salada nada de bom pode resultar.&lt;br /&gt;Freud, não! Ele nos fala diretamente pela interpretação dos sonhos e dos nossos anseios mais íntimos. Estes resultam de nossos desejos sexuais reprimidos. Sempre que reprimimos algo em nós, isso comprime o nosso ego, e, então, o nosso eu se manifesta do modo mais avassalador possível. Temos que dar vazão aos nossos sentimentos, relaxar... Só assim essa pressão contida pode expandir-se, mas já sob nosso controle, porque esta é a solução mágica, controlar os nossos instintos. &lt;br /&gt;Para isso, porém, temos de nos dar. Dar-nos a tudo, dar-nos a todos, dar-nos ao mundo. Só dando, livramo-nos de nossas tensões.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- A mulher:&lt;/strong&gt;Olha, doutora, eu vim em busca de ajuda e não gostaria de somente sair dando por aí. Eu quero uma outra solução, talvez mais clássica, mais comedida que essa que a sua psicologia me oferece.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;5- Advogado: &lt;/strong&gt;Data vênia, a Senhora fez uma boa escolha em procurar um jurista, um profissional do direito. Estou às suas ordens e espero ser-lhe útil na petição que me fizer e no direito que dela provier. Sempre serei um defensor público a seu serviço e que a ajudará a procrastinar o seu mal até que se alcance um julgamento em definitivo, sobre o qual não caiba mais processo recursal.&lt;br /&gt;Irei sempre defendê-la nas barras dos tribunais, quer na primeira ou na última instância, com sapiência e nunca com dolo, como muitos procuram infligir a seus clientes. Serei um fiel servidor do direito em sua defesa e em busca do que for de justiça. Mas isso com certeza sairá caro, porque costumo cobrar bem de minhas clientes. E se não me retribuem a contento, sei avançar sobre elas.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- A mulher:&lt;/strong&gt;Acontece que não estou com nenhum processo judicial e nem tenho inimizade com alguém, a não ser com minha nora, mas isso é coisa de somenos e que sói acontecer a todas nós mulheres, mães de filhos casados com essas criaturas, as noras, nem sempre à altura de nossos filhos, os filhos que criamos com tanto amor e carinho!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;6- Professor e pedagogo:&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;Olha, minha querida discípula, eu que me saio tão bem em explicações sobre os fenômenos físicos, biológicos e linguísticos do ser humano, sinto-me impotente diante da sua busca. O muito que eu já li e já pesquisei, a convivência com grandes sábios do magistério, nenhum deles soube me ajudar a explicar doença ou mal-estar tão arraigado como esse que a Senhora me apresenta.&lt;br /&gt;Vou continuar a minha pesquisa e quando tiver alguma solução para o seu caso, que consiste em um verdadeiro teorema que necessita de um desenvolvimento e de uma solução matemático-linguística, então voltarei a me oferecer para ajudá-la. Quando puder contar com saberes mais sólidos nessa linha de pensamento retornarei do mesmo modo de sempre, o de procurar ser verdadeiro em tudo que exponho, porque esse é meu compromisso com a ciência e com a minha própria consciência. &lt;br /&gt;Espero, porém, que, talvez, enquanto esse lapso de tempo decorrer, possa a minha discípula ter já encontrado o possível refrigério para o seu sofrimento.&lt;br /&gt;Ah, sim, lembrei-me: posso recorrer a uma colega de magistério, uma pedagoga. Talvez ela com algumas de suas ponderações, que normalmente as chama de “colocações” e que, confesso, não gosto nada do termo, mas enfim que fique ela com suas “colocações”. São dela e não minhas. Portanto, que vá...&lt;br /&gt;Veja, minha Senhora, a minha colega pedagoga afirmou que Piaget e Vigotski, principalmente, seriam a solução, porque, segundo ela, e aqui transcrevo suas palavras:&lt;br /&gt;“A felicidade está no saber fazer fazendo, ou seja, muitas vezes, quando menos se espera, estamos à frente de um problema de difícil saída e não temos para ele uma solução digna de registro, mas sabemos que a ciência da Pedagogia está aí exatamente para solucionar problemas como esses que são frequentes em nossas vidas, principalmente quando se trata de trabalhar junto aos educandos no chão da escola. &lt;br /&gt;Dessa maneira, como nos ensinou o grande mestre da pedagogia amorosa, a educação tem que ser feita com amor, com doação, com alma, sempre acreditando em uma utopia possível, num sonho que a qualquer momento pode se realizar. &lt;br /&gt;Assim, a lição que se tira dessas sábias palavras é que a felicidade pode estar em qualquer lugar, mesmo nas coisas mais simples, até insignificantes, que estão ao nosso lado e que considerando do ponto de vista da ciência do ensinar e do aprender, porque o professor nem sempre só ensina, ele também aprende com o aluno, podendo-se dizer assim, como disse aquele grande escritor que anda pelos sertões, que de repente o mestre aprende e o aluno ensina. Essa é a verdadeira sabedoria, porque hoje o professor não é mais aquele que sabe, quem sabe é o aluno, e o professor muitas vezes vai aprendendo ao longo do exercício das funções na sala de aula, recanto sagrado do ensinar e do aprender, vivendo assim a verdadeira arte da pedagogia, a ciência que nos embasa e forma as nossas personalidades, porque somos feitos de cérebro, de espírito e de corpo, numa visão holística da existência. Já não se recorre às ciências estanques, departamentalizadas, agora o todo é uno, e o uno é o todo.&lt;br /&gt;Viu, talvez você mesma esteja com a chave da solução do problema em suas próprias mãos e não esteja sabendo manejá-la na abertura da estrada da felicidade, que pode muito bem estar no bojo da pedagogia, ciência muitas vezes desprezada, por ter um discurso bastante técnico e especializado, necessário para o bom encaminhamento das sondagens, para o ministrar dos ensinamentos.&lt;br /&gt;Pense bem nas palavras do mestre, que dizem que o importante para a formação da consciência e, logo, da própria felicidade, é a verdadeira escolarização, aquela da educação popular, que visa sempre o oprimido e o relegado da sociedade, que busca se encontrar na alfabetização dialética. O diálogo deve ser feito sempre com as pessoas simples, como um meio de integração no meio social democrático.&lt;br /&gt;Assim, penso que somente a pedagogia da libertação poderá libertá-la para a verdadeira felicidade.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- A mulher:&lt;/strong&gt;Agradeço a boa vontade do professor e de sua colega pedagoga. Estou tendo alguma dificuldade em entender exatamente a mensagem, mas sei que terei de continuar a minha busca. Talvez o caminho do Senhor me leve a algum lugar santo em que eu possa repousar das dores deste mundo.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;7- Religioso:&lt;/strong&gt; Filha, que bom que veio buscar em nossa casa, nesta igreja, que é também a casa do Senhor, o bálsamo para as suas dores, o unguento para suas mazelas tão próprias dos dias atormentados em que as pessoas se afastam muitas vezes dos ensinamentos de Deus e buscam outros caminhos que nunca levam a lugar algum. Quando levam, é para a angústia, porque tudo que se mostra maravilhoso é apenas ilusão diante da luz do ensinamento da verdade religiosa. Esta, sim, pode realmente levar ao caminho eterno, que é onde todos um dia devem encontrar a paz do corpo e da alma.&lt;br /&gt;Eu mesmo gostaria de ser o seu condutor nessa caminhada pelas veredas do Senhor. Dê-me a mão e vamos seguir por onde nos levarem as nossas preces e, com certeza, veremos uma nova luz aparecer. Será a luz do entendimento, da paz, da comunhão entre os seres, dos homens e das mulheres, num só corpo, numa só vida. &lt;br /&gt;Louvado seja Deus, nosso Senhor, e que assim seja, para sempre e para a glória de todos.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- A mulher:&lt;/strong&gt;Obrigada, padre. Vou procurar voltar-me mais aos mistérios divinos. Se assim eu ainda não encontrar a solução para o meu mal  terreno, poderei talvez encontrar, em outro plano, a salvação para a minha pobre alma, como prega a Santa Madre Igreja, a única e verdadeira. Penso, porém, que mesmo assim me faltará alguma coisa, a paz, a tranqüilidade terrena.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;8- Filósofo:&lt;/strong&gt;Muito bem-vinda à ciência do pensar. Veja, segundo vai dizer Platão, a Senhora vive os anseios da incompletude humana. Como sabe, a Senhora é apenas a sombra da pessoa, não é a própria pessoa, porque essa vive no etéreo junto a um ser eterno. Portanto, é normal que a Senhora esteja vivendo uma ideia, que, aliás, é um ente real, mas que existe em si e por si, constitui o mundo inteligível, separado e distinto do mundo sensível, que é o mundo do não-ser, da aparência, do fenômeno.&lt;br /&gt;Aristóteles, o peripatético, aluno dissidente do mestre Platão, por sua vez, vai declarar que a vida é apenas imitação. A verdadeira pessoa humana, aquela completa e perfeita, é obra de um demiurgo, que tudo pode.&lt;br /&gt;Aristóteles, assim, ao divergir do mestre Platão, irá estabelecer alguns argumentos, como o seguinte: se há ideias do positivo, deve, necessariamente, haver ideia para o negativo. Portanto, se há ideia da beleza, deve haver também ideia para a feiúra.  &lt;br /&gt;Assim, minha Senhora, com o ensinamento desses dois dos maiores filósofos que o mundo já conheceu, pode-se deduzir que a sua felicidade, que, no momento, encontra-se apenas no mundo das ideias, pode aflorar e vir um dia para o mundo do real, do sensível. &lt;br /&gt;Assim, em tempo indeterminado, a Senhora poderá perceber pelos sentidos que a felicidade finalmente chegou. Então, talvez tenha encontrado o que busca, minha Senhora.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- A mulher:&lt;/strong&gt;Obrigada, ilustre pensador, sábio filósofo por excelência, mas penso que a filosofia ainda se torna para mim algo um tanto intangível e pouco inteligível. Talvez que eu ainda vivencie um mundo abstrato, longe do concreto, e por isso penso que não conseguirei com os seus ensinamentos encontrar o caminho para a minha descoberta. Portanto, vou ainda continuar a minha busca, talvez nos agentes do sobrenatural, como gurus, videntes e bruxos, que eu disse inicialmente que neles eu só creria, se fossem eles famosos e reconhecidamente competentes. Há sempre que se tomar as devidas providências, porque são tantos os falsos gurus a ensinarem por toda parte.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;9 – Guru:&lt;/strong&gt;Senhora, novel discípula, pode acreditar nestas minhas sábias palavras, porque reveladas por espíritos superiores, tudo que a vida nos oferecerá no futuro é repetir o que fizemos ontem e hoje. Assim, pode-se chegar facilmente ao entendimento de que um dia sempre é diferente do outro, e cada um nos traz um ensinamento novo, uma nova bênção para o nosso espírito ávido das coisas sobrenaturais e sagradas.&lt;br /&gt;A certeza é uma só: sempre estamos num processo de contínua mudança, em direção ao aperfeiçoamento do corpo e da alma. Assim, nunca podemos deixar que um dia seja a repetição do anterior, pois desse modo não se completaria o círculo do aperfeiçoamento humano e espiritual, que é o destino final de nossas vidas. &lt;br /&gt;Será que no seu caso, minha discípula, a perda da felicidade não se deve a uma outra perda, a de um amor? Essa perda não teria sido causada por algo ou alguma pessoa que, talvez por inveja da sua felicidade, buscou atrapalhar a relação por meio de sortilégios, ou, então, de uma maneira esotérica e espiritual?&lt;br /&gt;Nesse caso, minha Senhora e discípula, poderia retomar-se a felicidade assumindo-se uma postura de autoafirmação, de orgulho, de desprezo pelos fatos passados. Portanto, é olhar para frente, seguir os passos dos ensinamentos do seu guru, que a felicidade um dia retornará, para o gáudio seu e meu, pelo sucesso dos nossos ensinamentos.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- A mulher:&lt;/strong&gt;Obrigada, meu guru, muito obrigada mesmo! Mas vou continuar por mais uma vez, essa, sim, será a última esperança, para que eu encontre alguém que realmente me devolva a ansiada felicidade. Vou em busca de um vate, um verdadeiro sonhador, um autêntico nefelibata, um poeta.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;10- Poeta: &lt;/strong&gt;Minha Senhora, donzela das donzelas, inspiradora e musa! O que eu, humilde poeta, posso oferecer é um pouco de poesia. A poesia refrigera, a poesia encanta e minora as dores da nossa alma. Recomendo que a senhora sonhe, sonhe e depois busque realizar aquele que foi o sonho mais lindo de sua vida...&lt;br /&gt;Eu estarei sempre a seu lado, quer o céu esteja plúmbeo, quer estrelado, quer seja uma tarde nublada, com o astro-rei escondido, quer seja um dia radioso de primavera, com flores a exalar o seu perfume, e pássaros a cantarem o amor nos galhos das laranjeiras. Estarei sempre a ouvir estrelas para transmitir à Senhora um sendeiro luminoso que a transporte aos páramos celestes. &lt;br /&gt;E a Senhora deve subir à altura das nuvens e, como uma verdadeira habitante dessas miragens, passar a habitar torres de marfim. Só assim encontrará a felicidade, que sempre sabe estar a seu lado, e o que faz encontrá-la é a fé na poesia, na palavra do poeta, que é um mago, um vate, um ser predestinado a trazer felicidade aos outros.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- A mulher:&lt;/strong&gt;Agora, sim, poeta, eu encontrei o que buscava. A poesia trouxe para mim a felicidade. O vate, o profeta, o inspirado, é o único daqueles que procurei que realmente merece a minha recompensa. Foi ele que abriu o meu ser, atingiu meu coração e fez-me vibrar como pessoa e como anjo. Ao ouvi-lo, foi como se escutasse também sinos, címbalos, frautas, que soavam em meus ouvidos, tão doce era a sua melopeia. &lt;br /&gt;Eu sou feliz. Eu pertenço a você, poeta. Eu me entrego de corpo e alma. Faça-me feliz para sempre. Só você me merece, só você me completa. Juntos, viveremos a perfeição da poesia e a mais completa felicidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6165605677969513844-142858470379505135?l=jaymebueno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaymebueno.blogspot.com/feeds/142858470379505135/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6165605677969513844&amp;postID=142858470379505135' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/142858470379505135'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/142858470379505135'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaymebueno.blogspot.com/2011/12/busca-da-felicidade.html' title='&lt;strong&gt;A BUSCA DA FELICIDADE&lt;/strong&gt;'/><author><name>Jayme Ferreira Bueno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13660954942300311364</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SNWjxHcpZKI/AAAAAAAAAAg/QlFFARzY2qg/S220/Imagem+170blog.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6165605677969513844.post-2793827295940514455</id><published>2011-12-16T02:26:00.000-08:00</published><updated>2011-12-16T02:31:30.765-08:00</updated><title type='text'>QUADROS DA MINHA VIDA</title><content type='html'>TEXTO DA APRESENTAÇÃO, DE MARIA MIRIAM CURI:&lt;br /&gt;O texto de Jayme Ferreira Bueno é a autobiografia de um homem de cultura e de uma inteligência notável, tudo contado numa linguagem simples e envol¬vente. Nesta leitura, fiquei sabendo de sua infância, de seus familiares e de toda a sua trajetória, antes de nos conhecermos na faculdade. &lt;br /&gt;O livro contém um relato minucioso de sua vida, lutas e conquistas, tudo com preciosas reflexões pessoais e narrações descritivas de inúmeros lugares por onde andou. Temos, em cada relato, verdadeira aula de História. São escritos que encer-ram importantes lições de vida, tanto na parte pessoal, como na profissional. &lt;br /&gt;(Maria Míriam Martins Curi) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TEXTO DO PREFÁCIO, DE RAQUEL ILLESCAS BUENO:&lt;br /&gt;Em &lt;em&gt;Quadros da minha vida&lt;/em&gt;, o leitor se deparará com um texto sumarento, cheio de energia, matizado todo o tempo por grandes doses de saudade, algumas vezes no limite da melancolia. Por outro lado, o discorrer sobre "a vida inteira que podia ter sido e que não foi" (para citar Manuel Bandeira), uma tendência muito comum em textos de memórias, aparece muito raramente. O início do texto nos envolve rapidamente, e assim tomamos conhecimento da infância e da adolescência. Que campos épicos os da Fazenda Taquara, onde cavalgava uma mítica Maria Buena! Fortes, as figuras femininas pontuam vários momentos da narrativa. &lt;br /&gt;Partilhar, compartilhar são quase lemas da vida desse homem, e essa atitude é injeção de ânimo sempre renovado para os que com ele convivem. &lt;br /&gt;(Raquel Illescas Bueno) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TEXTO DA ORELHA DO LIVRO,DE ORLANDO BOGO:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Quadros de minha Vida&lt;/em&gt;, ensaio autobiográfico, nos traz um delicioso relato, repleto de emoção e humor da vida de um professor, confesso amante de aventuras turísticas, da boa literatura, da boa culinária nacional e estrangeira e, sobretudo, apaixonado pela causa da educação e do ensino.&lt;br /&gt;/;Desde o início, o texto nos desvenda o caráter de alguém que não esquece sua origem pobre, que a revela com orgulho, orgulho da terra natal, orgulho dos pais, do povo da localidade, dos amigos. É notória a carga de nostalgia que percorre todo o relato. &lt;br /&gt;(Orlando Bogo) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos leitores só falta ler o próprio livro.&lt;br /&gt;Um abraço a todos.&lt;br /&gt;Jayme&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6165605677969513844-2793827295940514455?l=jaymebueno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaymebueno.blogspot.com/feeds/2793827295940514455/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6165605677969513844&amp;postID=2793827295940514455' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/2793827295940514455'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/2793827295940514455'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaymebueno.blogspot.com/2011/12/quadros-da-minha-vida.html' title='QUADROS DA MINHA VIDA'/><author><name>Jayme Ferreira Bueno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13660954942300311364</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SNWjxHcpZKI/AAAAAAAAAAg/QlFFARzY2qg/S220/Imagem+170blog.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6165605677969513844.post-7333194544635817570</id><published>2011-09-08T05:11:00.000-07:00</published><updated>2011-09-08T06:06:51.110-07:00</updated><title type='text'>PROJETO SUJEITOS LEITORES</title><content type='html'>Cezar Tridapalli, um jovem escritor, mestre em Letras é o responsável pelo Projeto Sujeitos Leitores do Colégio Jesuíta Medianeira de Curitiba. Professores, jornalistas e alunos com experiência em leitura, quer como docentes, quer como somente leitores, depõem como se iniciaram no ato de ler e o que essa atividade exerceu neles influências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para conhecer o site/blog, é só clicar em: www.midiaeducacao.com.br&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para assistir à entrevista de Jayme Bueno: http://midiaeducacao.com.br/?p=8494&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E para ver todos os que já foram entrevistados: http://www.youtube.com/user/midiaeducacao#g/c/B874A5C85513EACE&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6165605677969513844-7333194544635817570?l=jaymebueno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaymebueno.blogspot.com/feeds/7333194544635817570/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6165605677969513844&amp;postID=7333194544635817570' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/7333194544635817570'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/7333194544635817570'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaymebueno.blogspot.com/2011/09/projeto-sujeitos-leitores.html' title='&lt;strong&gt;PROJETO SUJEITOS LEITORES&lt;/strong&gt;'/><author><name>Jayme Ferreira Bueno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13660954942300311364</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SNWjxHcpZKI/AAAAAAAAAAg/QlFFARzY2qg/S220/Imagem+170blog.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6165605677969513844.post-9060345921734276830</id><published>2011-08-31T11:16:00.000-07:00</published><updated>2011-09-01T11:49:13.248-07:00</updated><title type='text'>CEZAR TRIDAPALLI, NOVO ROMANCISTA</title><content type='html'> Nílton Cezar Tridapalli, nome oficial, mas, porém, conhecido na literatura por apenas Cezar Tridapalli, que adotou como uma espécie de pseudônimo, o que é bastante frequente na literatura. O cidadão Nílton Cezar é bastante jovem, nasceu em Curitiba, em 1974.&lt;br /&gt; Lecionou Teoria da Literatura na PUCPR e atualmente exerce suas funções no Colégio Medianeira como um dos responsáveis por pensar a educação em suas múltiplas linguagens, das mais tradicionais às chamadas novas mídias no Colégio Jesuíta, um dos mais tradicionais de Curitiba.&lt;br /&gt;Nilton Cezar Tridapalli recebeu o título de mestre pela Universidade Federal do Paraná, no ano de 2004, com a dissertação De luzes e de sombras: jogos barrocos em contos fantásticos. &lt;br /&gt; Procurando-se material sobre o escritor Cezar Tridapalli se encontram informações, que, além de romancista, é um grande tradutor de obras teóricas sobre literatura, principalmente de obras da língua italiana para o português, como, por exemplo, o Fantástico, de Remo Ceserani.&lt;br /&gt; Este livro explora uma região particular da literatura e da arte moderna: aquela imaginação perturbadora e fantástica. Seguindo as manifestações dessa modalidade, o autor faz emergir sua capacidade muito especial de colocar em xeque nossa forma de ver o mundo e, com isso, revelar momentos de perturbação, de alienação e de dilaceração da consciência.&lt;br /&gt; Ultimamente, Cezar Tridapalli, publicou o romance Pequena biografia de desejos. Segundo a crítica esse é um romance que já nasceu maduro. Diz do livro André Tezza Consentino: &lt;br /&gt; &lt;em&gt;Romances de estreia, em geral, são aqueles que depois da maturidade o escritor se arrepende e recusa a paternidade. E esta é a primeira grande qualidade do romance de Cezar Tridapalli: é um livro maduro, envolvente, _ de um vigor narrativo que só encontramos em escritores com mais tempo de estrada. Mas as qualidades vão além. É um olhar singular sobre o Brasil, a partir de Curitiba, esta cidade que desde Dalton Trevisan soube construir uma escola literária muito peculiar, de distanciamento, racionalidade e um fino humor. &lt;br /&gt; Nesta tradição, &lt;em&gt;Pequena biografia de desejos&lt;/em&gt; apresenta tanto o Brasil privilegiado quanto o país de uma imensa maioria de trabalhadores anônimos, aqueles que dificilmente são protagonistas do imaginário da classe leitora brasileira. &lt;br /&gt;Mas não se engane: não é um romance dedicado à pedagogia ou à defesa de bandeiras políticas - como toda grande literatura, o livro de Tridapalli aposta, como fio narrativo primordial, na investigação da condição humana, mais atemporal e mais livre de demonstrações de teses ou teorias. 	 &lt;br /&gt; Finalmente, é um livro escrito dentro da tradição literária contemporânea mais preocupada em saber contemporânea mais preocupada em saber contar uma boa história do que em revolucionar a linguagem (...)&lt;br /&gt; &lt;/em&gt;O crítico encerra afirmando que a estréia de Cezar Tridapalli &lt;em&gt;"não passará despercebida. Pequena biografia de desejos, com certeza, dará um novo rumo na literatura feita no Paraná"&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt; Na quarta capa, a editora selecionou o seguinte trecho do livro: &lt;br /&gt; &lt;em&gt;De início, sonhava com um abraço, forte, quente e, enquanto durasse, infinito. Se conseguisse isso, veria depois o que fazer, conforme as vontades que lhe dessem. Jamais, no entanto, tomaria qualquer iniciativa. Algumas noites, passou a sonhar que ditava para Adele trechos de seu livro. Os caminhos longos do ônibus eram dedicados a imaginar cenas, às vezes cogitando-as possíveis, outras vezes dando livre arbítrio para a loucura. Lembrava quando criança, nas primeiras paixões, estar sempre salvando a menina de perigos mil. Ria, misturava tudo e a imaginação, enquanto estivesse mergulhado nela, já lhe saciava um pouco os desejos. &lt;br /&gt; Tridapalli abre a narrativa com este início questionador, que muitos de nós, muitas vezes, fazemos. Para as quais, de modo geral, não temos resposta:&lt;br /&gt;Algumas perguntas não ficam menos interessantes ou menos verdadeiras só porque se tornaram clichés: até onde vão os limites de um homem? Eis uma pergunta cliché. Mas os limites são elásticos e, assim como tém um coeficiente de flexibilidade grande, assim como podem se expandir muito além de seu ponto de repouso, também - e isso é uma pergunta - podem encolher, atrofiar e formar uma crosta inerte dentro da qual a expansão vai ter sempre um sinal de menos antes? A superfície, a membrana que limita - muito flexível, importante repetir -, pode ficar ressequida, como borracha velha. Desidério chegara ao seu limite? Eu, Desidério, ele também se perguntava, cheguei ao meu limite?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt; Essa pergunta que é um trunfo nas mãos de um bom romancista é aqui, no livro de Tridapalli, um recurso precioso que irá se desenrolar ao longo do romance. César soube explorar o recurso com grande maestria e assim conseguiu um efeito literário que poucos escritores com seguem.&lt;br /&gt; Ao encerrar a narrativa, Cezar Tridapalli escreve: &lt;em&gt;Minutos antes de adormecer e sonhar com a estátua de mármore e com o escritor do outro lado da vidraça, Desidério agarrara firme o bilhete em que pedia ao tio para procu¬rar Adele e levar a ela o caderno. Ela entenderia o significado daquilo tudo, ele tinha certeza disso, de que bastaria a ela digi¬tar seu romance, aproveitar para dar uma ou outra revisada nos aspectos formais da língua portuguesa, e quem sabe até - sem a presença censora do autor - promover uma ou outra mudança, mas nada essencial. Por tudo isso, estava sereno e as contrações do rosto não eram espelho fiel de seu espírito. Dormiria um pouco aflito, é verdade, mas sabedor de que a sorte estava lan-çada, bastando fazer Pauline e Gregório encontrarem seu pas¬sado perdido no outro caderno para, já à revelia de seu criador, viverem sua vida feliz. Por isso Desidério morreu sem dor. Por isso e também por ter tido uma boa noite de sono antes da via¬gem final. O sonho não o impediu de ter um sono reparador, que o fizesse descansar para morrer. &lt;br /&gt; Foi melhor assim, que Desidério morresse pensando que bastariam corrigir pequenos detalhes para seu livro ficar pronto. Passara despercebido por ele, no entanto, um grande problema narrativo: na primeira parte, na descrição das angústias de Pauline, Desidério, fascinado pelo modo escorreito de Adele, resolvera experimentar vestir a pele da primeira pessoa, cuja narração era feita por Pauline. Já a pressa e a ansiedade para terminar a obra fizeram com que ele ignorasse o fato e escrevesse toda a última parte em terceira pessoa, assumindo o controle da vida do novo casal, que até agora estava lá, com os lábios unidos e já possíveis câimbras na boca. Ignorar muitas vezes diminui o sofrimento. Do eu ao eles, de mim ao outro em apenas uma mudança de caderno. &lt;br /&gt; Vestir muitas peles e ser quem? &lt;br /&gt; Não se pode dizer se Adele foi ou seria habilidosa na junção das partes. Uma metade ficou lá no apartamento de Santiago; Adele, por um respeito piedoso, não conseguia jogá-la fora, quem sabe até roubaria alguns trechos se acaso resolvesse mesmo escrever. A segunda metade ficou lá no criado-mudo de Macária, também inerte, em cima das agendas do condomínio e do registro de atas. Quem sabe o tio não resolvia devolver tudo e, por acidente, as duas partes se encontravam? Talvez fossem para o lixo e tivessem a sorte de ser encontradas em algum latão ou aterro comum - já se sabe que nos lixos se encontram grandes preciosidades - por um diletante catador de comida que, a exemplo de Desidério, nutrisse amor por livros. Os escritos precisavam deixar suas gavetas, precisavam ser lançados ao mar. Só assim poderiam, como duas taças que brindam ou duas garrafas de vinho que por acidente se tocam e fazem tim-tim, unir suas partes e consagrar a união necessária. &lt;br /&gt; Assim se arrastam os desejos humanos, às vezes céleres, sorridentes e fagueiros como crianças no campo ou propagandas de margarina, às vezes entrevados, cujos movimentos únicos parecem ser fasciculações involuntárias. De uma forma ou de outra, compreendidos todos os matizes possíveis nesse entremeio, estão sempre morrendo sem se terem satisfeitos. &lt;br /&gt; Dois dias de velório são demais, há perigos constrangedores. Também apenas algumas horas seguidas de um enterro súbito podem dar o que falar por entre a vizinhança futriqueira. Assim, Cevício fez todos zelarem pelos prazos de um velório respeitoso, tempo suficiente para as orações subirem aos céus antes de Desidério e prepararem o caminho da alma, adulando os santos e dizendo que quem vinha lá debaixo fora sempre um bom homem, merecedor de todos os créditos celestes, incapaz de fazer mal à mais minúscula das criaturas divinas. &lt;br /&gt; O tempo passará, o hall de entrada do edifício ganhará mais luz e a guarita será toda reformada, aumentando um pouco o espaço interno. Os porteiros velhos agradecerão ao  novo, que chegou reivindicando melhorias com uma retórica de dar inveja a qualquer bom falastrão. &lt;br /&gt; Quinze pessoas compuseram o cortejo. Ainda durante as últimas colheradas de cimento, todos já começaram a se afastar, esboçando a volta para a vida. Desidério foi quem ficou para trás, estendido em cima do jazigo do pai. Lá, os dois terão a eternidade para resguardar a imobilidade de seus corpos e o silêncio de suas palavras. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt; As marcas de uma literatura contemporânea, como apontou o crítico, percorrem a obra toda. Pelos fragmentos já se pode notar uma tendência pela autoficção, ou, então, por uma metaliteratura, tudo no caminho do Pós-Modernismo, o que fortalece e enriquece a obra de Cezar Tridapalli.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6165605677969513844-9060345921734276830?l=jaymebueno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaymebueno.blogspot.com/feeds/9060345921734276830/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6165605677969513844&amp;postID=9060345921734276830' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/9060345921734276830'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/9060345921734276830'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaymebueno.blogspot.com/2011/08/cezar-tridapalli-novo-romancista.html' title='&lt;strong&gt;CEZAR TRIDAPALLI, NOVO ROMANCISTA&lt;/strong&gt;'/><author><name>Jayme Ferreira Bueno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13660954942300311364</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SNWjxHcpZKI/AAAAAAAAAAg/QlFFARzY2qg/S220/Imagem+170blog.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6165605677969513844.post-8249412171663728184</id><published>2011-08-03T06:32:00.000-07:00</published><updated>2011-08-03T07:02:19.353-07:00</updated><title type='text'>GALERIA DOS NOVOS ESCRITORES - Maria Célia Martirani</title><content type='html'>Maria Célia Martirani Bernardi Fantin nasceu em São Paulo, em 1959. Foi aí, quando estudante do Colégio Dante Alighieri, que começou a interessar-se pela língua italiana. Formou-se em Direito pela USP. Em seguida, mudou-se para Santa Catarina, onde permaneceu sete anos. Foi um tempo e um espaço que lhe conferiram muitas vivências que hoje apresenta em seus textos. &lt;br /&gt;A autora atualmente reside em Curitiba, onde, além do exercício do magistério, inclusive na Universidade Federal do Paraná, leciona a língua e a literatura italianas. Ao lado dessas atividades profissionais, Maria Célia nunca deixa de lado o ofício de escrever. É já uma escritora consagrada nos meios literários da capital paranaense. Tem dois livros publicados: &lt;em&gt;Recontando&lt;/em&gt;, de 1993, e &lt;em&gt;Para que as árvores não tombem de pé&lt;/em&gt;-&lt;em&gt;Affinché gli alberi non cadano in piedi&lt;/em&gt;,  publicado, portanto,em edição bilíngue, português e italiano, em 2008. &lt;br /&gt;Maria Célia Martirani publicou ainda na Revista de Literatura e arte etcetera, número 9, da Travessa dos Editores (2006), a “Entrevista com Alessandro Baricco: à procura do velho narrador que habita em cada um de nós”. Colabora com a Revista Ideias. Para esta escreve contos e resenhas sobre arte, literatura e cinema.&lt;br /&gt;Maria Célia Martirani, seu nome literário, é uma surpreendente escritora da atualidade. As suas obras nos surpreendem principalmente pela inovação e pelo inesperado de sua narrativa, sempre densa, poética e atual. &lt;br /&gt;Seus textos são de difícil classificação quanto ao gênero. São contos, crônicas, prosa poética, tudo numa profusão que deixam sempre no leitor uma sensação de novidade, de inovação.  Marcelo Franz fala, acertadamente, em “fina arte de narrar poemas e poetizar narrativas”. Esse talvez seja o ponto fulcral da obra de Maria Célia, como forma de se classificar seus textos: narrativas poéticas e poemas narrativos. Os textos são poéticos, líricos, mas podem também ser trágicos. Às vezes, as narrativas nos apresentam uma certa ingenuidade, mas, logo, em contraste, surgem outras percorridas por um fino e permanente erotismo.&lt;br /&gt;Pode-se encontrar na obra de Maria Célia textos extremamente líricos, como são alguns poemas em prosa de sua autoria: No orquidário; ou poemas que se voltam à virtude infantil, como Arapuca de soltar passarinho; ou, então, este doce poema de amor: Romance. Há tantos outros, mas esses indicados ficam como exemplos.&lt;br /&gt;Alguns textos narrativos, crônicas poéticas, lembram o estilo de Cecília Meireles, pela suavidade do tema e pelo lirismo, como este A uma borboleta; outros apresentam estrutura de conto ou próxima a essa forma literária, como este, uma espécie de conto inconcluso: Paulo – estação – liberdade; ou, mesmo, um conto trágico, como: Um dia, ele voltará. Outros textos são como células de possíveis romances: Pro-vocação. Há, ainda, textos a nos mostrarem a consciência de problemas sociais, como o último conto daquele conjunto de três, em que entram o filho, o pai e a mãe: Vem comigo, mãe!, ou este outro com características do Existencialismo: Natal; e para concluir esta exemplificação, um conto que encerra em si um forte caráter existencialista à Vergílio Ferreira: O acorde final. &lt;br /&gt;Ao colocar por último o conto que dá título à obra, Para que as árvores não tombem de pé..., a autora cria uma espécie do que os Formalistas Russos convencionaram denominar estranhamento, o que confere a um texto o grau de literariedade. Para nós, simples leitores, o texto de Maria Célia Martirani nos leva a considerar como uma atitude literária inovadora. Rompe com o comum, com o normal. Note-se ainda que esse texto Para que as árvores não tombem de pé constitui um hino às árvores, em especial ao pinheiro. Nas palavras entrecortadas pelas pausas marcadas pelas vírgulas, a autora parece demonstrar o sentimento de perda daquela que é a árvore-símbolo. Desse conto, aqui se reproduzem, em homenagem à autora, as suas próprias palavras: “Quando, triste e belo, do alto, começou a cair, tombou inteiro, sério, despencando, com a mesma pose das madeiras que tombam de pé... Ao lado, compadecidos diante da brusca morte, curvam-se, frágeis e simples, os solidários bambus...”. &lt;br /&gt;Uma obra poliforme, multívoca, como é a de Maria Célia não se resume a simples exemplos. Mesmo que é um risco o leitor apontar textos, talvez tirando o prazer da descoberta de outros leitores. Eu, antes de tudo, quis fazer uma leitura atenta de um livro que me tocou fundo pela beleza literária do texto.  &lt;br /&gt;Para exemplificar a narrativa curta de Maria Célia Martirani, selecionei por critério estritamente pessoal, dois textos: Dessacralização e A uma borboleta. Embora pequenos fragmentos, espero que dêem uma idéia do que seja o texto de Para que as árvores não tombem de pé.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1.dessacralização&lt;/strong&gt;Despreocupados e livres, caminhavam, matutinos, as calçadas de qualquer domingo. Uma alegria bêbada, não de quem bebeu muito, mas se embriagou demais com a simples presença de um na vida do outro. Que não era simples, mas era o bastante, eles que só assim se bastavam, puros de ar, água e sol... Falavam e riam, em risos falados mansos, fadados que estavam apenas àquela miúda felicidade... Os passos dele largos, os dela curtos, ela que tentava a todo custo o acompanhar... Daí, a igreja... Entraram pela lateral... Entraram só por entrar... Não, não que quisessem assistir missa, melhor a igreja assim vazia, só os dois, só um pouquinho, só agradecer... Que será que agradeciam? A mão dele envolvendo toda a frágil mãozinha dela, ela que de tão pequena, quase nem batia na altura do ombro dele... Ele, que de tão alto, baixava generoso olhar pra encontrar o dela... Ajoelharam e apenas se deixaram ver por alguma imagem, algum santo, algum anjo voando solto no redondo da alta cúpula-vitral de luz. E foi com essa espécie de sabe-se lá que luz, que de lá logo saíram agora enlaçados, nos novos laços de fita de alguma esperança...&lt;br /&gt;(De Para que as árvores não tombem de pé, p. 169)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2.a uma borboleta&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;Empresta-me tua frágil asa frágil, eu quero ter forças para voar. Quero apreender só levezas... Não suporto mais o centro dessa gravidade toda de cenho franzido. Não posso com o peso dos pés, nesses trilhos imantados de ferro.&lt;br /&gt;Ensina-me a polinizar o azul, tocando as hastes-pati¬nhas na volúpia do infinito. Faz-me mamar gotículas bran¬cas, na flor de um copo de leite... Eu preciso chover arcos de cores na íris do céu, conferir, à densidade verde, um farfalhar de pétalas ágeis. Pois a monotonia imóvel dos sérios silêncios da floresta, só perde o medo mistério, quando tuas asas aquareladas pousam na barriga das folhas e as fazem rir alegres cócegas. E o universo saltita numa efusão jocosa, dá gargalhadas de luz, apenas porque o tocaste no abre-fecha ligeiro do leque sedoso de tua se¬dução.&lt;br /&gt;(De Para que as árvores não tombem em pé, p.237.)&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6165605677969513844-8249412171663728184?l=jaymebueno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaymebueno.blogspot.com/feeds/8249412171663728184/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6165605677969513844&amp;postID=8249412171663728184' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/8249412171663728184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/8249412171663728184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaymebueno.blogspot.com/2011/08/galeria-dos-novos-escritores-maria.html' title='GALERIA DOS NOVOS ESCRITORES - Maria Célia Martirani'/><author><name>Jayme Ferreira Bueno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13660954942300311364</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SNWjxHcpZKI/AAAAAAAAAAg/QlFFARzY2qg/S220/Imagem+170blog.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6165605677969513844.post-2811768133940239107</id><published>2011-07-28T15:51:00.000-07:00</published><updated>2011-07-28T15:52:48.695-07:00</updated><title type='text'>CASTRO, MINHA TERRA.</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Todos nós que saímos da nossa terra natal, sempre temos o desejo de a ela um dia retornar, nem mesmo que seja na lembrança. É o mito do eterno retorno.&lt;br /&gt;Eu, como muitos, sinto uma saudade muito grande da minha cidade. Trago de lá boas lembranças. São recordações de uma adolescência pobre de recursos materiais, mas rico de experiência, de vivência, de amizades, enfim, de tudo um pouco. Até mesmo das águas do Iapó, que eu transpunha várias vezes ao dia, a caminho do trabalho ou da escola.&lt;br /&gt;Estudei, por último no Colégio Diocesano de Santa Cruz. De lá, não esqueço professores, como Bernardo Letzinger, João Baptista Cobbe, Nicolau Hampf, Lourival Leite de Carvalho e muitos outros.&lt;br /&gt;Lembro também, e muito, dos colegas: Luiz Eduardo dos Santos, Georberto Flores, Jorge Alcy Jabczynski, e também das meninas. No começo eram várias: Josema Fiorrilo, Nanci Pereira, Neide Menarim, Perli Lopes, Salua Fadel. Mais tarde, o grupo se resumiu em apenas três. Com elas fomos até o final do curso Científico. Bons tempos aqueles dos anos de 1950. Tempos de sonhos, de voos da juventude, de esperanças, de projetos, que, alguns se realizaram, outros ficaram pelo caminho.&lt;br /&gt;Sempre que para lá retorno, fico ao lado do velho prédio do antigo Cine Marajá. Que saudade das sessões de domingo, às 19 horas. Era lá que se viam muitas das meninas bonitas da cidade, como era também às margens do Iapó, nas areias, que, por isso, o local se chamava Areião.  &lt;br /&gt;Fica aqui a demonstração do meu amor por minha terra e da saudade que dela sinto. Saudade de um tempo, que, sem saber, eu fui feliz...&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6165605677969513844-2811768133940239107?l=jaymebueno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaymebueno.blogspot.com/feeds/2811768133940239107/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6165605677969513844&amp;postID=2811768133940239107' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/2811768133940239107'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/2811768133940239107'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaymebueno.blogspot.com/2011/07/castro-minha-terra.html' title='CASTRO, MINHA TERRA.'/><author><name>Jayme Ferreira Bueno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13660954942300311364</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SNWjxHcpZKI/AAAAAAAAAAg/QlFFARzY2qg/S220/Imagem+170blog.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6165605677969513844.post-280987569289979312</id><published>2010-09-29T06:22:00.000-07:00</published><updated>2010-09-29T06:31:23.006-07:00</updated><title type='text'>CAIM, DE JOSÉ SARAMAGO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;1. CAIM NA BÍBLIA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Caim, o primogênito de Adão e Eva, ao matar seu irmão Abel, torna-se o primeiro homicida da história da humanidade. Por esse crime, quando Deus ainda aparecia e conversava diretamente com as suas criaturas, apareceu ao assassino e cobrou dele contas do irmão. Caim, sem poder dar-lhe uma justa explicação, pois o seu crime fora meramente por ciúme de seu irmão - este recebera mais atenção do Senhor pelas oferendas que devotara ao Criador, quando as ofertas dele, Caim, foram pouco apreciadas. Então, o Senhor, dirigindo-se a Caim, amaldiçoou-o, dizendo: “Agora, pois, serás maldito sobre a terra, que abriu a sua boca e recebeu da tua mão o sangue do teu irmão. Quando a cultivares, ela não te dará os seus frutos; serás vagabundo e fugitivo sobre a terra”. (Gên., IV, 10-13). Em cumprimento de sua maldição, “Caim tendo-se retirado de diante da face do Senhor, andou errante sobre a terra”. (Gên., IV, 16).&lt;br /&gt;Desde então, com base em Caim e Abel, tem-se atribuído às ocupações de ambos alguns significados: Caim inicialmente dedicou-se à agricultura, profissão menos valorizada pelo Senhor; Abel, ao contrário, era pastor, o que o fez sobressair aos olhos do Senhor. Com a maldição de ter que vagar pelo mundo, Caim abandonou o cultivo, ocupação que exigia a fixação a determinado lugar, e tornou-se assim o primeiro andarilho sobre a face da terra, o primeiro “turista”.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2. CAIM NA FICÇÃO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Caim, alimentado pelo ciúme e atormentado pela maldição, tem sido um dos grandes temas da literatura. Personalidade complexa, como fratricida ou como símbolo do eterno viajante, Caim sai do texto bíblico para figurar em páginas de inúmeras obras literárias.&lt;br /&gt;Recentemente, José Saramago lançou mais uma de suas polêmicas obras, exatamente com o título Caim. Como já fizera em O Evangelho segundo Jesus Cristo, o prêmio Nobel de Literatura volta-se agora para o Velho Testamento, lá para o Gênesis, início de tudo. Recontando o texto bíblico à sua maneira, Saramago vai temperando a sua narrativa com fatos relevantes da Bíblia enxertados com passagens fictícias, para conferir-lhe aquela ironia e o gosto por romper velhas tradições, quer das estruturas sociais, quer das religiosas.&lt;br /&gt;Saramago visivelmente faz de Caim a personagem preferida, não só pelo título com que nomeia a obra, mas pelo desenrolar da narrativa. Para ele Abel chega a merecer a morte. Vejam-se os textos abaixo:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;1.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#000099;"&gt;&lt;em&gt;E houve o dia em que adão pôde comprar um pedaço de terra, chamar-lhe sua e levantar, encostada a uma colina, uma casa de toscos adobes, aí onde já poderiam nascer os seus três filhos, caim, abel e set, todos eles, no momento próprio das suas vidas, gatinhando entre a cozinha e o salão. E também entre a cozinha e o campo, porque os dois mais velhos, quando já cresciditos, com a ingénua astúcia da sua pouca idade, usavam de todos os pretextos válidos e menos válidos para que o pai os levasse consigo, montados no burro da família, para o seu local de trabalho.&lt;br /&gt;Cedo se viu que as vocações dos dois pequenos não coincidiam. Enquanto Abel preferia a companhia das ovelhas e dos cordeiros, as alegrias de Caim iam todas para as enxadas, as forquilhas e as gadanhas, um, fadado para abrir caminho na pecuária, outro, para singrar na agricultura. Há que reconhecer que a distribuição da mão-de-obra doméstica era absolutamente satisfatória, uma vez que cobria por inteiro os dois mais importantes sectores da economia da época.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;2.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#000099;"&gt;Desde a mais tenra infância Caim e Abel haviam sido os melhores amigos, a um ponto tal que nem irmãos pareciam, aonde ia um, o outro ia também, e tudo faziam de comum acordo. O senhor os quis, o senhor os juntou, assim diziam na aldeia as mães ciumentas, e parecia certo. Até que um dia o futuro entendeu que já era hora de se apresentar. Abel tinha o seu gado, Caim o seu agro, e, como mandavam a tradição e a obrigação religiosa, ofereceram ao senhor as primícias do seu trabalho, queimando Abel a delicada carne de um cordeiro e Caim os produtos da terra, umas quantas espigas e sementes. Sucedeu então algo até hoje inexplicado. O fumo da carne oferecida por Abel subiu a direito até desaparecer no espaço infinito, sinal de que o senhor&lt;br /&gt;aceitava o sacrifício e nele se comprazia, mas o fumo dos vegetais de Caim, cultivados com um amor pelo menos igual, não foi longe, dispersou-se logo ali, a pouca altura do solo, o que significava que o senhor o rejeitava sem qualquer contemplação. Inquieto, perplexo, Caim propôs a Abel que trocassem de lugar, podia ser que houvesse ali uma corrente de ar que fosse a causa do distúrbio, e assim fizeram, mas o resultado foi o mesmo. Estava claro, o senhor desdenhava Caim. Foi então que o verdadeiro carácter de Abel veio ao de cima. Em lugar de se compadecer do desgosto do irmão e consolá-lo, escarneceu dele, e, como se isto ainda fosse pouco, desatou a enaltecer a sua própria pessoa, proclamando-se, perante o atónito e desconcertado Caim, como um favorito do senhor, como um eleito de deus. O infeliz Caim não teve outro remédio que engolir a afronta e voltar ao trabalho. A cena repetiu-se, invariável, durante uma semana, sempre um fumo que subia, sempre um fumo que podia tocar-se com a mão e logo se desfazia no ar. E sempre a falta de piedade de Abel, os dichotes de Abel, o desprezo de Abel.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#000099;"&gt;3.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Um dia Caim pediu ao irmão que o acompanhasse a um vale próximo onde era voz corrente que se acoitava uma raposa e ali, com as suas próprias mãos, o matou a golpes de uma queixada de jumento que havia escondido antes num silvado, portanto com aleivosa premeditacão. Foi nesse exacto momento, isto é, atrasada em relação aos acontecimentos, que a voz do senhor soou, e não só soou ela como apareceu ele. Tanto tempo sem dar notícias, e agora aqui estava, vestido como quando expulsou do jardim do éden os infelizes pais destes dois. Tem na cabeça a coroa tripla, a mão direita empunha o ceptro, um balandrau de rico tecido cobre-o da cabeça aos pés. Que fizeste com o teu irmão, perguntou, e Caim respondeu com outra pergunta, Era eu o guarda-costas de meu irmão, Mataste-o, Assim é, mas o primeiro culpado és tu, eu daria a vida pela vida dele se tu não tivesses destruído a minha...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6165605677969513844-280987569289979312?l=jaymebueno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaymebueno.blogspot.com/feeds/280987569289979312/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6165605677969513844&amp;postID=280987569289979312' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/280987569289979312'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/280987569289979312'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaymebueno.blogspot.com/2010/09/caim-de-jose-saramago.html' title='CAIM, DE JOSÉ SARAMAGO'/><author><name>Jayme Ferreira Bueno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13660954942300311364</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SNWjxHcpZKI/AAAAAAAAAAg/QlFFARzY2qg/S220/Imagem+170blog.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6165605677969513844.post-6629328419321651110</id><published>2010-09-14T14:25:00.000-07:00</published><updated>2010-10-02T13:00:25.209-07:00</updated><title type='text'>PROFESSOR JOÃO BAPTISTA COBBE – Depoimento de um aluno</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/TI_s5pbetiI/AAAAAAAAAVE/R4CQpMEI0nM/s1600/FOTO+-+COBBE.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 150px; DISPLAY: block; HEIGHT: 180px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5516888543669958178" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/TI_s5pbetiI/AAAAAAAAAVE/R4CQpMEI0nM/s320/FOTO+-+COBBE.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;João Baptista Cobbe em foto da formatura no curso de Direito da então Universidade do Paraná, nos anos 50. &lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;1 Introdução&lt;span style="font-size:78%;"&gt; &lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Inicialmente, digo que eu fui um dos felizardos meninos que passaram por suas aulas de Português e de Latim no Colégio Diocesano de Santa Cruz, em Castro - Paraná, nos famosos anos dourados de 1950. &lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Nos anos de 1940 e 1950, o Colégio Diocesano de Santa Cruz, em Castro, pertencente à Diocese de Ponta Grossa, era parâmetro de bom ensino e principalmente de boa educação em todo sudeste e sul do Brasil. Para ele, acorriam alunos de todo o interior e mesmo da capital de São Paulo, de Minas, do próprio Paraná, enfim de diferentes estados do Brasil. A maior parte desses alunos vinha como alunos internos, outros que tinham parentes, ou que se hospedavam em velhas pensões, ou em casas que alugavam quartos, permaneciam como externos.&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Eu, vindo do interior do próprio município de Castro, de uma localidade chamada Cerrado do Guararema, permaneci como externo, inicialmente morando com uma família que havia morado no velho Cerrado e agora se encontrava com comércio estabelecido na cidade sede do município. Mais tarde, meus pais construíram uma pequena casa de madeira em uma vila da cidade, e passei a morar inicialmente com uma irmã e um primo, depois com meus próprios pais.&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Foi assim que pude cursar o ginásio e o científico no famoso Colégio e ter o professor Cobbe como um dos principais educadores. Posso afirmar que ele era o preferido por toda a turma.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;2 Professor João Baptista Cobbe&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt; &lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;No início do mês de março de 1950, quando iniciaram as aulas no Colégio, aguardávamos no pátio, quando soou uma sirene. Formamos fila de acordo com a série. Nós, os novatos, éramos instruídos pelos inspetores, geralmente alunos internos que já cursavam o científico, e recebiam uma espécie de bolsa-escola, para colaborar com a disciplina do Colégio.&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Quem veio ao topo da escadaria para receber a turma de calouros foi o Prof. Cobbe. Portanto, ele foi o meu primeiro professor do Ginásio e um dos principais pela minha vida toda. Foi com ele que aprendi a gostar ainda mais de Português e receber lições de Latim, que já me chamava a atenção quando na Igreja Matriz de Castro, lia num pórtico: &lt;em&gt;Ego sum panis vitae&lt;/em&gt;. Havia outras inscrições, mas essa era a que mais me chamava a atenção.&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Brincando pelo pátio do Colégio, fui aos poucos encontrando placas gravadas no cimento com inscrições, como &lt;em&gt;Ad perpetuam rei memoriam&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Ad majorem Dei gloriam&lt;/em&gt;. Depois, fiquei sabendo que era o Prof. Cobbe quem reproduzia aquelas frases . Ele estudara em Seminário do estado de Santa Catarina e lá aprendera a língua do Lácio e entrara em contato com tais frases.&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;As aulas continuavam, para mim, como um encantamento. Muitos dos colegas talvez não dessem o valor que eu dava, porque eu sabia o sacrifício que meus pais tão pobres faziam para me manter no curso ginasial. Por isso, muitos tentavam brincadeiras nas aulas, mas o Prof. Cobbe sem usar de nenhum método ríspido para evitar a indisciplina, conseguia de modo tranquilo dominar a turma e sempre prosseguir em suas aulas.&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Terminamos o ginásio e já no curso científico não tivemos mais o Prof. Cobbe como nosso professor. Vieram outros competente e também amigos, como o seu colega Prof. Lourival Leite de Carvalho, que passou a dar para nós aulas de Literatura Brasileira e Literatura Portuguesa. Completava-se, assim, a minha formação no que se poderia chamar um proto-curso de Letras.&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Mais tarde, também me tornei professor e procurei fazer como fazia aquele que eu erigira como professor e mestre, sempre tranquilo, compreensivo, competente. Procurava seguir o seu exemplo. E fui cursar Letras, graduação, especialização, mestrado e doutorado, mas as raízes estavm firmes lá nas aulas do Prof. Cobbe.&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;2 Novos rumos profissionais de João Baptista Cobbe&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O Prof. Cobbe foi para Curitiba terminar o seu curso de Direito, que já havia começado. Mais tarde, seria o grande advogado, o vereador da cidade de Castro e o exemplar Promotor de Justiça por várias comarcas do Paraná: Castro, Jaguariaíva, Piraí do Sul, Tibagi, Arapongas, Mallet, Cascavel e Curitiba.&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Em consequência da sua atuação, várias homenagens foram-lhe prestadas por câmaras municipais das cidades por onde passara como Promotor ou em outra função pública. Em Cascavel, assumiu papel de destaque na sociedade da grande cidade que surgia na terra ainda poeirenta do oeste do estado. Foi o fundador e presidente do Automóvel Clube de Cascavel; sócio-fundador do Cascavel Country; presidente do Tuiuti Esporte Clube. Em Castro, sua terra natal, recebeu o título de Cidadão Benemérito.&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Depois foi atuante administrador público. Foi superintendente do novo IPE – Instituto de Previdência e Assistência do Paraná, atualmente, hoje,  embora em formato diferente, o Paraná-Previdência; diretor-presidente da Famepar - Fundação de Assistência aos Municípios do Paraná , assessor da vice-governança do Estado do Paraná – governo Jayme Canet Junior; assessor da Secretaria de Justiça – governo Ney Braga; secretário e desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná; diretor geral da Corregedoria da Justiça do Tribunal de Justiça Secretaria de Administração do Paraná, além de outros inúmeros cargos públicos de relevância funcional e política. &lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;3 O reencontro com o Professor Cobbe &lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Inicialmente o reencontro se deu por telefone por intermédio de uma então minha aluna no curso de Letras na PUCPR. Acredito que tenh sido pelo início do ano de 1987. Em uma noite, recebi um telefonema. A pessoa identificou-se dizendo que ela e sua filha eram minhas alunas na PUCPR e que soube pelo marido, que ele me conhecera. Ela era esposa de João Baptista Cobbe. Naquela, noite, falei com ele rapidamente por telefone.&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Logo depois, creio que ainda no mesmo ano de 1987, quando eu tratava do andamento de minha aposentadoria no magistério estadual, fui até a Secretaria de Administração, que então funcionava no Edifício projetado por Oscar Niemeyer, inicialmente para sede do Instituto de Educação do Paraná e que hoje foi integrado em um novo projeto que constitui o MON – Museu Oscar Niemeyer. Lá, fui recebido por João Baptista Cobbe, um dos assessores da Secretaria e que me atendeu com a solicitude própria de uma pessoa educada, interessada e competente.&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;4 Um reencontro atual com a memória de João Baptista Cobbe&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Há poucos dias, em uma agência bancária, casualmente, encontrei-me com uma senhora que se apresentou e me lembrou que era Hilda Souza Cobbe, minha ex-aluna no curso de Letras, e agora viúva de João Baptista Cobbe. A notícia chocou-me. O velho professor, talvez o único que ainda vivia daqueles professores do Colégio Diocesano de Santa Cruz, de Castro, lá do início dos anos 50.&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Comecei a indagar sobre o acontecimento e fiquei sabendo que já haviam se passado aproximadamente cinco meses da morte do nosso professor. Faleceu em 4 de abril deste ano de 2010. Estávamos a 10 de setembro. Viveu 85 anos férteis de trabalho, dedicação à profissão e aos cargos públicos que exerceu e principalmente à família. Deixa uma lacuna na vida dos amigos, uma perda inconsolável para famliares, uma saudade para todos nós que o conhecemos.&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;A vida, como sabemos, é assim. O poeta português Fernando Pessoa, na voz do heterônimo Ricardo Reis, avisa-nos: &lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Talvez que já nos toque&lt;br /&gt;No ombro a mão, que chama&lt;br /&gt;À barca que não vem senão vazia&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Essa “Barca que não vem senão vazia” costuma levar da terra os bons. Virão outros, mas nenhum igual. Esses nunca serão como aqueles que partem e nos deixam todos órfãos de sua companhia.&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;5. Homenagem &lt;em&gt;in memoriam&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Em homenagem ao professor que me despertou para o Latim e para as línguas clássicas, esta homenagem. Que aqui fiquem gravadas algumas inscrições latinas de que tanto ele gostava: &lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;- Que a sua vida tenha servido &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Ad maiorem Dei Gloriam&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;- Como disse Cristo em suas últimas palavras na cruz: &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Consummatum est!&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;- Agora, que sua vida findou, que seu corpo &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Requiescat in pace&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;- Em oração, peço ao bondoso Pai: &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Requiem aeternam dona eis, Domine&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;. &lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Concluindo este depoimento, deixo, como minhas últimas palavras, o seguinte: graduei-me em Letras Clássicas – Bacharelato, em 1959 e Licenciatura, em 1960 e fiz Especialização em Literatura Brasileira em 1965, esses cursos na Universidade Federal do Paraná. Mais tarde, em 1979, completei o Mestrado em Teoria Literária na Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Finalmente, doutorei-me em Letras, em 1983, na USP – Universidade de São Paulo, com estágio em Portugal, junto à Biblioteca Nacional de Lisboa.&lt;br /&gt;Tudo isto para declarar que, com todos esses cursos, a origem, os fundamentos mais profundos do meu conhecimento da Língua Portuguesa e das Letras e também o amor ao estudo se encontram lá nos anos de 1950, no Colégio Diocesano de Santa Cruz, de Castro, nas aulas do Prof. Cobbe.&lt;span style="font-size:78%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;°°°&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Alguns dados biográficos:&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;- João Batista Cobbe nasceu em Castro, em 24 de janeiro de 1925, filho de Marcemino Cobbe e Maria Rosa Nogaroli Cobbe. Cursou o primário no Colégio José e no Colégio Santa Cruz, ambos da cidade de Castro. Fez o curso ginasial no Seminário Arquidiocesano, em Brusque, Santa Catarina. O Seminário Arquidiocesano de Brusque é  também conhecido por Seminário Nossa Senhora de Lourdes Azambuja-Brusque. Pertencia à Arquidiocese de Florianópolis. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;João Baptista Cobbe frequentou o Seminário nos anos 40, quando era reitor o Pe. Afonso Nieheus. Depois, vieram outros, como o então padre Jaime de Barros Câmara, que mais tarde se tornaria o célebre Arcebispo do Rio de Janeiro, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- João Baptista Coaabbe prestou o sercviço militar em Castro. Mais tarde, cursou Direito na Universidade Federal do Paraná (UFPR).&lt;br /&gt;- Profissionalmente, devido à sua origem modesta, exerceu diversas atividades profissionais, desde trabalhador em obras, sacristão da Matriz de Castro, secretário do Colégio Diocesano de Santa Cruz. No magistério, foi professor de latim, português e história, no Ginásio. No jornalismo, foi colaborador do importante jornal da época na região, o &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Castro-Jornal&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;- Bacharel em Direito, exerceu a profissão como advogado e foi aprovado em concurso público no Ministério Público. Em 1956, assumiu como Promotor de Justiça, cargo que exerceu em Castro, Jaguariaíva, Piraí do Sul, Tibagi, Arapongas, Mallet, Cascavel e Curitiba.&lt;br /&gt;- Em Cascavel, de 1961 a 1973, exerceu o cargo de Promotor de Justiç e foi também professor de Direito Usual e Legislação Aplicada no Colégio Marista de Cascavel. Na sociedade da jovem cidade que brotava pujante no oeste do Paraná, exerceu diversos cargos de relevância social e cultural e esportiva.&lt;br /&gt;- Em cargos públicos administrativos, já em Curitiba, atuou em vários órgãos, como governança do estado, secretarias, institutos e fundações estaduais e também no judiciário paranaense.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Faleceu em paz ao lado de seus familiares, no dia 4 de abril de 2010. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6165605677969513844-6629328419321651110?l=jaymebueno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaymebueno.blogspot.com/feeds/6629328419321651110/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6165605677969513844&amp;postID=6629328419321651110' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/6629328419321651110'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/6629328419321651110'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaymebueno.blogspot.com/2010/09/professor-joao-baptista-cobbe.html' title='&lt;strong&gt;PROFESSOR JOÃO BAPTISTA COBBE – Depoimento de um aluno&lt;/strong&gt;'/><author><name>Jayme Ferreira Bueno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13660954942300311364</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SNWjxHcpZKI/AAAAAAAAAAg/QlFFARzY2qg/S220/Imagem+170blog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/TI_s5pbetiI/AAAAAAAAAVE/R4CQpMEI0nM/s72-c/FOTO+-+COBBE.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6165605677969513844.post-4910841633772359805</id><published>2010-09-11T05:53:00.000-07:00</published><updated>2010-09-11T06:42:10.861-07:00</updated><title type='text'>MEU CARO CHICO Texto de Paulo Camargo</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/TIuER4NxIfI/AAAAAAAAAUs/vbBg5gPHvEE/s1600/MEU+CARO+CHICO+Foto.bmp"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 295px; DISPLAY: block; HEIGHT: 287px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5515647611328078322" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/TIuER4NxIfI/AAAAAAAAAUs/vbBg5gPHvEE/s320/MEU+CARO+CHICO+Foto.bmp" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;strong&gt;Ilustração: Felipe Lima&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Meu caro Chico&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;“As dezenas, senão centenas de músicas que conheço de cor e salteado, têm o superpoder de me devolver a mim. E isso não tem preço.”&lt;span style="font-size:78%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Publicado em 11/09/2010 &lt;/strong&gt;&lt;a href="mailto:pcamargo@gazetadopovo.com.br"&gt;&lt;strong&gt;pcamargo@gazetadopovo.com.br&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;A idolatria costuma estar associada à adolescência. Adultos, quando nutrem uma paixão tão intensa por alguém fora de seu alcance, correm o risco de parecer pueris, em descompasso com a idade que têm.&lt;br /&gt;Mesmo assim, não são poucos os que carregam essa pulsão dos verdes anos à maturidade. Talvez porque seja uma forma de nos reconectarmos com instâncias menos cínicas. E assim, resgatar um pouco daquilo que um dia fomos e, de certa forma, mantemos engavetado em nome da dita maturidade.&lt;br /&gt;Com o lançamento, pela editora Abril, de uma caprichada coleção que inclui quase toda a discografia oficial de Chico Buarque, em formato de CDs acompanhados de livretos, vi-me frente a um dilema dos mais prosaicos: comprar ou não discos que, em sua grande maioria, já tenho, à medida que chegam todas as semanas às bancas e livrarias. Existe o desejo, confesso, mas também o pé no freio, a cabeça que diz: “Não, bobagem”.&lt;br /&gt;Esse conflito, aparentemente tolo, me fez pensar sobre por que gosto tanto do Chico. E, depois de enumerar vários motivos, todos muito racionais – como a qualidade e a importância histórica das composições e a riqueza poética das letras –, caiu a ficha.&lt;br /&gt;As dezenas, senão centenas de músicas que conheço de cor e salteado, têm o superpoder de me devolver a mim. E isso não tem preço.&lt;br /&gt;Quando ouço, por exemplo, pérolas como “O Que Será (À Flor da Terra)”, “Passaredo” ou “A Noiva da Cidade”, me vejo aos 11, 12 anos, contando os cruzeiros para comprar Meus Caros Amigos na filial da rede Rei do Disco em um velho shopping de Copacabana, no Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;Não tinha ideia, pelo menos não à primeira audição em uma radiola Grundig, que a letra de “Meu Caro Amigo”, composta em parceria com Francis Hime, falava do Brasil sob a bota do governo militar.&lt;br /&gt;Foram necessárias algumas aulas de Português e História com professores veladamente “subversivos” para compreender o que queriam expressar versos como “Meu caro amigo me perdoe, por favor/ Se eu não lhe faço uma visita/ Mas como agora apareceu um portador/ Mando notícias nessa fita/ Aqui na terra tão jogando futebol/ Tem muito samba, muito choro e rock’n’roll/ Uns dias chove, noutros dias bate sol/ Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta”.&lt;br /&gt;Lembro-me do momento da revelação, o instante em que percebi que, por trás do delicioso samba de Chico e Francis, escondia-se amarga ironia. A letra era uma mensagem melancólica a amigos que (como o próprio Chico) tiveram de tirar o time de campo e deixar do país por estarem na mira da ditadura.&lt;br /&gt;A idolatria, que aqui assumo sem pudores de jornalista cultural, está muito ligada à sensação, desengavetada nos últimos dias, de que ouvir Chico Buarque sempre foi, e ainda é, uma experiência estética. Algo que fratura minha rotina, de horários, obrigações, deveres e responsabilidades, e me recoloca em contato com territórios mais sensíveis.&lt;br /&gt;Muitas de suas canções me provaram ao longo dos últimos 30 anos, por mais que o cotidiano por vezes me force a esquecer, que sou capaz de pensar e sentir ao mesmo tempo. São pedaços de mim.&lt;br /&gt;E lá vou eu comprar a coleção da Abril.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(Paulo Camargo é editor do Caderno G. do jornal &lt;em&gt;Gazeta do Povo&lt;/em&gt;.)&lt;br /&gt;(CAMARGO, Paulo. Meu Caro Chico. &lt;em&gt;Gazeta do Povo&lt;/em&gt;, Caderno G Idéias, 11.set.2010, p.5.)&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;.&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#660000;"&gt;Faço meu o texto de Paulo Camargo.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#660000;"&gt;Acabo de resolver também o meu dilema. Vou correr a um shopping comprar a nova coleção.&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#660000;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#660000;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;.&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#660000;"&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;color:#660000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;color:#660000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;color:#660000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;color:#660000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;color:#000000;"&gt;Jayme Ferreira Bueno&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6165605677969513844-4910841633772359805?l=jaymebueno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaymebueno.blogspot.com/feeds/4910841633772359805/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6165605677969513844&amp;postID=4910841633772359805' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/4910841633772359805'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/4910841633772359805'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaymebueno.blogspot.com/2010/09/ilustracao-felipe-lima-meu-caro-chico.html' title='&lt;strong&gt;MEU CARO CHICO Texto de Paulo Camargo&lt;/strong&gt;'/><author><name>Jayme Ferreira Bueno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13660954942300311364</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SNWjxHcpZKI/AAAAAAAAAAg/QlFFARzY2qg/S220/Imagem+170blog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/TIuER4NxIfI/AAAAAAAAAUs/vbBg5gPHvEE/s72-c/MEU+CARO+CHICO+Foto.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6165605677969513844.post-2681584493973438738</id><published>2010-07-08T05:19:00.000-07:00</published><updated>2010-07-09T06:16:03.370-07:00</updated><title type='text'>A POESIA DE JOSÉ SARAMAGO</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/TDcgdzehJHI/AAAAAAAAAUU/6x_n623n4oE/s1600/FOTO.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 185px; DISPLAY: block; HEIGHT: 235px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5491893967008113778" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/TDcgdzehJHI/AAAAAAAAAUU/6x_n623n4oE/s320/FOTO.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; &lt;/span&gt; &lt;div&gt;&lt;strong&gt;José Saramago&lt;/strong&gt; - (1922 - 2010), escritor português, prêmio Nobel de Literatura de 1988 tornou-se conhecidíssimo por sua obra em prosa, principalmente por seus romances. Pouco se fala dele, porém, como poeta e pensador. Valoriza-se bastante também na sua biografia a ação política que desenvolveu, sempre muito polêmica e utópica, principalmente por ter abraçado o Comunismo num país bastante tradicionalista e extremamente católico.&lt;br /&gt;Aqui apenas daremos uma apagada ideia do pensador e do poeta Saramago.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1. Pensamentos de Saramago&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Como em tudo que fazia, José Saramago se mostra em suas frases e pensamentos o crítico agudo, o homem de extrema lucidez, uma espécie de iluminado da palavra. Como autêntico vate, antecipa, como que vaticina, acontecimentos, como fez com a sua própria morte.&lt;br /&gt;A seleção dos três pensamentos seguintes baseou-se no gosto pelos temas líricos, talvez até bastante platônico. Aliás, platônico se mostra José Saramago em seus pensamentos e em muitos de seus poemas.&lt;br /&gt;1.&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar.&lt;br /&gt;2.Dirão, em som, as coisas que, calados, no silêncio dos olhos confessamos?&lt;br /&gt;3.O espelho e os sonhos são coisas semelhantes, é como a imagem do homem diante de si próprio.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Alguém poderá obstar: são pensamentos comuns, qualquer um poderia ter pronunciado frases como essas. É verdade, mas quem disse foi José Saramago. Ele, que, muito conscientemente, também disse:&lt;br /&gt;strong&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Os bons e os maus resultados dos nossos ditos e obras vão-se distribuindo, supõe-se que de uma maneira bastante uniforme e equilibrada, por todos os dias do futuro, incluindo aqueles, infindáveis, em que já cá não estaremos para poder comprová-lo, para congratularmo-nos ou para pedir perdão, aliás, há quem diga que é isto a imortalidade de que tanto se fala&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;2. A poesia de Saramago&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;O crítico que, ao avaliar a poesia de Saramago, afirmou que no gênero ele não estaria atualizado, pois, entre 1966 e 1975, já se escrevia em Portugal uma outra poesia, ou não percebeu, ou não valorizou que exatamente esse andar sozinho é que o tornava diferente, grande, original. O crítico justifica: : “Em comparação com o que um Ernesto de Melo e Castro, um Helberto Hélder, um Cesariny, ou mesmo os jovens saídos da “poesia 61” então publicavam ou teriam publicado nos últimos tempos, não se poderia afirmar que a produção poética de Saramago estivesse propriamente muito atualizada”.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(LOPES, João Marques. &lt;em&gt;Saramago&lt;/em&gt;: biografia. São Paulo: Leya, 2010, p. 53).&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Pode-se, em contrapartida, indagar, mesmo sem querer tirar ou diminuir a importância desses poetas e desse jovem movimento, se a poesia que produziram foi a melhor que então se fez em Portugal?.&lt;br /&gt;Saramago, em alguns depoimentos se confessa admirador de José Régio e, talvez, por ele influenciado. Lembramos que Régio escreveu no poema Cântico Negro do livro &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Poemas de Deus e do Diabo&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; (1925):&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces&lt;br /&gt;Estendendo-me os braços, e seguros&lt;br /&gt;De que seria bom que eu os ouvisse&lt;br /&gt;Quando me dizem: "vem por aqui!"&lt;br /&gt;Eu olho-os com olhos lassos,&lt;br /&gt;(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)&lt;br /&gt;E cruzo os braços,&lt;br /&gt;E nunca vou por ali...&lt;br /&gt;A minha glória é esta:&lt;br /&gt;Criar desumanidades!&lt;br /&gt;Não acompanhar ninguém.&lt;br /&gt;— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade&lt;br /&gt;Com que rasguei o ventre à minha mãe&lt;br /&gt;Não, não vou por aí! Só vou por onde&lt;br /&gt;Me levam meus próprios passos...&lt;br /&gt;Se ao que busco saber nenhum de vós responde&lt;br /&gt;Por que me repetis: "vem por aqui!"?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Saramago jamais foi ou se mostrou um seguidor. Pelo contrário, foi sempre um autêntico inventor de mitos. Intuitivamente, seguia o que disseram os latinos: “&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Non ducor, duco&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;”. De fato, Saramago não nasceu para ser conduzido, mas para conduzir. A obra poética que publicou compreende três livros:&lt;br /&gt;1&lt;strong&gt;&lt;em&gt;.Os poemas possíveis&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, 1966;&lt;br /&gt;2.&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Provavelmente alegria&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, 1970;&lt;br /&gt;3.&lt;strong&gt;&lt;em&gt;O ano de 1993&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, 1975.&lt;br /&gt;Há também um volume bilingue (português e italiano) de seus poemas.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Poemas:&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;A seleção dos nove poemas que seguem também se baseou no gosto pessoal. Procurou-se encontrar três poemas metapoéticos; outros três, mais voltados ao existencial; e finalmente três, de ordem lírica:&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;I série – temática: a poesia ou o poeta&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;1. Retrato do poeta quando jovem&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Há na memória um rio onde navegam&lt;br /&gt;Os barcos da infância, em arcadas&lt;br /&gt;De ramos inquietos que despregam&lt;br /&gt;Sobre as águas as folhas recurvadas.&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Há um bater de remos compassado&lt;br /&gt;No silêncio da lisa madrugada,&lt;br /&gt;Ondas brancas se afastam para o lado&lt;br /&gt;Com o rumor da seda amarrotada.&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Há um nascer do sol no sítio exacto,&lt;br /&gt;À hora que mais conta duma vida,&lt;br /&gt;Um acordar dos olhos e do tacto,&lt;br /&gt;Um ansiar de sede inextinguida.&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Há um retrato de água e de quebranto&lt;br /&gt;Que do fundo rompeu desta memória,&lt;br /&gt;E tudo quanto é rio abre no canto&lt;br /&gt;Que conta do retrato a velha história.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2. Forja&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;Forja o poema, e ruivo ardente&lt;br /&gt;O metal duro da rima fragorosa,&lt;br /&gt;Quero o corpo suado, incandescente,&lt;br /&gt;Na bigorna sonora e corajosa,&lt;br /&gt;E que a obra saída desta forja&lt;br /&gt;Seja simples e fresca como a rosa&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3. Eloquencia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Um verso que não diga por palavras,&lt;br /&gt;Ou se palavras tem, que nada exprimam:&lt;br /&gt;Uma linha no ar, um gesto breve&lt;br /&gt;Que, num silêncio fundo, me resuma&lt;br /&gt;A vontade que quer, a mão que escreve.&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;II série – Temática: existencial&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;1. Poema à boca fechada&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não direi:&lt;br /&gt;Que o silêncio me sufoca e amordaça.&lt;br /&gt;Calado estou, calado ficarei,&lt;br /&gt;Pois que a língua que falo é de outra raça.&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Palavras consumidas se acumulam,&lt;br /&gt;Se represam, cisterna de águas mortas,&lt;br /&gt;Ácidas mágoas em limos transformadas,&lt;br /&gt;Vaza de fundo em que há raízes tortas.&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Não direi:&lt;br /&gt;Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,&lt;br /&gt;Palavras que não digam quanto sei&lt;br /&gt;Neste retiro em que me não conhecem. &lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,&lt;br /&gt;Nem só animais bóiam, mortos, medos,&lt;br /&gt;Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam&lt;br /&gt;No negro poço de onde sobem dedos. &lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Só direi,&lt;br /&gt;Crispadamente recolhido e mudo,&lt;br /&gt;Que quem se cala quando me calei&lt;br /&gt;Não poderá morrer sem dizer tudo.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2. Não me Peçam Razões...&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não me peçam razões, que não as tenho,&lt;br /&gt;Ou darei quantas queiram: bem sabemos&lt;br /&gt;Que razões são palavras, todas nascem&lt;br /&gt;Da mansa hipocrisia que aprendemos.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Não me peçam razões por que se entenda&lt;br /&gt;A força de maré que me enche o peito,&lt;br /&gt;Este estar mal no mundo e nesta lei:&lt;br /&gt;Não fiz a lei e o mundo não aceito.&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Não me peçam razões, ou que as desculpe,&lt;br /&gt;Deste modo de amar e destruir:&lt;br /&gt;Quando a noite é de mais é que amanhece&lt;br /&gt;A cor de primavera que há-de vir.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3. No Coração, Talvez&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;No coração, talvez, ou diga antes:&lt;br /&gt;Uma ferida rasgada de navalha,&lt;br /&gt;Por onde vai a vida, tão mal gasta.&lt;br /&gt;Na total consciência nos retalha.&lt;br /&gt;O desejar, o querer, o não bastar,&lt;br /&gt;Enganada procura da razão&lt;br /&gt;Que o acaso de sermos justifique,&lt;br /&gt;Eis o que dói, talvez no coração. &lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;III – Temática: lírico-amorosa&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;1. Aprendamos, Amor&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Aprendamos, amor, com estes montes&lt;br /&gt;Que, tão longe do mar, sabem o jeito&lt;br /&gt;De banhar no azul dos horizontes. &lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Façamos o que é certo e de direito:&lt;br /&gt;Dos desejos ocultos outras fontes&lt;br /&gt;E desçamos ao mar do nosso leito.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2. Intimidade&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;No coração da mina mais secreta,&lt;br /&gt;No interior do fruto mais distante,&lt;br /&gt;Na vibração da nota mais discreta,&lt;br /&gt;No búzio mais convolto e ressoante,&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Na camada mais densa da pintura,&lt;br /&gt;Na veia que no corpo mais nos sonde,&lt;br /&gt;Na palavra que diga mais brandura,&lt;br /&gt;Na raiz que mais desce, mais esconde,&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;No silêncio mais fundo desta pausa,&lt;br /&gt;Em que a vida se fez perenidade,&lt;br /&gt;Procuro a tua mão, decifro a causa&lt;br /&gt;De querer e não crer, final, intimidade.&lt;br /&gt;De violetas se cobre…&lt;br /&gt;De violetas se cobre o chão que pisas,&lt;br /&gt;De aromas de nardo o ar assombra:&lt;br /&gt;Nestas recurvas áleas, indecisas,&lt;br /&gt;Olho o céu onde passa a tua sombra.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3. Declaração&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não, não há morte.&lt;br /&gt;Nem esta pedra é morta,&lt;br /&gt;Nem morto seta o fruto que tombou:&lt;br /&gt;Dá-lhes vida o abraço dos meus dedos,&lt;br /&gt;Respiram na cadencia do meu sangue,&lt;br /&gt;Do bafo que os tocou.&lt;br /&gt;Também um dia, quando esta mão secar,&lt;br /&gt;Na memória doutra mão perdurará,&lt;br /&gt;Como a boca guardará caladamente&lt;br /&gt;O sabor das bocas que beijou.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6165605677969513844-2681584493973438738?l=jaymebueno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaymebueno.blogspot.com/feeds/2681584493973438738/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6165605677969513844&amp;postID=2681584493973438738' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/2681584493973438738'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/2681584493973438738'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaymebueno.blogspot.com/2010/07/poesia-de-jose-saramago.html' title='A POESIA DE JOSÉ SARAMAGO'/><author><name>Jayme Ferreira Bueno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13660954942300311364</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SNWjxHcpZKI/AAAAAAAAAAg/QlFFARzY2qg/S220/Imagem+170blog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/TDcgdzehJHI/AAAAAAAAAUU/6x_n623n4oE/s72-c/FOTO.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6165605677969513844.post-1363737246595870157</id><published>2010-06-22T14:06:00.000-07:00</published><updated>2010-07-07T14:17:05.796-07:00</updated><title type='text'>A MORTE DE SARAMAGO</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/TDTuxTzu-aI/AAAAAAAAAUE/rcdieZH1Xv4/s1600/SARAMAGO+foto"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 230px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/TDTuxTzu-aI/AAAAAAAAAUE/rcdieZH1Xv4/s320/SARAMAGO+foto" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5491276376569739682" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/TCEwmcdBY9I/AAAAAAAAAT8/IykKDqSQczY/s1600/SARAMAGO-PILAR.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 226px; DISPLAY: block; HEIGHT: 171px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5485719258145055698" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/TCEwmcdBY9I/AAAAAAAAAT8/IykKDqSQczY/s320/SARAMAGO-PILAR.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;José Saramago feliz ao lado de sua esposa, também feliz, Pilar del Río&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é, amigos! Morreu Saramago.&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Leiamos estas duas notícias:&lt;br /&gt;1. “&lt;strong&gt;&lt;em&gt;A Fundação José Saramago emitiu esta sexta-feira um comunicado em que informa que o Nobel português faleceu às 12:30 na sua residência de Lanzarote, em consequência de uma múltipla falha orgânica, após uma prolongada doença.&lt;br /&gt;O comunicado adianta ainda que o escritor morreu ‘acompanhado pela sua família, despedindo-se de uma forma serena e tranquila’&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;”.&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;2. “&lt;strong&gt;&lt;em&gt;O escritor Mário Cláudio afirmou esta sexta-feira que José Saramago é ‘uma figura indiscutivelmente maior das nossas letras’, considerando ‘triste e inesperada’ a sua morte.&lt;br /&gt;O escritor portuense afirmou à Lusa que conhecia ‘muito bem’ José Saramago de ‘encontros internacionais’, considerando tratar-se de uma figura ‘que vai ficar por muitos e muitos anos’.‘Saramago vai durar o que durar a literatura portuguesa’, sustentou Mário Cláudio&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;”.&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Na sexta-feira, 18 de junho, no seu refúgio da Ilha de Lanzarote, nas  Canárias, morreu José Saramago. Depois de 84 anos profícuos para a literatura, para o pensamento, para a vida, nos deixa o único Prêmio Nobel de Literatura da língua portuguesa. &lt;br /&gt;A vida sempre foi, para Saramago, simplesmente um oposto da morte. Declarou em entrevista a um canal de TV brasileira: “A diferença entre a vida e a morte é que antes tu estás e depois tu já não estás.”&lt;br /&gt;É impressionante a lucidez com que via a chegada da morte. Na referida entrevista, que é de 2007, disse ao entrevistador algo assim: “o futuro? Estou com 84 anos, quantos anos a mais terei de vida? Três, quatro...”. Faleceu três anos depois.&lt;br /&gt;Em toda a sua obra, mas especialmente em &lt;strong&gt;&lt;em&gt;As Intermitências da Morte&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, de 2005, ele nos dá lições sobre a morte, a morte dele, a morte de todos nós. As lições são também, e principalmente, sobre a vida.&lt;br /&gt;Na obra, refere-se a um dia particularmente diferente: “&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;No dia seguinte ninguém morreu&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;”. Iniciam-se, então, várias divagações sobre a vida, sobre a morte e sobre outras realidades, como o amor, que nos movem e nos atormentam. Não deixa, porém, de falar sobre a falta dessas realidades, como aconteceu com a ausência, embora temporária da morte, pois, certo dia, lá pelo sétimo capítulo do livro, ela avisa que estava de volta. E a volta da morte, agora sobre novas condições, é assustadora: “&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;a partir da meia-noite de hoje se voltará a morrer tal como sucedia, sem protestos notório...&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;”.&lt;br /&gt;Em seguida, ela se justifica: “&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;ofereci uma pequena amostra do que para eles seria viver para sempre...&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;”.&lt;br /&gt;Avisa, para que todos estejamos atentos, porque: “&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;a partir de agora toda a gente passará a ser prevenida por igual e terá um prazo de uma semana para pôr em dia o que ainda lhe resta na vida&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;”.&lt;br /&gt;Esses sete dias, uma espécie de carência necessária para se colocar em dia alguns compromissos, tomarem-se algumas decisões, seriam avisados por uma carta oficialmente remetida pela Morte. Nela, de modo cortante, anucia a fatal “&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;rescisão deste contrato temporário a que chamamos vida&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;”.&lt;br /&gt;Imagine-se, portanto, as reações daqueles que são avisados e daqueles que ainda aguardam a fatídica comunicação...&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Vejam-se trechos de &lt;strong&gt;&lt;em&gt;As Intermitências da Morte&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;:&lt;br /&gt;I. “&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;De Deus e da morte não se tem contado senão histórias, e esta é mais uma delas&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;.”, p. 146&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;II. “&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Por um instante a morte soltou-se a si mesma, expandindo-se até às paredes, encheu o quarto todo e alongou-se como um fluido até à sala contígua, aí uma parte de si deteve-se a olhar o caderno que estava aberto sobre uma cadeira, era a suite número seis opus mil e doze em ré maior de johann sebastian bach composta em cöthen e não precisou de ter aprendido música para saber que ela havia sido escrita, como a nona sinfonia de beethoven, na tonalidade da alegria, da unidade entre os homens, da amizade e do amor. Então aconteceu algo nunca visto, algo não imaginável, a morte deixou-se cair de joelhos, era toda ela, agora, um corpo refeito, e por isso é que tinha joelhos, e pernas, e pés, e braços, e mãos, e uma cara que entre as mãos escondia, e uns ombros que tremiam não se sabe porquê, chorar não será, não se pode pedir tanto a quem sempre deixa um rasto de lágrimas por onde passa, mas nenhuma delas que seja sua. Assim como estava, nem visível nem invisível, em esqueleto nem mulher, levantou-se do chão como um sopro e entrou no quarto.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;”, p. 158/159&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;III. “&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Então ela, a morte, levantou-se, abriu a bolsa que tinha deixado na sala e retirou a carta de cor violeta. Olhou em redor como se estivesse à procura de um lugar onde a pudesse deixar, sobre o piano, metida entre as cordas do violoncelo, ou então no próprio quarto, debaixo da almofada em que a cabeça do homem descansava. Não o fez. Saiu para a cozinha, acendeu um fósforo, um fósforo humilde, ela que poderia desfazer o papel com o olhar, reduzi-lo a uma impalpável poeira, ela que poderia pegar-lhe fogo só com o contacto dos dedos, e era um simples fósforo, o fósforo comum, o fósforo de todos os dias, que fazia arder a carta da morte, essa que só a morte podia destruir. Não ficaram cinzas. A morte voltou para a cama, abraçou-se ao homem e, sem compreender o que lhe estava a suceder, ela que nunca dormia, sentiu que o sono lhe fazia descair suavemente as pálpebras. No dia seguinte ninguém morreu.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;”, p. 214&lt;span style="font-size:78%;"&gt; &lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Para Saramago, mesmo uma declaração de amor, e eram muitas, à sua companheira, admiradora ímpar do homem e do escritor, tradutora, amada, Pilar del Río, haveria de ter uma referência à morte, não por morbidez, mas para ressaltar a grandeza do seu sentimento:&lt;br /&gt;“&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Se eu tivesse morrido antes de te conhecer, Pilar, teria morrido sentindo-me muito mais velho. Aos 63 anos, a minha segunda vida começou. Não posso queixar-me. As coisas que você considera importantes não são tão importantes. Eu ganhei um Prémio Nobel. E daí?&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;” &lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;E para terminar este &lt;em&gt;post&lt;/em&gt;, um poema de Saramago, do livro &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Provavelmente Alegria&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;. 3.ed. Lisboa: Caminho, 1985. Nele, ressoa a voz do heterônimo epicurista de Pessoa, do mesmo modo como ressoava nas &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Odes&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; de Ricardo Reis:&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Na ilha por vezes habitada&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;strong&gt;Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites,&lt;br /&gt;manhãs e madrugadas em que não precisamos de morrer.&lt;br /&gt;Então sabemos tudo do que foi e será.&lt;br /&gt;O mundo aparece explicado definitivamente e entra em nós uma grande serenidade, /&lt;br /&gt;e dizem-se as palavras que a significam.&lt;br /&gt;Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas mãos.&lt;br /&gt;Com doçura.&lt;br /&gt;Aí se contém toda a verdade suportável: o contorno, a vontade e os limites.&lt;br /&gt;Podemos então dizer que somos livres, com a paz e o sorriso de quem se reconhece /&lt;br /&gt;e viajou à roda do mundo infatigável, porque mordeu a alma até aos ossos dela.&lt;br /&gt;Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres como a água, a pedra e a raiz.&lt;br /&gt;Cada um de nós é por enquanto a vida.&lt;br /&gt;Isso nos baste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6165605677969513844-1363737246595870157?l=jaymebueno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaymebueno.blogspot.com/feeds/1363737246595870157/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6165605677969513844&amp;postID=1363737246595870157' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/1363737246595870157'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/1363737246595870157'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaymebueno.blogspot.com/2010/06/morte-de-saramago.html' title='A MORTE DE SARAMAGO'/><author><name>Jayme Ferreira Bueno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13660954942300311364</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SNWjxHcpZKI/AAAAAAAAAAg/QlFFARzY2qg/S220/Imagem+170blog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/TDTuxTzu-aI/AAAAAAAAAUE/rcdieZH1Xv4/s72-c/SARAMAGO+foto' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6165605677969513844.post-5381920970194235537</id><published>2010-04-27T12:10:00.000-07:00</published><updated>2010-04-27T13:21:45.096-07:00</updated><title type='text'>UM HAIKAI TRADUZIDO</title><content type='html'>&lt;p align="left"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/S9dDDxBne4I/AAAAAAAAATk/tzU3J_ex8Vk/s1600/CEREJEIRA+Templo.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/S9dCxvkrLHI/AAAAAAAAATc/4CnBpwtUqB0/s1600/CEREJEIRA+e+o+FUJI.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 251px; DISPLAY: block; HEIGHT: 173px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5464910095188700274" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/S9dCxvkrLHI/AAAAAAAAATc/4CnBpwtUqB0/s320/CEREJEIRA+e+o+FUJI.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; Uma Cerejeira em flor e o monte Fuji.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:100%;"&gt;Para a publicação deste Haikai, houve uma troca de e-mails entre mim e minha colega Professora Cristina. Seguem trechos necessários para o entendimento da origem desta postagem:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Mensagens entre mim e a professora Cristina Yukie, colega de magistério e grande amiga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Aguardo ansioso a tradução do hai-kai de sua (avó?). E em outra hora, posso fotografar o quadro para colocar como imagem ilustrando o que fizermos a respeito do poema. Assim, você que lê ideogramas poderá apreciar a obra de arte japonesa, que é , além de literária, também visual. Aliás, a cultura chinesa já praticava a caligrafia como arte”.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;“&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;A propósito, segue o haiku traduzido de minha avó. Realmente são 5, 7 e 5 sílabas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Tomo o kabau&lt;br /&gt;tiisana koto wa&lt;br /&gt;yurusesou&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;(Tradução literal: Protejo o amigo e é possível perdoar os pequenos ressentimentos).&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Em ideogramas, escrevemos na vertical, de cima para baixo, e as linhas (versos) são contadas da direita para a esquerda.&lt;br /&gt;Sabe que admiro muitíssimo a cultura chinesa também.&lt;br /&gt;Os ideogramas (kanjis) foram trazidos de lá para o Japão. Depois é que desenvolvemos os outros dois silabários que só existem no japonês. O próprio budismo é uma grande herança. Há muitas riquezas partilhadas entre os povos e essa diversidade só traz crescimento”.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;strong&gt;O MEU AMIGO&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;br /&gt;(Harue Yokowo)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Perdoei ao amigo&lt;br /&gt;Pequenos ressentimentos&lt;br /&gt;E eu o protejo comigo.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;(Adaptação: Jayme Bueno)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Professora Cristina, gostaria de revelar o nome de sua avó, como homenagem a ela”.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;“O nome de minha avó materna é Harue Yokowo.&lt;br /&gt;Ela participava de vários grupos de poetas de haikai, em São Paulo e no Paraná.&lt;br /&gt;Foi uma mulher brilhante. Ficou viúva cedo, com quatro filhos. Minha mãe é a filha mais velha. Minha avó criou os filhos, formou-os todos, era exímia culinarista de pratos japoneses, além de poetisa como hobby.&lt;br /&gt;Tenho muito orgulho dela e de sua trajetória de vida.&lt;br /&gt;Vamos, sim, divulgar”. &lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;(Cristina Yukie Miyaki Fuchs, a neta de Harue Yokowo, é professora de Linguística da PUCPR. Fala e escreve o japonês, idioma que também ensina em cursos especiais). &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 240px; DISPLAY: block; HEIGHT: 201px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5464913188782352962" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/S9dFl0G4KkI/AAAAAAAAATs/KYNAAwzFYvY/s320/CEREJEIRA+Templo.jpg" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Um Templo entre Cerejeiras em flor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Temos, portanto, um Haicai composto por uma autêntica poetisa japonesa. Embora tenha vivido no Brasil, cultivava a arte japonesa em diferentes formas de manifestação. Para japoneses, compor um Haicai, desenhar canjis (ideogramas), preparar pratos, tudo é modo de praticar a arte milenar que os acompanha sempre.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6165605677969513844-5381920970194235537?l=jaymebueno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaymebueno.blogspot.com/feeds/5381920970194235537/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6165605677969513844&amp;postID=5381920970194235537' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/5381920970194235537'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/5381920970194235537'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaymebueno.blogspot.com/2010/04/um-haikai-traduzido.html' title='UM HAIKAI TRADUZIDO'/><author><name>Jayme Ferreira Bueno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13660954942300311364</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SNWjxHcpZKI/AAAAAAAAAAg/QlFFARzY2qg/S220/Imagem+170blog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/S9dCxvkrLHI/AAAAAAAAATc/4CnBpwtUqB0/s72-c/CEREJEIRA+e+o+FUJI.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6165605677969513844.post-4153100343195045595</id><published>2010-04-09T05:26:00.000-07:00</published><updated>2010-04-12T13:02:48.906-07:00</updated><title type='text'>SOBRE O HAICAI</title><content type='html'>Em um ensaio sobre o &lt;strong&gt;hai-kai&lt;/strong&gt;, o pensador e literato Octavio Paz escreve:&lt;br /&gt;“&lt;strong&gt;&lt;em&gt;De um ponto de vista formal, o hai-kai divide-se em duas partes. Uma, da condição geral e da situação temporal e espacial do poema (outono ou primavera, meio-dia ou entardecer, uma árvore ou uma pedra, a lua ou um rouxinol); outra, relampejante, deve conter um elemento ativo. Uma descritiva e quase enunciativa; a outra, inesperada. A percepção poética surge do choque entre ambas. A índole mesma do &lt;strong&gt;hai-kai&lt;/strong&gt; é favorável a um humor seco, nada sentimental, e aos jogos de palavras, onomatopéias e aliterações, recursos constantes de &lt;strong&gt;Bashô&lt;/strong&gt;, como também de seus continuadores, &lt;strong&gt;Buson&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;Issa&lt;/strong&gt;. Arte anti-intelectual, sempre concreta e anti-literária, o &lt;strong&gt;hai-kai&lt;/strong&gt; é uma pequena cápsula carregada de poesia capaz de fazer saltar a realidade aparente. Um poema de&lt;strong&gt; Bashô&lt;/strong&gt; - que tem resistido a todas as traduções e que dou aqui numa inepta versão - talvez esclareça o que quero dizer:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Sobre o tanque morto&lt;br /&gt;um ruído de rã&lt;br /&gt;submergindo.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;”&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse &lt;strong&gt;hai-kai&lt;/strong&gt; de &lt;strong&gt;Bashô&lt;/strong&gt;, mestre dos haicaístas japoneses, é considerado paradigma do pensamento e do modo de poetar dos nipônicos. Estudado, traduzido e adaptado por diferentes poetas, tem sido divulgado por ensaístas do mundo todo,  atraídos que foram pela beleza do poema e pela sensação do inesperado que ele nos causa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/S78iTCyTQCI/AAAAAAAAAS8/4t8hYCCvdzU/s1600/R%C3%83+Saltando.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 218px; height: 260px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/S78iTCyTQCI/AAAAAAAAAS8/4t8hYCCvdzU/s320/R%C3%83+Saltando.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5458118983957037090" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(Foto - SUELY SHIBA)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Seguem algumas traduções ou adaptações:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inicialmente, apresenta-se o mais famoso &lt;strong&gt;hai-kai&lt;/strong&gt; de &lt;strong&gt;Bashô&lt;/strong&gt;, em tradução literal da língua japonesa pelo escritor, poeta e pensador mexicano, prêmio Nobel de Literatura, Octavio Paz. Aqui, o poema aparece em versão do espanhol para o português de Olga Savary:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Sobre o tanque morto&lt;br /&gt;Um ruído de rã&lt;br /&gt;Submergindo&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seguida, publicam-se traduções ou adaptações de vários haicaístas, uns poetas famposos, outros meros curiosos, como eu próprio:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1.Tradução de Cecília Meirelles:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Velho tanque&lt;br /&gt;Uma rã mergulha&lt;br /&gt;Barulho da água&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;2.Tradução de Paulo Leminski: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Velha lagoa&lt;br /&gt;o sapo salta&lt;br /&gt;o som da água&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.Tradução de Olga Savary &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Ah, o velho lago.&lt;br /&gt;De repente a rã no ar&lt;br /&gt;e o baque na água&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4.Tradução de Décio Pignatari:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;VELHA LAGOA&lt;br /&gt;UMA RÃ MERGULHA&lt;br /&gt;UMA RÃ ÁGUÁGUA&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5.Tradução de Paulo Franchetti e Elza Dói: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;O velho tanque&lt;br /&gt;Uma rã mergulha,&lt;br /&gt;Barulho de água&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6.Tradução de Estrela Ruiz Leminski:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Chuá, chuá&lt;br /&gt;coach, coach&lt;br /&gt;tchibum!&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7.Adaptação de Jayme Bueno (eu não saberia traduzir do original):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Sobre águas paradas&lt;br /&gt;A rã paira no espaço&lt;br /&gt;as patas geladas&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8.Adaptação - Jayme Bueno (eu não saberia traduzir do original):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Suspensa no espaço&lt;br /&gt;Plástica a rã sobre as águas&lt;br /&gt;Busca o seu regaço&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6165605677969513844-4153100343195045595?l=jaymebueno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaymebueno.blogspot.com/feeds/4153100343195045595/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6165605677969513844&amp;postID=4153100343195045595' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/4153100343195045595'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/4153100343195045595'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaymebueno.blogspot.com/2010/04/em-um-ensaio-sobre-o-hai-kai-o-pensador.html' title='SOBRE O HAICAI'/><author><name>Jayme Ferreira Bueno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13660954942300311364</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SNWjxHcpZKI/AAAAAAAAAAg/QlFFARzY2qg/S220/Imagem+170blog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/S78iTCyTQCI/AAAAAAAAAS8/4t8hYCCvdzU/s72-c/R%C3%83+Saltando.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6165605677969513844.post-702449576612517122</id><published>2010-04-03T05:43:00.000-07:00</published><updated>2010-04-03T06:19:43.378-07:00</updated><title type='text'>SOBRE O HAICAI - ENSAIO DE OCTAVIO PAZ</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/S7c5jFvWZOI/AAAAAAAAAS0/ZDPFve0AnWw/s1600/LIVRO+DOS+HAI-KAIS.bmp"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 211px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5455892748581627106" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/S7c5jFvWZOI/AAAAAAAAAS0/ZDPFve0AnWw/s320/LIVRO+DOS+HAI-KAIS.bmp" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;strong&gt;Publicado por Massao Ohno/Roswitha Kempf, 1980 &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um lugar comum dizer que a primeira impressão que produz qualquer contato, ainda que o mais distraído e casual, com a cultura do Japão é a estranheza. Só que, ao contrário do que se pensa geralmente, este sentimento não provém tanto de nos sentirmos diante de um mundo di¬ferente quanto de nos darmos conta de que estamos dian¬te de um universo auto-suficiente e fechado sobre si mesmo. Organismo ao qual não falta nada, como essas plantas do deserto que segregam seu próprio alimento, o Japão vive de sua própria substância. Poucos povos criaram um estilo de vida tão inconfundível. E, no entanto, muitas das instituições japonesas são de origem estrangeira. A moral e a filosofia política de Confúcio, a mística de &lt;strong&gt;Chuang-Tseu&lt;/strong&gt;, a etiqueta e a caligrafia, a poesia de &lt;strong&gt;Po-Chu-i&lt;/strong&gt; e o &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Livro da piedade filial&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, a arquitetura, a escultura e a pintura dos &lt;strong&gt;Tang&lt;/strong&gt; e dos &lt;strong&gt;Sung&lt;/strong&gt;, modelaram os japoneses durante séculos. Graças a esta influência chinesa, o Japão conheceu também as especulações de &lt;strong&gt;Nagarjuna&lt;/strong&gt; e outros grandes metafísicos do budismo &lt;strong&gt;Mahayana&lt;/strong&gt; e as técnicas de meditação dos hindus.&lt;br /&gt;A importância e o número de elementos chineses - ou previamente passados pelo crivo da China – não impedem e até acentuam o caráter único e singular da cultura japonesa. Várias razões explicam esta aparente anomalia. Em primeiro lugar, a absorção foi muita lenta: inicia-se nos primeiros séculos da era cristã e não termina senão quando se adentra na época moderna. Em segundo lugar, não se trata de uma influência sofrida, mas sim livremente escolhida. Os chineses não levaram sua cultura ao Japão; tampouco, exceto durante as malogradas invasões mongólicas, quiseram impô-la pela força. Os próprios japoneses enviaram embaixadores e estudantes, monges e mercadores à Coréia e à China para que estudassem e comprassem livros e obras de arte ou para que contratassem artesãos, professores e filósofos. Assim, a influência exterior jamais pôs em perigo o estilo de vida nacional. E cada vez que apareceu um conflito entre o próprio e o alheio, encontrou-se uma solução feliz, como no caso do budismo, que pode conviver com o culto nativo. A admiração que os japoneses sempre professaram pela cultura chinesa, não os levou à imitação suicida nem a desnaturalizar suas próprias inclinações. A única exceção foi, e continua sendo, a escrita. Nada mais alheio à índole da língua japonesa que o sistema ideográfico dos chineses; e ainda nisto encontrou-se um método que combina a escrita fonética com a ideográfica e que talvez torne desnecessária essa reforma que é pregada por muitos estrangeiros com mais apressuramento que bom senso.&lt;br /&gt;A literatura é o exemplo mais alto da naturalidade com que os elementos próprios conseguiram triunfar sobre os modelos estranhos. A poesia, o teatro e o romance são criações realmente japonesas. Apesar da influência dos clássicos chineses, a poesia nunca perdeu, nem nos momentos de maior debilidade, essas características - brevidade, clareza do desenho, mágica condensação - que a situam, precisamente, no extremo contrário da chinesa. Pode-se dizer o mesmo do teatro e do romance. Em troca, a especulação filosófica, o pensamento puro, o poema longo e a história não parecem ser gêneros propícios ao gênio japonês.&lt;br /&gt;No início do século V é introduzida oficialmente a escrita sínica. Pouco depois, em 760, aparece a primeira antologia japonesa, o &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Manyoshu&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Coleção das dez mil folhas&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;. Trata-se de uma obra de rara perfeição, da qual estão ausentes os titubeios de uma língua que se busca.&lt;br /&gt;A poesia japonesa inicia-se com um fruto de maturidade. Para encontrar acentos mais espontâneos e populares, é preciso esperar até &lt;strong&gt;Bashô&lt;/strong&gt;. No final do século VIII a Corte Imperial se translada de &lt;strong&gt;Nara&lt;/strong&gt; para &lt;strong&gt;Heian-Kio&lt;/strong&gt; (a atual &lt;strong&gt;Kioto&lt;/strong&gt;). Como a antiga capital, a nova foi traçada conforme o modelo da dinastia chinesa então reinante. Na primeira parte desse período acentua-se a influência chinesa, mas desde o princípio do século X a arte e a literatura produzem algumas de suas obras clássicas. Trata-se de uma época de brilho excepcional, da qual temos dois documentos extraordinários: um diário e um romance. Ambos são obras de duas damas da Corte: as senhoras &lt;strong&gt;Murasaki &lt;/strong&gt;Shikubi e &lt;strong&gt;Sei-Shonagon&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Bashô e o hai-kai&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A poesia japonesa não conhece a rima nem a versificação acentual e seu recurso principal, como ocorre com a poesia francesa, é a medida silábica. Essa limitação não é uma pobreza, pois o japonês é rico em onomatopéias, aliterações e jogos de palavras que são também combinações insólitas de sons. Todo poema japonês está composto por versos de sete e cinco sílabas. A forma clássica consiste em um poema curto - &lt;strong&gt;waka&lt;/strong&gt; ou &lt;strong&gt;tanka&lt;/strong&gt; - de trinta e uma sílabas, dividido em duas estrofes: a primeira de três versos (5, 7 e 5 sílabas) e a segunda de dois (ambos de 7 síla¬bas). A própria estrutura do poema permitiu, desde o princípio, que dois poetas participassem na criação de um poema: um escrevia as três primeiras linhas e o outro as duas últimas. Logo, em lugar de um só poema, começaram a escrever séries inteiras, ligados tenuemente pelo tema da estação. Estas séries de poemas em cadeia foram chamadas &lt;strong&gt;renga&lt;/strong&gt; ou &lt;strong&gt;renku&lt;/strong&gt;. O gênero leve, cômico ou epigramático foi chamado de &lt;strong&gt;renga hai-kai&lt;/strong&gt; e o poema inicial,&lt;strong&gt; hokku&lt;/strong&gt;. &lt;strong&gt;Bashô &lt;/strong&gt;praticou com seus discípulos e amigos,dando-lhe novo sentido, a arte do &lt;strong&gt;renga hai-kai&lt;/strong&gt; ou cadeia de poemas, antecipando-se assim à profecia de &lt;strong&gt;Lautréamont&lt;/strong&gt; e a uma das tentativas do surrealismo: a criação poética coletiva.&lt;br /&gt;O poema solto, desprendido do &lt;strong&gt;renga hai-kai&lt;/strong&gt;, começou a ser chamado &lt;strong&gt;haiku&lt;/strong&gt;, palavra composta de &lt;strong&gt;hai¬kai&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;hokku&lt;/strong&gt;. Um &lt;strong&gt;haiku&lt;/strong&gt; é um poema de 17 sílabas e três versos: 5, 7 e 5. &lt;strong&gt;Bashô&lt;/strong&gt; não inventou esta forma. Tampouco a alterou. Simplesmente transformou seu sentido. Quando começou a escrever, a poesia tinha se convertido num passatempo: poema queria dizer poesia cômica, epigrama ou jogo de sociedade. &lt;strong&gt;Bashô&lt;/strong&gt; recolhe esta nova linguagem coloquial e com ela busca o mesmo que os antigos: o instante poético. O &lt;strong&gt;haiku&lt;/strong&gt; converte-se na anotação rápida, verdadeira recriação, de um momento privilegiado: exclamação poética, caligrafia, pintura e escola de meditação, tudo junto. Discípulo do monge &lt;strong&gt;Buccho&lt;/strong&gt; - e ele mesmo meio ermitão que alterna poesia com meditação - o &lt;strong&gt;haiku&lt;/strong&gt; de &lt;strong&gt;Bashô&lt;/strong&gt; é exercício espiritual. A filosofia zen-budista reaparece em sua obra como reconquista do instante. Ou melhor, como abolição do instante. E provavelmente o gênio de &lt;strong&gt;Bashô &lt;/strong&gt;esteja em ter descoberto que, apesar de sua aparente simplicidade, o &lt;strong&gt;haiku &lt;/strong&gt;(ou &lt;strong&gt;hai-kai&lt;/strong&gt;) é um organismo poético muito complexo. Sua própria brevidade obriga o poeta a significar muito dizendo o mínimo.&lt;br /&gt;De um ponto de vista formal, o &lt;strong&gt;hai-kai &lt;/strong&gt;divide-se em duas partes. Uma, da condição geral e da situação temporal e espacial do poema (outono ou primavera, meio-dia ou entardecer, uma árvore ou uma pedra, a lua ou um rouxinol); outra, relampejante, deve conter um elemento ativo. Uma descritiva e quase enunciativa; a outra, inesperada. A percepção poética surge do choque entre ambas. A índole mesma do &lt;strong&gt;hai-kai&lt;/strong&gt; é favorável a um humor seco, nada sentimental, e aos jogos de palavras, onomatopéias e aliterações, recursos constantes de &lt;strong&gt;Bashô&lt;/strong&gt;, como também de seus continuadores, &lt;strong&gt;Buson&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;Issa&lt;/strong&gt;. Arte anti-intelectual, sempre concreta e anti-literária, o &lt;strong&gt;hai-kai&lt;/strong&gt; é uma pequena cápsula carregada de poesia capaz de fazer saltar a realidade aparente. Um poema de &lt;strong&gt;Bashô &lt;/strong&gt;- que tem resistido a todas as traduções e que dou aqui numa inepta versão - talvez esclareça o que quero dizer:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Sobre o tanque morto&lt;br /&gt;um ruído de rã&lt;br /&gt;submergindo.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;Assim nos deparamos com uma quase prosaica enunciação de fatos: o tanque, o salto da rã, o ruído da água. Nada menos “poético”: palavras comuns e um fato insignificante. &lt;strong&gt;Bashô&lt;/strong&gt; nos deus simples esboços, como se nos mostrasse com o dedo duas ou três realidades desconexas que, no entanto, têm um “sentido” que cabe a nós descobrir. O leitor deve recriar o poema. Na primeira linha encontramos o elemento passivo: o tanque morto e seu silêncio. Na segunda, a surpresa do salto da rã que rompe a quietude. Do encontro destes dois elementos deve brotar a iluminação poética. E esta iluminação consiste em voltar ao silêncio do qual partiu o poema, só que agora carregado de significação. A maneira da água que se expande em círculos concêntricos, nossa consciência deve expandir-se em ondas sucessivas de associações. O pequeno &lt;strong&gt;hai-kai&lt;/strong&gt; é um mundo de ressonância, ecos e correspondências:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Trégua de vidro:&lt;br /&gt;o canto da cigarra&lt;br /&gt;perfura rochas.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;A paisagem não pode ser mais nítida. Meio-dia num lugar deserto: o sol e as pedras. A única coisa viva no ar seco é o rumor das cigarras. Há um grande silêncio. Tudo está quieto e nos coloca diante de algo que não podemos nomear. A natureza se apresenta para nós como algo concreto e, ao mesmo tempo, inaceitável, que rechaça qualquer compreensão. O canto das cigarras se funde como calar das rochas. E nós também ficamos paralisados e, literalmente, petrificados. O &lt;strong&gt;hai-kai&lt;/strong&gt; é &lt;strong&gt;satori&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;O mar já escuro:&lt;br /&gt;os gritos dos patos&lt;br /&gt;apenas brancos.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Aqui predomina a imagem visual: o branco brilha debilmente sobre o dorso escuro do mar. Porém não é a plumagem dos patos nem a crista das ondas mas, sim, os gritos dos pássaros o que, estranhamente, é branco para o poeta. Em geral,&lt;strong&gt; Bashô &lt;/strong&gt;prefere alusões mais sutis e contrastes mais velados:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Este caminho&lt;br /&gt;ninguém já o percorre,&lt;br /&gt;salvo o crepúsculo.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;O hai-kai não é somente poesia escrita - ou, mais exatamente, desenhada - mas sim poesia vivida, experiência poética recriada. Com imensa delicadeza,&lt;strong&gt; Bashô &lt;/strong&gt;não nos diz tudo: limita-se a nos entregar alguns elementos, o suficiente para acender -a chispa. É um convite à viagem, uma viagem que devemos fazer com nossas próprias pernas, como ele mesmo diz.&lt;br /&gt;Os diários de viagem são um gênero muito popular na literatura japonesa. &lt;strong&gt;Bashô&lt;/strong&gt; escreveu cinco diários de viagem, cadernos de esboços, impressões e apontamentos. Estes diários são exemplos perfeitos de um gênero em voga na época de &lt;strong&gt;Bashô&lt;/strong&gt; e do qual ele é um dos grandes mestres: o &lt;strong&gt;haibun&lt;/strong&gt;, texto em prosa que rodeia, como se fossem pequenas ilhas, os &lt;strong&gt;hai-kais&lt;/strong&gt;. Poemas e paisagens em prosa se completam e reciprocamente se iluminam. O melhor desses diários, segundo a opinião geral, é o famoso &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Oku¬no-Hoso-Michi&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Sendas de Oku&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;). Neste pequeno caderno, feito de velozes desenhos verbais e súbitas alusões - signos de inteligência que o autor troca com o leitor – a poesia se mistura à reflexão, o humor à melancolia, a anedota à contemplação. É difícil ler um livro, e mais ainda quando quase todo seu sabor perdeu-se na tradução, que não nos ofereça apoio algum e que se desenvolva, como uma sucessão de paisagens. Talvez seja preciso lê-lo como se olha o campo: sem prestar muita atenção ao princípio, percorrendo com olhar distraído a colina, as árvores, o céu e suas nuvens, as pedras... Súbito nos detemos diante de uma pedra qualquer, da qual não podemos apartar a vista e então conversamos, por um instante sem medida, com as coisas que nos rodeiam. Neste livro de &lt;strong&gt;Bashô&lt;/strong&gt; não acontece nada, salvo o sol, a chuva, as nuvens, algumas cortesãs, uma menina, outros viajantes. Não acontece nada, exceto a vida e a morte:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;É primavera:&lt;br /&gt;a colina sem nome&lt;br /&gt;por entre a névoa.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A idéia da viagem - uma viagem das nuvens desta existência em direção às nuvens da outra - está presente em toda a obra de &lt;em&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Bashô&lt;/strong&gt;.De uma forma voluntariamente anti-heróica, a poesia de&lt;strong&gt; Bashô&lt;/strong&gt; nos chama para uma aventura verdadeiramente importante: a de nos perdermos no cotidiano para encontrar o maravilhoso. Viagem imóvel, ao término da qual nos encontramos conosco mesmo: o maravilhoso é nossa verdade humana. Em três versos o poeta insinua o sentido deste encontro:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Um relâmpago&lt;br /&gt;e o grito da garça&lt;br /&gt;perdido no escuro.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;O grito do pássaro funde-se com o relâmpago e ambos desaparecem na noite. Um símbolo da morte? A poesia de &lt;strong&gt;Bashô &lt;/strong&gt;não é simbólica. A noite é a noite e nada mais. Ao mesmo tempo, é algo mais que a noite, porém um algo que, rebelde à definição, recusa-se a ser nomeado. Se o poeta o nomeasse, se evaporaria. Não é o rosto escondido da realidade; ao contrário, é seu rosto de todos os dias... e é aquilo que não está em rosto algum. O &lt;strong&gt;hai¬kai&lt;/strong&gt; é uma crítica da realidade. Em toda realidade existe algo mais do que aquilo que chamamos realidade. Simultaneamente, é uma critica da linguagem:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Admirável&lt;br /&gt;aquele que diante do relâmpago&lt;br /&gt;não diz: a vida foge.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Crítica do lugar-comum, mas também crítica à nossa pretensão de identificar o significar e o dizer. A linguagem tende a dar sentido a tudo o que vemos e uma das missões do poeta é fazer a crítica do sentido. E fazê-la com as palavras, instrumentos e veículos do sentido. Se dizemos que a vida é curta como o relâmpago, não só repetimos um lugar-comum como também atentamos contra a originalidade da vida, contra aquilo que efetivamente a faz única. A verdade original da vida é sua vivacidade e essa vivacidade é consequência de ser mortal, finita: a vida está tecida de morte. Porém, ao dizer isso, convertemos em dois conceitos, vida e morte, a vivaz e fúnebre unidade vida-morte. Há uma linguagem que diga essa unidade sem dizê-la? Há, &lt;em&gt;&lt;strong&gt;o hai-kai&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;: uma palavra que é a crítica da realidade, uma realidade que é a burla oblíqua do significado. O &lt;strong&gt;hai-kai&lt;/strong&gt; de &lt;strong&gt;Bashô &lt;/strong&gt;nos abre as portas de &lt;em&gt;&lt;strong&gt;satori&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;: sentido e falta de sentido, vida e morte, coexistem. Não é tanto a anulação dos contrários nem sua fusão como uma suspensão do ânimo. Instante da exclamação ou do sorriso: a poesia já não se distingue da vida, a realidade reabsorve a significação. A vida não é nem longa nem curta mas é como o relâmpago de &lt;strong&gt;Bashô&lt;/strong&gt;. Esse relâmpago não nos avisa de nossa mortalidade; sua mesma intensidade de luz, semelhante à intensidade verbal do poema, nos diz que o homem não é unicamente escravo do tempo e da morte, mas que, dentro de si, leva outro tempo. E a visão instantânea desse outro tempo chama-se poesia - crítica da linguagem e da realidade, crítica do tempo. A subversão do sentido produz uma reversão do tempo: o instante do &lt;strong&gt;hai-kai&lt;/strong&gt; é incomensurável. A poesia de&lt;strong&gt; Bashô&lt;/strong&gt; - esse homem frugal e pobre que escreveu já entrado em anos e que perambulou por todo o Japão dormindo em ermidas e pousada populares, esse reconcentrado que contemplava longamente uma árvore e um corvo sobre a árvore, o brilho da luz sobre uma pedra, esse poeta que depois de remendar suas roupas surradas lia os clássicos chineses, esse silencioso que falava nos caminhos com os lavradores e as prostitutas, os monges e as crianças - é algo mais que uma obra literária. E um convite para viver verdadeiramente a vida e a poesia. Duas realidades inseparáveis e que, no entanto, jamais se fundem inteiramente: o grito do pássaro e a luz do relâmpago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6165605677969513844-702449576612517122?l=jaymebueno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaymebueno.blogspot.com/feeds/702449576612517122/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6165605677969513844&amp;postID=702449576612517122' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/702449576612517122'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/702449576612517122'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaymebueno.blogspot.com/2010/04/sobre-o-haicai-ensaio-de-octavio-paz.html' title='&lt;strong&gt;SOBRE O HAICAI - ENSAIO DE OCTAVIO PAZ&lt;/strong&gt;'/><author><name>Jayme Ferreira Bueno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13660954942300311364</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SNWjxHcpZKI/AAAAAAAAAAg/QlFFARzY2qg/S220/Imagem+170blog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/S7c5jFvWZOI/AAAAAAAAAS0/ZDPFve0AnWw/s72-c/LIVRO+DOS+HAI-KAIS.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6165605677969513844.post-8294840138079844883</id><published>2009-12-19T02:09:00.000-08:00</published><updated>2009-12-19T10:17:00.631-08:00</updated><title type='text'>CRISTOVÃO TEZZA - UMA CRÔNICA: ZELIG À BRASILEIRA</title><content type='html'>&lt;p align="left"&gt;&lt;strong&gt;1. Cristovão Tezza&lt;/strong&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 141px; DISPLAY: block; HEIGHT: 231px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5416933474802508578" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SyzQS5GGoyI/AAAAAAAAASI/sGE-EvhjsdA/s320/image002.jpg" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="left"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Cristovão Tezza, o professor, o intelectual.&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 149px; DISPLAY: block; HEIGHT: 216px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5416932098250444370" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SyzPCxChDlI/AAAAAAAAASA/Q0keIsTrxaE/s320/C%C3%B3pia+de+TEZZA+-+FOTO.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Tezza, o preocupado torcedor do Clube Atlético Paranaense&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;O paranense nascido em Santa Catarina, é, hoje, um dos grandes escritores brasileiros e inclusive reconhecido no mundo, principalmente depois de ter suas obras traduzidas e publicadas em vários países da Europa. Personalidade versátil e bastante jovem, já foi um pouco de tudo na vida: ator de teatro; aluno da Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante; relojoeiro; viajante meio clandestino pela Europa depois de não poder seguir o curso de Letras em Coimbra pelo acontecimento histórico português, a Revolução dos Cravos, de 25 de abril de 1974; Professor de Língua Portuguesa na Unaiversidade Federal de Santa Catarina; depois, professor na Universidade Federal do Paraná.&lt;br /&gt;Desta última, recentemente solicitou demissão como nos conta na crônica &lt;strong&gt;Adeus às Aulas&lt;/strong&gt;:&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#000099;"&gt;Se é verdade que um bom texto é aquele capaz de transformar a vida, acabo de escrever uma obra-prima. Quem me conhece sabe que não sou de alardear minhas poucas e ralas qualidades, mas dessa vez não resisto ao impulso cabotino. Pois as cinco linhas que redigi, enxutas e precisas, atentas à força da tradição e com um toque tranquilo de modernidade, têm (modéstia à parte) essa perfeição transformadora. Em suma: pedi demissão da Universidade em que dou aulas há 24 anos. O requerimento ganhará alguns carimbos, duas ou três rubricas, rolará pelos escaninhos e em breve estarei livre co&amp;shy;&amp;shy;mo um pássaro&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;Como escritor, é ensaísta, co-autor de livros didáticos, poeta, contista, romancista. Depois dos quatro livros iniciais, começou a ser conhecido nacionalmente com o romance &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Trapo&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, de 1988. Desde então destaca-se como grande romancista, principalmente com &lt;strong&gt;&lt;em&gt;O Filho Eterno&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, de 2007. Foi com este livro que Tezza alcançou dimensão verdadeiramente internacional. A obra foi publicada em Portugal, na França, Itália, Holanda e na Espanha, em língua catalã. Em breve, o romance sairá na Austrália e na Nova Zelândia.&lt;br /&gt;É um grande colecionador de Prêmios: Prêmio Petrobrás de Literatura, 1989, com &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Aventuras Provisórias&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;; Prêmio Machado de Assis da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro (melhor romance do ano), 1998, com &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Breve Espaço entre a Cor e a Sombra&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;; Prêmio da Academia Brasileira de Letras de melhor romance do ano e o Prêmio Bravo! de melhor obra, 2004, com &lt;strong&gt;&lt;em&gt;O Fotógrafo&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;. Com o último romance &lt;strong&gt;&lt;em&gt;O Filho Eterno&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, recebeu: Prêmio da APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) de melhor obra de ficção do ano; em 2008, recebeu os prêmios Jabuti de melhor romance e o Prêmio Bravo! de melhor obra; Prêmio Portugal-Telecom de Literatura em Língua Portuguesa (1.º lugar) e Prêmio São Paulo de Literatura, melhor livro do ano; em 2009,recebeu o prêmio Zaffari &amp;amp; Bourbon, da Jornada Literária de Passo Fundo, como o melhor livro dos últimos dois anos.&lt;br /&gt;É autor de textos, principalmente crônicas, para vários periódicos: revista &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Veja&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;; jornal &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Folha de S.Paulo&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;; Caderno Ilustrado, da mesma &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Folha de S. Paulo&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;; e &lt;strong&gt;&lt;em&gt;O Estado de São Paulo&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;. Como um dos cronistas do jornal Gazeta do Povo, de Curitiba, tem publicado semanalmente crônicas fundamentais para o jornalismo e para a literatura.&lt;br /&gt;Concluindo esta breve notícia sobre o homem, o escritor e o ex - mas eterno professor - Cristovão Tezza, reproduzo o comentário da blogueira Camila Batista, também atleticana, como se confessa: "&lt;em&gt;Io sono atleticana, insegnante d'inglese, correttore di bozze e persona normale nel mio tempo libero&lt;/em&gt;": "&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#000099;"&gt;Quem foi aluno do Tezza, foi; quem não foi não será mais&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;: - 15th Dec, 2009", o que será uma grande pena! Mas, com certeza, perde-se, formalmente, um professor do ensino superior, mas, com certeza, ganha-se um escritor ainda maior e, assim, eterno professor de literatura e de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2. Uma crônica: Zelig à Brasileira&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#000099;"&gt;&lt;em&gt;Lula me lembra Zelig, o hilariante personagem do filme homônimo de Woody Allen, que vai se transformando fisicamente diante dos outros, para ficar parecido com eles. Como no “documentário” sobre Zelig, o tempo todo vemos nosso herói sorrindo com Obama na Casa Branca, falando sério em Copenhague, altissonante no Mercosul, companheiro na Bolívia, nobre em Buckingham, comunista em Cuba, católico no Vaticano e por aí vai. Segundo a tradição miscigenante da cultura brasileira, Lula, como Zelig, transforma-se camaleônico no que for preciso de modo a ficar sempre no mesmo lugar – é uma “metamorfose ambulante”, como ele mesmo se definiu. Na lógica astuta do país, tudo se rege por um senso perpétuo de amortecimento de conflitos e adequação biológica ao meio ambiente.&lt;br /&gt;Seu governo é a expressão de nada; o herói carismático vê-se carregado nos ombros da mais azeitada e obediente máquina partidária do Brasil moderno, que funde um projeto messiânico-revolucionário com a burocracia democrática colocada a seu serviço, a cada dia mais esvaziada politicamente. A única ideologia que resta é uma política externa esfarrapada que dá tapinhas nas costas de Ahmadinejad e ruge furioso contra a eleição de Honduras, que poderia, pela simples força do bom-senso, recolocá-la nos trilhos; que devolve em poucas horas à ditadura cubana dois atletas fugitivos e resiste tenazmente a extraditar para a Itália alguém condenado por crimes comuns num Estado de Direito. Fala em “pragmatismo” e perde todas as eleições em que se mete nos fóruns internacionais, enquanto ri na fotografia.&lt;br /&gt;O imenso Brasil popular que veio à tona por força do Plano Real e do otimismo econômico dos anos 90 parece ter encontrado em Zelig o seu mantra político-religioso. O que fazer com o povo brasileiro que, súbito, está nas ruas, de celular na mão direita e tacape na esquerda? Nada a estranhar nos maços de dinheiro enfiados em cuecas e bolsos do DEM e do PT, abençoados por rezas compungidas de ladrões sinceros – como Lula se apressou a dizer, são cenas “que não falam por si”. Afinal, o país de maior mobilidade social do mundo é também o único em que um deputado fraudando um painel de um Congresso Nacional vai se tornar em pouco tempo, inocente, governador do Distrito Federal.&lt;br /&gt;Nada melhorou em nenhuma área. A educação básica patina nos seus piores índices de sempre – enquanto abrem-se dezenas de universidades federais prontas a ocupar o rabagésimo lugar de relevância sob qualquer critério. A lógica que nos arrasta é a da mendicância e a do pátio dos milagres – empresários mendigos, políticos mendigos e povo mendigo, esperando de boca aberta e mão espalmada o sorriso de Silvio Santos a jogar dinheiro na plateia. Faltava um bom ator para o papel – o próprio Silvio Santos até que tentou, mas levou uma rasteira jurídica mais esperta ainda na alvorada de Collor. Agora, Lula é o cara. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#000099;"&gt;&lt;em&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;(&lt;em&gt;Gazeta do Povo,&lt;/em&gt; 15/12/09, p. 3 - &lt;a href="mailto:contato@cristovaotezza.com.br"&gt;contato@cristovaotezza.com.br&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;3. Comentário&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span &gt;Comentar é totalmente desnecessário. Aí está um retrato vivo do que vivemos. Temos um líder mundial, "o cara"!... mas quem ganha o Prêmio Nobel da Paz é outro, "the man"!... temos um defensor do meio ambiente... que exige sejam as despesas pagas pelos outros países, como se mandasse no mundo! (chega a lembrar Carlitos, em &lt;em&gt;O Grande Ditador, &lt;/em&gt;a dar piparotes em um grande balão com o &lt;em&gt;mapa-mundi&lt;/em&gt;); antes, tínhamos exames - ENC, ENEM - exemplos para o mundo em termos de avaliação educacional, hoje esses exames são fraudados, anulados, desprezados por alunos e universidades, tudo por incompetência de técnicos elevados a altos cargos por força da Carteirinha do PT.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Diz-se popularmente que "&lt;em&gt;não se deve dar o peixe, mas ensinar a pescar&lt;/em&gt;". O povo brasileiro jamais será pescador! Para quê? Recebe as mais estranhas bolsas para não ter que trabalhar, nem mandar seus filhos à escola. Estudar? Com que finalidade, se há outros critérios para ingressar em uma Universidade, que não é o da competência? E para vencer na vida?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O Silvio Santos com suas histrionices - &lt;strong&gt;histrionice&lt;/strong&gt;, no sentido original do termo - é mais correto no proceder. Distribui dinheiro claramente à frente das câmeras da sua rede de TV criada e mantida pelo tino comercial do eterno camelô que foi e que deseja continuar a ser. Sorri satisfeito pela migalha que distribui a quem vai até a um auditório em procura do pequeno óbulo. E o que dizer do governante que só repete que "não sabe de nada"?&lt;br /&gt;Parabéns, Tezza, por cumprir com sua arte a função social de formador de opinião! Abrir os olhos do povo é preciso! Viver nas trevas da ignorância não é preciso! (Homenagem a navegadores antigos e a Fernando Pessoa).&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6165605677969513844-8294840138079844883?l=jaymebueno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaymebueno.blogspot.com/feeds/8294840138079844883/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6165605677969513844&amp;postID=8294840138079844883' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/8294840138079844883'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/8294840138079844883'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaymebueno.blogspot.com/2009/12/cristovao-tezza-uma-cronica-zelig.html' title='CRISTOVÃO TEZZA - UMA CRÔNICA: ZELIG À BRASILEIRA'/><author><name>Jayme Ferreira Bueno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13660954942300311364</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SNWjxHcpZKI/AAAAAAAAAAg/QlFFARzY2qg/S220/Imagem+170blog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SyzQS5GGoyI/AAAAAAAAASI/sGE-EvhjsdA/s72-c/image002.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6165605677969513844.post-1661611621754016167</id><published>2009-12-10T07:13:00.000-08:00</published><updated>2009-12-10T07:21:30.559-08:00</updated><title type='text'>NEUZA APARECIDA RAMOS – Uma Enfermeira a Serviço da Educação</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SyER3NOZY-I/AAAAAAAAAR4/wNTfGtY4AVI/s1600-h/NEUZA+AP.+RAMOS+Foto.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5413627867216569314" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 219px; CURSOR: hand; HEIGHT: 246px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SyER3NOZY-I/AAAAAAAAAR4/wNTfGtY4AVI/s320/NEUZA+AP.+RAMOS+Foto.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;1.&lt;/span&gt; Neuza Aparecida Ramos: a trajetória de uma enfermeira&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O convívio na Universidade Católica do Paraná, mais tarde Pontifícia Universidade&lt;br /&gt;Ao longo do exercício do magistério superior, tive a oportunidade de conviver com educadores das mais diversas áreas do conhecimento. Uma educadora que sempre esteve presente na luta pelo ensino e pela formação de profissionais competentes e com consciência social foi a Enfermeira Neuza Aparecida Ramos.&lt;br /&gt;Participamos juntos ou em paralelo de diversos projetos da Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUCPR por mais de três décadas. Trabalhamos na criação de cursos; em comissões da carreira docente; em bancas examinadoras de concursos de professores; em exames seletivos de estudantes; em análises de documentos dos Conselhos Superiores da Instituição; na Pró-Reitoria de Graduação, quando ela exerceu o cargo de Pró-Reitora; enfim em atividades acadêmicas e de assessoria à Reitoria da PUCPR.&lt;br /&gt;Na Universidade Católica, ela exerceu a direção do curso de Enfermagem; a vice-direção do CCBS - Centro de Ciências Biológicas e da Saúde; Pró-Reitora; Diretora da Biblioteca, dentre outros elevados cargos universitários. Cursou o Mestrado em Educação, no qual a conheci como aluna dedicada e consciente daquela forma de aperfeiçoamento universitário e profissional. A professora Neuza sempre foi referência como pessoa, docente, profissional e gestora da Educação.&lt;br /&gt;Por essas e outras qualidades, recentemente Neuza Aparecida Ramos recebeu honroso convite de uma sua ex-aluna, Juliana Rodrigues, doutoranda em Enfermagem pela Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo – USP, para depoimento sobre a trajetória como Enfermeira. Suas declarações passaram a fazer parte de um trabalho acadêmico para o curso de doutorado em Enfermagem, na Universidade de São Paulo. O texto foi publicado com o título A trajetória de uma enfermeira: Neuza Aparecida Ramos na Revista Brasileira de Enfermagem. Brasília: maio/jun. 2009, v. 62, p. 400-6.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;2.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:130%;"&gt;A formação e o exercício da profissão&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Após a parte introdutória que normalmente aparece nas dissertações e teses e na qual se colocam tema, objetivos, metodologia e outros dados relativos a o estudo, chega-se ao depoimento. Inicialmente, faz-se um relato sobre a formação e o início da carreira como Enfermeira, cursos de aperfeiçoamento e de pós-graduação, atividades em hospitais, dentre os quais o recém-inaugurado Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná. Segue-se uma vasta lista de trabalhos desenvolvidos e o seu ingresso no magistério, primeiramente na Escola de Enfermagem Madre Leonie, estabelecimento pioneiro da Enfermagem em Curitiba e que mais tarde passou a fazer parte da PUCPR. Com a incorporação do Hospital Cajuru pela Universidade Católica, Neuza assumiu o cargo de diretora do Serviço de Enfermagem. Com bolsa do Ministério de Educação, fez curso de Administração Hospitalar na França, na École Nationale de la Santé Publique, na cidade de Rennes, região da Bretanha.&lt;br /&gt;No magistério superior na PUCPR, Neuza Aparecida Ramos trilhou toda uma trajetória de atividades e cargos, como já se expôs neste texto, sempre enfrentando e superando desafios próprios de uma carreira de sucesso.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;3.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:130%;"&gt;O futuro da profissão&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;Falando sobre o futuro da profissão, Neuza Aparecida Ramos declara:&lt;br /&gt;“Vejo um futuro promissor para a profissão. A demanda pelo curso vem aumentando, o que possibilita melhor seleção dos candidatos. E como toda profissão que cresce precisa se preocupar com a formação de seus profissionais. As escolas terão que preparar os jovens para viverem novas concepções de mundo, de sociedade, de ser humano e de humanidade. Seus currículos deverão contemplar não apenas o ensino dos fenômenos físicos, biológicos, químicos ou sociais, mas também, os políticos, filosóficos e os religiosos”.&lt;br /&gt;O amor à profissão fica claro ao longo de todo o depoimento. Afirma: “Se eu tivesse que escolher hoje uma profissão, começaria com a Enfermagem de novo”.&lt;br /&gt;Nas Considerações Finais do trabalho, a autora, Juliana Rodrigues, destaca a importância da publicação: “possibilitou-nos resgatar a história de vida de uma testemunha ocular de fatos importantes da História da Enfermagem Brasileira e do Paraná, assim como verificar a participação efetiva desta enfermeira na construção e desenvolvimento da enfermagem”.&lt;br /&gt;4.&lt;br /&gt;Para mim, que convivi e participei de muitas das atividades na PUCPR ao lado da Enfermeira Neuza Aparecida Ramos é uma satisfação este reencontro motivado por um trabalho acadêmico de uma sua ex-aluna, doutoranda na USP. Tenho a certeza que Juliana Rodrigues seguirá os passos de sucesso de sua mestra. A Enfermagem irá ganhar muito com a atuação da futura doutora em Enfermagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6165605677969513844-1661611621754016167?l=jaymebueno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaymebueno.blogspot.com/feeds/1661611621754016167/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6165605677969513844&amp;postID=1661611621754016167' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/1661611621754016167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/1661611621754016167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaymebueno.blogspot.com/2009/12/neuza-aparecida-ramos-uma-enfermeira.html' title='NEUZA APARECIDA RAMOS – Uma Enfermeira a Serviço da Educação'/><author><name>Jayme Ferreira Bueno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13660954942300311364</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SNWjxHcpZKI/AAAAAAAAAAg/QlFFARzY2qg/S220/Imagem+170blog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SyER3NOZY-I/AAAAAAAAAR4/wNTfGtY4AVI/s72-c/NEUZA+AP.+RAMOS+Foto.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6165605677969513844.post-1971505843532217536</id><published>2009-12-03T12:17:00.000-08:00</published><updated>2009-12-03T12:54:31.284-08:00</updated><title type='text'>OS CEM LIVROS ESSENCIAIS DA LITERATURA BRASILEIRA</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;1. Uma outra lista&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Retornamos a uma outra lista. Antes, foi sobre os 100 gênios da literatura universal. Esta se refere aos cem livros da literatura brasileira considerados essenciais pela revista Bravo!, edição especial de 2009. Como os próprios organizadores comentam na Carta do Editor: “É evidente que este ranking das 100 obras obrigatórias da literatura não encontrará unanimidade entre os leitores. Alguns discordarão da ordem, outros eliminariam títulos ou acrescentariam outros”. Eu não farei nenhuma dessas alterações, inclusive por considerá-la uma boa lista.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2. Eis a lista&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;1. &lt;em&gt;200 Crônicas Escolhidas&lt;/em&gt;, Rubem Braga; 2. &lt;em&gt;A Alma Encantada das Ruas&lt;/em&gt;, João do Rio; 3. &lt;em&gt;A Coleira do Cão&lt;/em&gt;, Rubem Fonseca; 4. &lt;em&gt;A Escrava Isaura&lt;/em&gt;, Bernardo Guimarães; 5. &lt;em&gt;A Estrela Sobe&lt;/em&gt;, Marques Rebelo; 6. &lt;em&gt;A Moreninha&lt;/em&gt;, Joaquim Manuel de Macedo; 7. &lt;em&gt;A Obscena Senhora D&lt;/em&gt;, Hilda Hilst; 8. &lt;em&gt;A Paixão Segundo G. H&lt;/em&gt;., Clarice Lispector; 9. &lt;em&gt;A Rosa do Povo&lt;/em&gt;, Carlos Drummond de Andrade; 10. &lt;em&gt;A Senhorita Simpson&lt;/em&gt;, Sérgio Sant'Anna; 11. &lt;em&gt;A Vida como Ela É,&lt;/em&gt; Nelson Rodrigues; 12. &lt;em&gt;As Meninas&lt;/em&gt;, Lygia Fagundes Telles; 13. &lt;em&gt;As Metamorfoses&lt;/em&gt;, Murilo Mendes, &lt;em&gt;Avalovara&lt;/em&gt;, Osman Lins; &lt;em&gt;Bagagem&lt;/em&gt;, Adélia Prado; &lt;em&gt;Baú de Ossos&lt;/em&gt;, Pedro Nava; &lt;em&gt;Brás, Bexiga e Barra Funda&lt;/em&gt;, Antônio de Alcântara Machado; &lt;em&gt;Broquéis&lt;/em&gt;, Cruz e Sousa; &lt;em&gt;Canaã&lt;/em&gt;, Graça Aranha; &lt;em&gt;Cartas Chilenas&lt;/em&gt;, Tomás Antônio Gonzaga; &lt;em&gt;O Cortiço&lt;/em&gt;, Aluísio Azevedo; &lt;em&gt;Catatau&lt;/em&gt;, Paulo Leminski; &lt;em&gt;Claro Enigma&lt;/em&gt;, Carlos Drummond de Andrade; &lt;em&gt;Contos Gauchescos&lt;/em&gt;, João Simões Lopes Neto; &lt;em&gt;Crônica da Casa Assassinada&lt;/em&gt;, Lúcio Cardoso; &lt;em&gt;Dom Casmurro&lt;/em&gt;, Machado de Assis; &lt;em&gt;Espumas Flutuantes&lt;/em&gt;, Castro Alves; &lt;em&gt;Estrela da Manhã&lt;/em&gt;, Manuel Bandeira; &lt;em&gt;Eu&lt;/em&gt;, Augusto dos Anjos; &lt;em&gt;Febeapá&lt;/em&gt;, Stanislaw Ponte Preta; &lt;em&gt;Fogo Morto&lt;/em&gt;, José Lins do Rego; &lt;em&gt;Gabriela, Cravo e Canela&lt;/em&gt;, Jorge Amado; &lt;em&gt;Galáxias&lt;/em&gt;, Haroldo de Campos; &lt;em&gt;Galvez, Imperador do Acre&lt;/em&gt;, Márcio Souza; &lt;em&gt;Grande Serão: Veredas&lt;/em&gt;, Guimarães Rosa; &lt;em&gt;Harmada&lt;/em&gt;, João Gilberto Noll; &lt;em&gt;O Homem e sua Hora&lt;/em&gt;, Mário Faustino;&lt;em&gt; I-Juca Pirama&lt;/em&gt;, Gonçalves Dias; &lt;em&gt;Inocência&lt;/em&gt;, Visconde de Taunay; &lt;em&gt;Invenção de Or&lt;/em&gt;feu, Jorge de Lima; &lt;em&gt;Juca Mulato&lt;/em&gt;, Menotti del Picchia; &lt;em&gt;Laços de Família&lt;/em&gt;, Clarice Lispector; &lt;em&gt;Lavoura Arcaica&lt;/em&gt;, Raduan Nassar; &lt;em&gt;Libertinagem&lt;/em&gt;, Manuel Bandeira; &lt;em&gt;Lira dos Vinte Anos&lt;/em&gt;, Álvares de Azevedo; &lt;em&gt;Lucíola&lt;/em&gt;, José de Alencar; &lt;em&gt;Macunaíma&lt;/em&gt;, Mário de Andrade; &lt;em&gt;Malagueta, Perus e Bacanaço&lt;/em&gt;, João Antônio; &lt;em&gt;Mar Absoluto&lt;/em&gt;, Cecília Meireles; &lt;em&gt;Marília de Dirceu&lt;/em&gt;, Tomás Antônio Gonzaga; &lt;em&gt;Memórias de um Sargento de Milícias&lt;/em&gt;, Manuel Antônio de Almeida; &lt;em&gt;Memórias Póstumas de Brás Cubas&lt;/em&gt;, Machado de Assis; &lt;em&gt;Memórias Sentimentais de João Miramar&lt;/em&gt;, Oswald de Andrade; &lt;em&gt;Morangos Mofados&lt;/em&gt;, Caio Fernando Abreu; &lt;em&gt;Morte e Vida Severina&lt;/em&gt;, João Cabral de Meio Neto; &lt;em&gt;Navalha na Carne&lt;/em&gt;, Plínio Marcos; &lt;em&gt;Noite na Taverna&lt;/em&gt;, Álvares de Azevedo; &lt;em&gt;Nova Antologia Poética&lt;/em&gt;, Mário Quintana; &lt;em&gt;Nova Antologia Poética&lt;/em&gt;, Vinicius de Moraes; &lt;em&gt;O Analista de Bagé&lt;/em&gt;, Luis Fernando Veríssimo; &lt;em&gt;O Ateneu&lt;/em&gt;, Raul Pompéia; &lt;em&gt;O Braço Direito&lt;/em&gt;, Otto Lara Resende; &lt;em&gt;O Coronel e o Lobisomem,&lt;/em&gt; José Cândido de Carvalho; &lt;em&gt;O Encontro Marcado&lt;/em&gt;, Fernando Sabino; &lt;em&gt;O Ex-Mágico&lt;/em&gt;, Murilo Rubião;&lt;em&gt; O Guarani&lt;/em&gt;, José de Alencar; &lt;em&gt;O Pagador de Promessas&lt;/em&gt;, Dias Gomes; &lt;em&gt;O Que é Isso, Companheiro&lt;/em&gt;, Fernando Gabeira; &lt;em&gt;O Quinze&lt;/em&gt;, Rachel de Queiroz; &lt;em&gt;O Tempo e o Vento&lt;/em&gt;, Érico Veríssimo; &lt;em&gt;O Tronco&lt;/em&gt;, Bernardo Elis: &lt;em&gt;O Uraguai&lt;/em&gt;, Basílio da Gama; &lt;em&gt;O Vampiro de Curitiba&lt;/em&gt;, Dalton Trevisan; &lt;em&gt;Obra Poética,&lt;/em&gt; Gregório de Matos; &lt;em&gt;Ópera dos Mortos,&lt;/em&gt; Autran Dourado; &lt;em&gt;Os Cavalinhos de Platiplanto&lt;/em&gt;, José J. Veiga; &lt;em&gt;Os Escravos,&lt;/em&gt; Castro Alves; &lt;em&gt;Os Ratos&lt;/em&gt;, Dyonélio Machado; &lt;em&gt;Os Sertões&lt;/em&gt;, Euclides da Cunha; &lt;em&gt;Paulicéia Desvairada&lt;/em&gt;, Mário de Andrade; &lt;em&gt;Poema Sujo&lt;/em&gt;, Ferreira Gullar; &lt;em&gt;Poesias&lt;/em&gt;, Olavo Bilac; &lt;em&gt;Quarup&lt;/em&gt;, Antonio Callado; &lt;em&gt;Romance da Pedra do Reino&lt;/em&gt;, Ariano Suassuna; &lt;em&gt;Romanceiro da Inconfidência&lt;/em&gt;, Cecília Meireles, &lt;em&gt;Sagarana&lt;/em&gt;, Guimarães Rosa; &lt;em&gt;São Bernardo&lt;/em&gt;, Graciliano Ramos; &lt;em&gt;Seminário dos Ratos&lt;/em&gt;, Lygia Fagundes Telles; &lt;em&gt;Serafim Ponte Grande&lt;/em&gt;, Oswald de Andrade; &lt;em&gt;Sermões&lt;/em&gt;, Padre Vieira; &lt;em&gt;Terras do Sem Fim&lt;/em&gt;, Jorge Amado; &lt;em&gt;Tremor de Terra&lt;/em&gt;, Luiz Vilela; &lt;em&gt;Triste Fim de Policarpo Quaresma&lt;/em&gt;, Lima Barreto; &lt;em&gt;Um Copo de Cólera&lt;/em&gt;, Raduan Nassar; &lt;em&gt;O Picapau Amarelo&lt;/em&gt;, Monteiro Lobato; &lt;em&gt;Vestido de Noiva&lt;/em&gt;, Nelson Rodrigues; &lt;em&gt;Vidas Secas&lt;/em&gt;, Graciliano Ramos; &lt;em&gt;Viva o Povo Brasileiro&lt;/em&gt;, João Ubaldo Ribeiro; &lt;em&gt;Viva Vaia&lt;/em&gt;, Augusto de Campos; &lt;em&gt;Zero&lt;/em&gt;, Ignácio de Loyola Brandão.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3. Comentário&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Como se pode observar, trata-se de uma lista bastante criteriosa. Percorre a literatura brasileira, desde o seu início, lá no Barroco, com Gregório de Matos; passa pelo Arcadismo com Tomás Antônio Gonzaga e Basílio da Gama; chega ao Romantismo, inclusive com o romance que inaugura esse estilo no Brasil, &lt;em&gt;A Moreninha;&lt;/em&gt; segue pelo Realismo/Parnasianismo com Aluísio Azevedo e Olavo Bilac, além de outros; continua pelo Simbolismo com Cruz e Sousa; pela porta do Pré-Modernismo, com &lt;em&gt;Canaã&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Os Sertões&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Juca Mulato&lt;/em&gt;, ingressa no Modernismo, inicialmente com as obras famosas da Semana de Arte Moderna e continua com inúmeros outros; finalmente, chega à atualidade, e aqui são inúmeros os poetas e escritores. Há autores de diferentes tendências e gêneros, inclusive humoristas, como Veríssimo, e de literatura infanto-juvenil, como Monteiro Lobato.&lt;br /&gt;Assim, torna-se difícil não aceitar a lista como ela é. O que se pode fazer, e é isso que apresentarei a seguir, é um extrato dessa lista com aqueles autores de nossa preferência. Desse modo, aventuro-me a apresentar uma seleção segundo o meu gosto e com algum critério muito pessoal, como, por exemplo, o momento da leitura de determinada obra.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;4. Um extrato da lista com as obras de minha preferência&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Apenas, irei destacar 20 obras de que gosto. Não digo que goste mais das que selecionei, porque inclusive gosto de todas as que eu li. Inicialmente, pensei ressaltar somente 10 delas, mas não resisti a omitir tantas obras em lista tão restrita. Ficariam obras que me tocaram muito quando as li. Não quero com isso dizer que essas sejam melhores que outras, mas apenas que me vêem à lembrança sempre que penso em literatura brasileira. É lógico que muitas outras também me tocam a sensibilidade, mas, ou por não constarem da lista, ou por falta de espaço, fico com estas vinte.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;4. Segue a minha lista com 20 obras&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;1. &lt;em&gt;Bagagem&lt;/em&gt;, Adélia Prado; 2. &lt;em&gt;Claro Enigma&lt;/em&gt;, Drummond; 3. &lt;em&gt;Dom Casmurro&lt;/em&gt;, Machado de Assis; 4. &lt;em&gt;Espumas Flutuantes&lt;/em&gt;, Castro Alves; 5. &lt;em&gt;Estrela da Manhã&lt;/em&gt;, Manuel Bandeira; 6. &lt;em&gt;I-Juca Pirama&lt;/em&gt;, Gonçalves Dias; 7. &lt;em&gt;Juca Mulato&lt;/em&gt;, Menotti Del Picchia; 8. &lt;em&gt;Lira dos Vinte Anos&lt;/em&gt;, Álvares de Azevedo; 9. &lt;em&gt;Mar Absoluto&lt;/em&gt;, Cecília Meireles; 10. &lt;em&gt;O Coronel e o Lobisomem&lt;/em&gt;, José Cândido de Carvalho; 11. &lt;em&gt;O Quinze&lt;/em&gt;, Rachel de Queiroz; 12. &lt;em&gt;O Uraguai&lt;/em&gt;, Basílio da Gama; 13. &lt;em&gt;O Vampiro de Curitiba&lt;/em&gt;, Dalton Trevisan; 14. &lt;em&gt;Obra Poética&lt;/em&gt;, Gregório de Matos; 15. &lt;em&gt;Ópera dos Mortos&lt;/em&gt;, Autran Dourado; 16. &lt;em&gt;Os Sertões&lt;/em&gt;, Euclides da Cunha; 17. &lt;em&gt;Poesias&lt;/em&gt;, Olavo Bilac; 18. &lt;em&gt;Sagarana&lt;/em&gt;, Guimarães Rosa; 19. &lt;em&gt;São Bernardo&lt;/em&gt;, Graciliano Ramos; 20. &lt;em&gt;Sermões&lt;/em&gt;, Padre Vieira.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;5. Comentário à minha lista&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Como disse, essa lista foi ditada pelo critério do meu próprio gosto e, portanto, trata-se de algo bastante subjetivo. É bom, porém, frisar que há uma “estética ou padrão do gosto”. O problema é que para isso se exige o denominado “bom gosto”, que nenhum teórico, até agora, foi capaz de definir ou estabelecer qual seja. Há, portanto, que confiar no nosso &lt;em&gt;quantum&lt;/em&gt; de bom gosto. Para a estética medieval, era belo: “&lt;em&gt;aquilo cuja apreensão agrada&lt;/em&gt;” (&lt;em&gt;id cujus ipsa apprehensio placet&lt;/em&gt;). Harold Osborne, em &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Estética e Teoria da Arte&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, no capítulo Estética Inglesa do Século XVIII, ao tratar de O Padrão do Gosto, afirma: “&lt;em&gt;Foi o conflito entre a crença num padrão universal de gosto e o reconhecimento de que o sentimento e a emoção são essenciais à apreciação estética que preparou o palco para o sistema lógico de Kant, a primeira filosofia sistemática dos problemas lógicos nela envolvidos&lt;/em&gt;” (p. 154).&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Algumas observações sobre o motivo da escolha são necessárias:&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;1ª – &lt;em&gt;Bagagem&lt;/em&gt;, uma obra poética que surpreendeu a nova literatura, ela e a sua autora, pela forma que retoma e reescreve determinados temas de poetas consagrados, como o próprio poema que dá título à obra;&lt;br /&gt;2ª – &lt;em&gt;Claro Enigma&lt;/em&gt; e seu autor se explicam por si sós, ambos consagrados pela crítica nacional e internacional;&lt;br /&gt;3ª – De Machado poderia ser qualquer das duas, preferi, porém, &lt;em&gt;Dom Casmurro&lt;/em&gt; pela criação do perfil de Capitu e pela eterna ambiguidade da obra;&lt;br /&gt;4ª – O mesmo poderia se dizer de Castro Alves, tanto poderia constar com uma ou outra das obras listadas, mas &lt;em&gt;Espumas Flutuantes&lt;/em&gt; se justifica pelo seu lirismo-amoroso e por ser menos discursiva de que &lt;em&gt;Os Escravos;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;5ª – Assim, pelo mesmo critério do puro lirismo, seguiria com &lt;em&gt;Estrela da Manhã&lt;/em&gt;, de Bandeira;&lt;br /&gt;6ª – &lt;em&gt;I-Juca Pirama&lt;/em&gt;, de Gonçalves Dias, pelo que representa de um legítimo indianismo na literatura brasileira;&lt;br /&gt;7ª – &lt;em&gt;Juca Mulato&lt;/em&gt;, de Del Picchia, pela consagração do amor impossível de um simples subalterno por alguém de uma outra classe social e, inclusive, de outra raça;&lt;br /&gt;8ª – &lt;em&gt;Lira dos Vinte Anos&lt;/em&gt; é a representante legítima do byronismo no Romantismo brasileiro;&lt;br /&gt;9ª – &lt;em&gt;Mar Absoluto&lt;/em&gt; e Cecília não poderiam estar ausentes. É o nosso lirismo ao estilo de Portugal;&lt;br /&gt;10ª – &lt;em&gt;O Coronel e o Lobisomem&lt;/em&gt;, um livro hoje esquecido, espécie de romance picaresco, é marco de um tipo de estilo, jocoso e irônico na nova narrativa brasileira;&lt;br /&gt;11ª – &lt;em&gt;O Quinze&lt;/em&gt;, obra de estréia da grande Rachel de Queiroz, um dos romances inaugurados e talvez o melhor Regionalismo do Nordeste dos anos 30;&lt;br /&gt;12ª – &lt;em&gt;O Uraguai&lt;/em&gt; representa o espírito árcade nesta lista. Poderia ser também &lt;em&gt;Marília de Dirceu&lt;/em&gt;, mas ficaria faltando um representante do épico;&lt;br /&gt;13ª – Dalton, com &lt;em&gt;O Vampiro de Curitiba&lt;/em&gt; ou com outra obra, não pode ficar fora de qualquer lista da literatura brasileira;&lt;br /&gt;14ª – Gregório de Matos e sua &lt;em&gt;Obra Poética&lt;/em&gt; também não podem ficar fora, pelo lirismo barroco do poeta baiano;&lt;br /&gt;15ª – &lt;em&gt;Ópera dos Mortos&lt;/em&gt;, como O coronel e o Lobisomem, é obra renovadora da narrativa brasileira;&lt;br /&gt;16ª – &lt;em&gt;Os Sertões&lt;/em&gt; representa aqui o Pré-Modernismo, um painel grandioso de uma terra inóspita e guerreira;&lt;br /&gt;17ª – A poesia parnasiana não poderia ficar de fora e assim comparece com a &lt;em&gt;Obra Poética&lt;/em&gt;, do visionário, mas engajado Bilac;&lt;br /&gt;18ª – Por que &lt;em&gt;Sagarana&lt;/em&gt; e não &lt;em&gt;Grande Sertão: Veredas&lt;/em&gt;? Talvez por ser um grande livro mesmo com histórias curtas;&lt;br /&gt;19ª – &lt;em&gt;São Bernardo&lt;/em&gt;, para mim, é superior ao elogiadíssimo Vidas Secas, duas grandes obras de um grande prosador;&lt;br /&gt;20ª – &lt;em&gt;Os Sermões&lt;/em&gt; e o Padre Vieira serão eternos tanto na literatura brasileira como na portuguesa.&lt;br /&gt;Dez ausências notáveis de autores também notáveis:&lt;br /&gt;a) Andrade, Mario e Oswald, dois vultos da Semana de Arte, lídimos representantes do início do Modernismo brasileiro, acabaram cedendo espaço a outros autores dessa época, como Bandeira e Del Picchia;&lt;br /&gt;b) Clarice Lispector: a obra de minha preferência é outra, Perto do Coração Selvagem, e não a listada;&lt;br /&gt;c) Cruz e Sousa: preferir &lt;em&gt;Os Últimos Sonetos&lt;/em&gt; não justifica a ausência do grande simbolista. Faltou espaço;&lt;br /&gt;d) João Cabral de Melo Neto: prefiro a obra poética propriamente dita e não a mista poesia/teatro;&lt;br /&gt;e) João Ubaldo Ribeiro: com certeza foi a ausência na lista principal do picaresco &lt;em&gt;Sargento Getúlio&lt;/em&gt;, muito próxima de &lt;em&gt;O Coronel e o Lobisomem&lt;/em&gt;;&lt;br /&gt;f) Jorge Amado: grande contador de histórias, idolatrado em Portugal, ficou sem o seulugar nesta lista; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;g) José de Alencar: no indianismo prefiro&lt;em&gt; Iracema&lt;/em&gt; a &lt;em&gt;O Guarani&lt;/em&gt;; e no romance social, &lt;em&gt;Senhora &lt;/em&gt;a &lt;em&gt;Lucíola&lt;/em&gt;;&lt;br /&gt;h) Luiz Vilela: de longe que &lt;em&gt;No Bar&lt;/em&gt; é superior a &lt;em&gt;Tremor de Terra&lt;/em&gt;, a obra listada;&lt;br /&gt;i) Lima Barreto: grande escritor, famoso por grandes obras, como &lt;em&gt;Triste Fim de Policarpo Quaresma&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;O Homem que Sabia Javanês&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Recordações do Escrivão Isaías Caminha&lt;/em&gt;, e outros. Faltou espaço;&lt;br /&gt;j) Veríssimo, pai e filho: é pena que nenhum participe da minha lista, nem o grande romancista regionalista do Sul, nem o filho, criador de um tipo de humor inteligente, sutil.&lt;br /&gt;Para concluir, sei da limitação de qualquer lista, como já afirmei e reafirmei, mas sei que fiquei devendo. E muito! &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Para reparar tanta injustiça, deixo aqui a simples transcrição de um texto de Veríssimo, e que o dedico aos leitores, em especial às leitoras:&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;MULHERES&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Certo dia parei para observar as mulheres e só pude concluir uma coisa: elas não são humanas. São espiãs. Espiãs de Deus, disfarçadas entre nós. Pare para refletir sobre o sexto-sentido.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Alguém duvida de que ele exista?&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;E como explicar que ela saiba exatamente qual mulher, entre as presentes, em uma reunião, seja aquela que dá em cima de você?&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;E quando ela antecipa que alguém tem algo contra você, que alguém está ficando doente ou que você quer terminar o relacionamento?&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;E quando ela diz que vai fazer frio e manda você levar um casaco? Rio de Janeiro, 40 graus, você vai pegar um avião pra São Paulo. Só meia-hora de vôo. Ela fala pra você levar um casaco, porque "vai fazer frio". Você não leva. O que acontece?&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;O avião fica preso no tráfego, em terra, por quase duas horas, depois que você já entrou, antes de decolar. O ar condicionado chega a pingar gelo de tanto frio que faz lá dentro!&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;"Leve um sapato extra na mala, querido. Vai que você pisa numa poça...&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;"Se você não levar o "sapato extra", meu amigo, leve dinheiro extra para comprar outro. Pois o seu estará, sem dúvida, molhado... O sexto-sentido não faz sentido!&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;É a comunicação direta com Deus!&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Assim é muito fácil... As mulheres são mães!&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;E preparam, literalmente, gente dentro de si. Será que Deus confiaria tamanha responsabilidade a um reles mortal?&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;E não satisfeitas em ensinar a vida elas insistem em ensinar a vivê-la, de forma íntegra, oferecendo amor incondicional e disponibilidade integral. Fala-se em "praga de mãe", "amor de mãe", "coração de mãe"...&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Tudo isso é meio mágico...&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Talvez Ele tenha instalado o dispositivo ‘coração de mãe’ nos "anjos da guarda" de Seus filhos (que, aliás, foram criados à Sua imagem e semelhança).&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;As mulheres choram. Ou vazam? Ou extravazam?&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Homens também choram, mas é um choro diferente. As lágrimas das mulheres têm um não sei quê que não quer chorar, um não sei quê de fragilidade, um não sei quê de amor, um não sei quê de tempero divino, que tem um efeito devastador sobre os homens... É choro feminino. É choro de mulher... Já viram como as mulheres conversam com os olhos?&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Elas conseguem pedir uma à outra para mudar de assunto com apenas um olhar.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Elas fazem um comentário sarcástico com outro olhar.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;E apontam uma terceira pessoa com outro olhar.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Quantos tipos de olhar existem?&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Elas conhecem todos... &lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Parece&lt;/span&gt; que freqüentam escolas diferentes das que freqüentam os homens! E é com um desses milhões de olhares que elas enfeitiçam os homens. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;EN-FEI-TI-ÇAM!&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;E tem mais! No tocante às profissões, por que se concentram nas áreas de Humanas?&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Para estudar os homens, é claro!&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Embora algumas disfarcem e estudem Exatas... Nem mesmo Freud se arriscou a adentrar nessa seara. Ele, que estudou, como poucos, o comportamento humano, disse que a mulher era "um continente obscuro".&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Quer evidência maior do que essa?&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Qualquer um que ama se aproxima de Deus. E com as mulheres também é assim. O amor as leva para perto dEle, já que Ele é o próprio amor. Por isso dizem “estar nas nuvens”, quando apaixonadas. É sabido que as mulheres confundem sexo e amor. E isso seria uma falha, se não obrigasse os homens a uma atitude mais sensível e respeitosa com a própria vida.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Pena que eles nunca verão as mulheres-anjos que têm ao lado.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Com todo esse amor de mãe, esposa e amiga, elas ainda são mulheres a maior parte do tempo.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Mas elas são anjos depois do sexo-amor.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;É nessa hora que elas se sentem o próprio amor encarnado e voltam a ser anjos.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;E levitam.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Algumas até voam.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Mas os homens não sabem disso.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;E nem poderiam.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Porque são tomados por um encantamento que os faz dormir nessa hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6165605677969513844-1971505843532217536?l=jaymebueno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaymebueno.blogspot.com/feeds/1971505843532217536/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6165605677969513844&amp;postID=1971505843532217536' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/1971505843532217536'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/1971505843532217536'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaymebueno.blogspot.com/2009/12/os-cem-livros-essenciais-da-literatura.html' title='OS CEM LIVROS ESSENCIAIS DA LITERATURA BRASILEIRA'/><author><name>Jayme Ferreira Bueno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13660954942300311364</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SNWjxHcpZKI/AAAAAAAAAAg/QlFFARzY2qg/S220/Imagem+170blog.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6165605677969513844.post-3740143211653924227</id><published>2009-11-13T12:45:00.000-08:00</published><updated>2009-11-14T05:27:27.581-08:00</updated><title type='text'>GÊNIO E GÊNIOS – UM ESTUDO MAGISTRAL DE HAROLD BLOOM</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/Sv3PCnecqfI/AAAAAAAAARw/f2VruJJQ4kU/s1600-h/HAROLD+BLOMM+Foto3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5403702771777841650" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 213px; CURSOR: hand; HEIGHT: 199px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/Sv3PCnecqfI/AAAAAAAAARw/f2VruJJQ4kU/s320/HAROLD+BLOMM+Foto3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O gênio Harold Bloom, professor universitário, teórico e crítico literário (New York, 1930.)&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;I - A OBRA&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Um livro decididamente de peso nos dois sentidos é &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Gênio&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;: &lt;strong&gt;os 100 autores mais criativos da História da Literatura&lt;/strong&gt;, de Harold Bloom, publicado em 2002, pela Objetiva. Em mais de 800 páginas o autor enumera, segundo ele, os mais importantes escritores e poetas da Literatura Universal. Seria difícil tentar transcrever apenas alguns nomes, porque realmente todos são bem conhecidos e merecidamente famosos. A única solução é listá-los todos por blocos de &lt;strong&gt;Lustros&lt;/strong&gt;, como fez o autor.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;(&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Observação, aqui, como explica Bloom, &lt;strong&gt;Lustro&lt;/strong&gt;, não significa apenas espaço de cinco anos. Como na obra cada conjunto de dez se encontra regido por um &lt;strong&gt;&lt;em&gt;sefirah&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, o &lt;strong&gt;Lustro&lt;/strong&gt;, ou seja a metade desse espaço, também está regido por esse mesmo &lt;strong&gt;&lt;em&gt;safirah&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;). Portanto, são dez os &lt;strong&gt;&lt;em&gt;safirat&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, mas vinte os &lt;strong&gt;Lustros&lt;/strong&gt;. Para cada dois &lt;strong&gt;Lustros&lt;/strong&gt; de um mesmo conjunto de dez há um mesmo &lt;strong&gt;&lt;em&gt;safirah&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;Um &lt;strong&gt;&lt;em&gt;sefirah&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; faz parte do conjunto dos &lt;strong&gt;&lt;em&gt;sefirot&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;. Estes, por sua vez, segundo Bloom “&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;em&gt;constituem o centro da Cabala, pois pretendem representar a interioridade de Deus, os segredos do caráter e da personalidade divina. São atributos do gênio de Deus, em todos os sentidos em que o termo “gênio” é empregado neste livro&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;”.&lt;br /&gt;O livro é todo ele cabalístico. Assim, o próprio autor define &lt;strong&gt;Lustro&lt;/strong&gt;, que na Cabala possui um sentido especial: “&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Lustros, nesse sentido, refere-se ao brilho decorrente da luz refletida, o lustre, o esplendor de um gênio refletido em outro...&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;”&lt;/span&gt; (p. 19).&lt;br /&gt;Aqui seguem os 20 &lt;strong&gt;Lustros&lt;/strong&gt; com seus correspondentes &lt;strong&gt;&lt;em&gt;sefirah&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; e os literatos neles incluídos (cinco por Lustro):&lt;br /&gt;Lustro I: &lt;em&gt;Keter&lt;/em&gt; - Shakespeare, Cervantes, Montaigne, Milton, Tolstói.&lt;br /&gt;Lustro II: &lt;em&gt;idem&lt;/em&gt; - Lucrécio, Virgílio, Santo Agostinho, Dante, Chaucer.&lt;br /&gt;Lustro III: &lt;em&gt;Hokmah&lt;/em&gt; - O Javista, Sócrates, Platão, São Paulo, Maomé.&lt;br /&gt;Lustro IV: &lt;em&gt;idem&lt;/em&gt; - Samuel Johnson, James Boswell, Goethe, Freud, Thomas Mann.&lt;br /&gt;Lustro V: &lt;em&gt;Binah&lt;/em&gt; -Nierzsche, Kierkegaard, Kafka, Proust, Samuel Beckett.&lt;br /&gt;Lustro VI: &lt;em&gt;idem&lt;/em&gt; - Molière, Ibsen, Tchekhov, Oscar Wilde, Pirandello.&lt;br /&gt;Lustro VII: &lt;em&gt;Hesed&lt;/em&gt; - John Donne, Pope, Jonathan Swift, Jane Austen, Lady Murasaki.&lt;br /&gt;Lustro VIII: &lt;em&gt;idem&lt;/em&gt; - Nathaniel Hawthorne, Melville, Charlotte Brame, Emily Jane Brame, Virginia Wolf.&lt;br /&gt;Lustro IX: &lt;em&gt;Din&lt;/em&gt; - Emerson, Emily Dickinson, Robert Frast, Wallace Stevens, T. S. Eliot.&lt;br /&gt;Lustro X: &lt;em&gt;idem&lt;/em&gt; - Wordsworth, Shelley, Keats, Leopardi, Tennyson.&lt;br /&gt;Lustro XI: &lt;em&gt;Tiferet&lt;/em&gt; - Swinburne, Gabriel Rossetti, Christina Rossetti, Walter Pater, Hofmannsthal.&lt;br /&gt;Lustro XII: &lt;em&gt;idem&lt;/em&gt; - Victor Hugo, Gérard de Nerval, Baudelaire, Rimbaud, Paul Valéry.&lt;br /&gt;Lustro XIII: &lt;em&gt;Nezat&lt;/em&gt; - Homero, Camões, James Joyce, Carpentier, Octavio Paz.&lt;br /&gt;Lustro XIV: &lt;em&gt;idem&lt;/em&gt; - Stendhal, Mark Twain, Faulkner, Hemingway, Flannery O'Connor.&lt;br /&gt;Lustro XV: &lt;em&gt;Hod&lt;/em&gt; - Walt Whitman, Fernando Pessoa, Hart Crane, García Lorca, Luis Cernuda.&lt;br /&gt;Lustro XVI: &lt;em&gt;idem&lt;/em&gt; - Eliot, Willa Cather, Edith Wharton, F. Scott Fitzgerald, Iris Murdoch.&lt;br /&gt;Lustro XVII: &lt;em&gt;Yesod&lt;/em&gt; - Flaubert, Eça de Queirós, Machado de Assis, Borges, Italo Calvino.&lt;br /&gt;Lustro XVIII: &lt;em&gt;idem&lt;/em&gt; - William Blake, D. H. Lawrence, Tennessee Williams, Rilke, Eugenio Montale.&lt;br /&gt;Lustro XIX: &lt;em&gt;Malkhut&lt;/em&gt; - Balzac, Lewis Carroll, Henry James, Robert Browl, Yeats.&lt;br /&gt;Lustro XX: &lt;em&gt;idem&lt;/em&gt; - Dickens, Dostoievski, Isaac Babei, Paul Celan; Ellison.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;II - COMENTÁRIOS:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1. A listas e listas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Poder-se-ia perguntar por que esses e não outros os literatos listados? Porém, temos de reconhecer que nenhuma lista com o número que fosse de autores iria contentar a todos. Esta parece incluir uma boa e criteriosa seleção, própria do nome do livro e do próprio autor, que é também um gênio. Saudado pelos grandes periódicos, Harold Bloom é: “Um gigante entre os críticos... Seu entusiasmo pela literatura é contagiante” (&lt;em&gt;New York Times Sunday Magazine&lt;/em&gt;); “Um mestre do entretenimento” (&lt;em&gt;Newsweek&lt;/em&gt;); “Bloom é simplesmente um sacerdote da grandeza humana” (&lt;em&gt;The Iris Time&lt;/em&gt;).&lt;br /&gt;Felizmente, nesta seleção de autores, a Literatura Brasileira conta com um representante, e, merecidamente, ele é Machado de Assis. Não poderia aí estar também um poeta, como, por exemplo, Carlos Drummond de Andrade? A nossa coirmã Literatura Portuguesa foi um pouco mais bem aquinhoada (3 nomes): Camões, Fernando Pessoa, Eça de Queirós. E por onde andará Padre Vieira, que não aparece nem na Portuguesa, nem na Brasileira?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2. O grupo do nosso representante&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Já que contamos com Machado de Assis incluído no &lt;strong&gt;Lustro XVII&lt;/strong&gt;, regido pelo &lt;strong&gt;&lt;em&gt;sefirah&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Yesod&lt;/em&gt;, vamos nos fixar neste grupo e especialmente no autor brasileiro. O nosso representante está ao lado do francês Flaubert, do português Eça de Queirós, do argentino descendente de portugueses e ingleses Borges, e do cubano-italiano Italo Calvino. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Os três primeiros são fundamentalmente romancistas e contistas; o quarto, é mais especificamente contista e filósofo; e o último, além de ficcionista, também é filósofo e crítico literário.&lt;br /&gt;Por estilo de época, Flaubert foi o único verdadeiramente representante do Realismo. Eça de Queiros, embora também realista, é bastante influenciado inicialmente pelo Romantismo e depois pelo Impressionismo. Machado de Assis é um escritor que, embora classificado de realista, pouco tem desse movimento e está acima de qualquer classificação literária. Por isso, tem sido considerado um verdadeiro precursor de determinado tipo de Modernismo e mesmo de Pós-Modernismo, aqueles da introspecção, do psicologismo, do Existencialismo e, portanto, anunciador e muito próximo de autores muito recentes, como o português Virgílio Ferreira e a brasileira Clarice Lispector. Borges, por outro lado, pertence ao que se convencionou chamar de Realismo Mágico, Realismo Fantástico, ou, ainda, Realismo Maravilhoso, frequente em grande parte da literatura hispano-americana do séc. XX. Finalmente, temos Italo Calvino, fiel discípulo de Borges e de suas idéias, e também ele um seguidor do Realismo Fantástico e que segue rumo a uma literatura do absurdo.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3. O nosso representante Machado de Assis&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Machado de Assis, como os outros do &lt;strong&gt;Lustro XVII&lt;/strong&gt;, está sob o signo de &lt;em&gt;Yesod&lt;/em&gt;, o &lt;em&gt;&lt;strong&gt;safirah&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; que, em tradução livre, segundo o autor, significa “fundação” e encerra dois significados afins: “&lt;em&gt;o impulso sexual masculino e o mistério do equilíbrio entre o feminino e o masculino, nos processos naturais&lt;/em&gt;”. É também “&lt;em&gt;a base da vida apaixonada&lt;/em&gt;”. De modo geral, neste &lt;strong&gt;Lustro XVII&lt;/strong&gt; estão autores marcados pela ironia. Na outra metade, que corresponde ao &lt;strong&gt;Lustro XVIII&lt;/strong&gt;, encontram-se autores que Bloom chama de visionários (William Blake, D. H. Lawrence, Tennessee Williams, Rilke e Eugenio Montale). Estes, porém, não serão tratados aqui.&lt;br /&gt;Da obra de Machado de Assis, depois de transcrever textos de &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Memórias Póstumas de Brás Cubas&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, disse Bloom: “&lt;em&gt;O verdadeiro tema de Machado de Assis é a nossa mortalidade, o que não constitui assunto para descaso e gracejo; no caso de Memórias Póstumas de Brás Cubas, o tema enseja uma perspectiva, ao mesmo tempo, distanciada e hilária&lt;/em&gt;”.&lt;br /&gt;Sobre o escritor Machado de Assis, assim se referiu o crítico Bloom: “&lt;em&gt;O gênio da ironia propiciou-nos poucos exemplos à altura do escritor afro-brasileiro Machado de Assis, a meu ver o maior literato negro surgido até o presente&lt;/em&gt;”. E para concluir o seu parecer, brinca, como brincaria o próprio autor de &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Memórias Póstumas&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;: “&lt;em&gt;Machado de Assis teria desprezado a minha observação, como mais uma piada digna de Tristram Shandy&lt;/em&gt;”.&lt;br /&gt;Tristram Shandy é a personagem principal da obra homônima, de autoria do irlandês Laurence Sterne (1713-1768). Uma das características da personagem Shandy e da própria obra é a transcrição de documentos. Com isso, busca que o seu texto se pareça mais verdadeiro do que ficcional. Essa técnica mais tarde foi bastante empregada na ficção. Esse forma de indicação de fontes às vezes é feita de modo sério e outras vezes como se fosse uma brincadeira.&lt;br /&gt;Sterne, citado por Machado de Assis, emprega uma linguagem constantemente carregada de ironia. Influenciado pelo modo de narrar do escritor irlandês e de um outro, o autor sardo de &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Viagem à Roda do meu Quarto&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, Machado de Assis os cita no início de &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Memórias Póstumas de Brás Cubas: &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;“T&lt;em&gt;rata-se, na verdade, de uma obra difusa, na qual eu, Brás Cubas, se adotei a forma livre de um Sterne ou de um Xavier de Maistre, não sei se lhe meti algumas rabugens de pessimismo. Pode ser. Escrevi-a com a pena da galhofa e a tinta da melancolia, e não é difícil antever o que poderá sair desse conúbio&lt;/em&gt;”.&lt;br /&gt;Paulo Sérgio Rouanet no estudo “Tempo e Espaço na Forma Shandiana: Sterne e Machado de Assis”, sobre “forma shandiana”, afirma: “&lt;em&gt;Ela designa uma atitude entre libertina e sentimental, um sensualismo risonho, um humor afável e tolerante, capaz de perdoar transgressões próprias e alheias, mas também de zombar, sem excessiva malícia, dos grandes e pequenos ridículos do mundo&lt;/em&gt;”. Continua Rouanet: “&lt;em&gt;É uma forma caracterizada 1. pela presença constante e caprichosa do narrador, ilustrada enfaticamente pelo pronome de primeira pessoa: "Eu, Brás Cubas ; 2. por uma técnica de composição difusa e livre, isto é, digressiva, fragmentária, não-discursiva; 3. pela interpenetração do riso e da melancolia; e 4. pela subjetivação radical do tempo (os paradoxos da cronologia) e do espaço (as viagens)&lt;/em&gt;”.&lt;br /&gt;Foi assim que Machado de Assis no prólogo da 3.ª edição de &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Memórias Póstumas de Brás Cubas&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, acrescentou mais um “viajante”, o português Almeida Garrett, de &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Viagens na Minha Terra&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;. Diz Machado que todos esses realizavam determinado tipo de viagem: “&lt;em&gt;Xavier de Maistre à roda do quarto, Garrett na terra dele, Sterne na terra dos outros. De Brás Cubas se pode dizer que viajou à roda da vida&lt;/em&gt;”. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;No fragmento, percebe-se a profundeza do velho Machado: o que pode ser mais profundo, difícil e irônico do que “viajar ao redor da vida”. Parafraseando Drummond - Entanto, viajamos “mal rompe a manhã”.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;4. Final&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Assim são&lt;/span&gt; os gênios. Assim é o gênio Machado de Assis. Em todos eles está representada “&lt;em&gt;a interioridade de Deus&lt;/em&gt;”, e, portanto, em todos eles se encontra “&lt;em&gt;o espírito de Deus&lt;/em&gt;”. E, por fim, deve-se lembrar de que "&lt;em&gt;a arte aproxima o homem do seu Criador&lt;/em&gt;” (frase atribuída a vários pensadores do Renascimento e retomada recentemente pelo papa João Paulo II, na &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Carta aos Artistas)&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;: “&lt;em&gt;A música, como todas as linguagens artísticas, aproxima o homem de Deus&lt;/em&gt;”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6165605677969513844-3740143211653924227?l=jaymebueno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaymebueno.blogspot.com/feeds/3740143211653924227/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6165605677969513844&amp;postID=3740143211653924227' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/3740143211653924227'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/3740143211653924227'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaymebueno.blogspot.com/2009/11/genio-e-genios-um-estudo-magistral-de.html' title='GÊNIO E GÊNIOS – UM ESTUDO MAGISTRAL DE HAROLD BLOOM'/><author><name>Jayme Ferreira Bueno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13660954942300311364</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SNWjxHcpZKI/AAAAAAAAAAg/QlFFARzY2qg/S220/Imagem+170blog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/Sv3PCnecqfI/AAAAAAAAARw/f2VruJJQ4kU/s72-c/HAROLD+BLOMM+Foto3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6165605677969513844.post-5481121921054790342</id><published>2009-11-05T13:10:00.000-08:00</published><updated>2009-11-06T11:45:34.903-08:00</updated><title type='text'>CLAUDE LÉVI-STRAUSS – PENSADOR FRANCÊS E AMIGO DO BRASIL</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SvNHTt_K1nI/AAAAAAAAARY/aVxOrozE_58/s1600-h/CLAUDE+L%C3%89VI-STRAUSS.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5400738782234990194" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 180px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SvNHTt_K1nI/AAAAAAAAARY/aVxOrozE_58/s320/CLAUDE+L%C3%89VI-STRAUSS.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Claude Lévi-Strauss dans son bureau du Collège de France, en 2001 à Paris. (photo : AFP)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;Infelizmente, os grandes homens também morrem. Jornais de todo o mundo noticiaram nesta quarta-feira, 4 de novembro, a morte de Lévi-Straus, na França, na madrugada de domingo, 1.º de novembro, mas só agora anunciada em comunicado conjunto da Ecole des Hautes Études en Sciences Sociales e de de seu editor, Plon.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Aqui, em Curitiba, a manchete da &lt;em&gt;Gazeta do Povo&lt;/em&gt; estampava: &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;MORRE AOS &lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;100 &lt;/span&gt;ANOS LÉVI-STRAUSS, PAI DA ANTROPOLOGIA MODERNA&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;; No &lt;em&gt;Le Figaro&lt;/em&gt;: &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;CLAUDE LÉVI-STRAUS EST MORT&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, para ficar somente com dois períodicos, um local e outro da terra do falecido, o grande criador da Antropolgia Estrutural.&lt;br /&gt;Recentemente, Lévi-Strauss recebeu importantes homenagens do mundo inteiro pela passagem do seu centésimo aniversário, comemorado no dia 28 de novembro do ano passado. Portanto, há pouco menos de um ano.&lt;br /&gt;O grande pensador francês é considerado o fundador da antropologia estrutural, principalmente por seus estudos sobre a língua, costumes e lendas de povos indígenas do Brasil. Aqui, ele permaneceu de 1935 a 1939, quatro anos fundamentais para seus estudos e para a apresentação de uma nova teoria antropológica ao final dos anos 40 e iníco dos anos 50. Com suas obras, principalmente &lt;em&gt;&lt;strong&gt;As Estruturas Elementares do Parentesco&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, de 1949, e &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Tristes Trópicos&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, de 1955, tornou-se reconhecido e admirado mundialmente como cientista e pensador.&lt;br /&gt;Foi professor honorário do Collège de France, no qual regeu a Cátedra de Antropologia Social de 1959 a 1982. Foi membro da Academia Francesa, o primeiro a atingir 100 anos de idade. É considerado um dos mais importantes intelectuais dos nossos tempos.&lt;br /&gt;No Brasil, Lévi-Strauss esteve inicialmente como membro de uma grande missão francesa, que veio para a consolidação da recém-criada Universidade de São Paulo, a USP, de janeiro de 1934. Permsaneceu como professor na Instituição até 1938, quando abandonou o magistério para dedicar-se exclusivamente às suas pesquisas junto aos povos indígenas de Goiás, Mato Grosso e Paraná. Segundo ele, foram essas viagens que despertaram o seu grande interesse pela antropologia e pela pesquisa. Como resultado desses estudos, escreveu uma obra fundamental, &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Tristes Trópicos. &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Inicialmente, por conhecer somente os indígenas do Norte do Paraná, na região do rio Tibagi, os Kaingang, pensou tratar-se de um povo não totalmente índios e nem verdadeiros selvagens. Só mais tarde com a incursão por terras dos Kadiweu, na divisa com o Paraguai e conhecimento dos Bororo do Mato Grosso é que conseguiu reunir os dados necessários para uma nova teoria antropológica. Foi com esses estudos que conseguiu prestar provas na França para o ingresso no magistério, pois não era formado em Antropologia.&lt;br /&gt;Graças a essas pesquisas de 1936 é que conseguiu dinheiro e reconhecimento necessários para fazer nova expedição, esta em 1938, para estudar os índios Nambiqwara, de Mato Grosso. A missão também visitou os últimos homens e mulheres Tupi- Kaguahib, na região do rio Machado, considerados já desaparecidos.&lt;br /&gt;Além do casal francês, Lévi e Diana Strauss, participaram dessa última expedição, o médico e etnólogo francês Jean Vellard e o antropólogo brasileiro Luís de Castro Faria. Este último revela os problemas que a missão enfrentou com os órgãos públicos brasileiros, porque contava com o patrocínio de Paul Rivet, um político ligado ao Partido Socialista Francês.&lt;br /&gt;Denis Bertholet, um de seus biógrafos, assim descreve Claude Lévi-Strauss: “&lt;em&gt;Philosophe de formation, ce pionnier du structuralisme qui arpentait le monde pour en étudier les mythes, ce précurseur dans le domaine de l'écologie qui écrivait admirablement, a oeuvré à la réhabilitation de la pensée primitive, avec parfois le regard d'un moraliste. A cheval entre philosophie et science (…), son oeuvre est indissociable d'une réflexion sur notre société et son fonctionnement. Il a une approche écologique du monde et des individus, avant la lettre&lt;/em&gt;” (&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Filósofo por formação, este pioneiro do estruturalismo que avaliava o mundo pela ótica dos mitos, este precursor no domínio da ecologia que escreveu admiravelmente uma obra de reabilitação do pensamento primitivo, com o olhar às vezes de um moralista. Colocada entre a a filosofia e a ciência (...)sua obra é indissociável de uma reflexão sobre nossa sociedade e seu funcionamento. ela apresenta um enfoque ecológico do mundo e dos indivíduos, antes mesmo de tal acontecer&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;). Vê-se, assim, a importância do pensamento de Lévi-Strauss, classificado inclusive como um ambientalista antes mesmo de existir tal conceito e tanta preocupação com a natureza, como há em nossos dias.&lt;br /&gt;De volta à França em 1939, com o surgimento da Segunda Grande Guerra, muda-se para os Estados Unidos e passa a lecionar em Nova Yorque. Em 1959, com o retorno à França, torna-se professor no Collège de França e se torna o primeiro antropólogo eleito para a Academia Francesa.&lt;br /&gt;O grande mérito científico de Lévi-Strauss e a base de sua teoria foi ter aplicado ao conjunto dos fatos humanos de natureza simbólica um método, o método estruturalista. Com isso, ele passa a tratar do “pensamento selvagem” e não mais do “pensamento do selvagem”. Aparentemente apenas um jogo de palavras, mas em verdade uma total mudança no enfoque das pesquisas antropológicas. Sua obra &lt;strong&gt;&lt;em&gt;O Pensamento Selvagem&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, de 1962, é o marco histórico dessa mudança. Catherine Clément, autora de um ensaio sobre o etnólogo, explica: “&lt;em&gt;Quand il nous explique que la ‘pensée sauvage’ est en chacun de nous, il n'y a plus de distinction de fonctionnement mental entre les primitifs et nous. C'est une révolution intellectuelle considérable&lt;/em&gt;”. (&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Quando ele nos explica que o “pensamento selvagem” se encontra em cada um de nós, ele deixa de fazer a distinção do funcionamento mental entre os povos primitivos e nós. Isso é uma revolução intelectual considerável&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;).&lt;br /&gt;Lévi-Strauss costumava se definir como um “&lt;em&gt;viajante, arqueólogo do espaço, que procurava em vão reconstituir o exotismo com o auxílio de fragmentos e de destroços&lt;/em&gt;”. Segundo seus contemporâneos, era um homem elegante, gentil, de olhar claro e penetrante, dotado de grande presença e marcado pela grande capacidade de escutar os outros. Como cientista dedicado a pesquisas, é autor de uma frase que se tornou célebre, pela verdade que encerra. Encontra em&lt;em&gt;&lt;strong&gt; O Cru e o Cozido&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;: “&lt;em&gt;O sábio não é o homem que fornece as verdadeiras respostas. É o que faz as verdadeiras perguntas.&lt;/em&gt;” Sabe-se, hoje, que um estudo científico surge com base em um problema, sempre proposto em forma de questionamento pelo próprio pesquisador. Lévi-Strauss antecipou-se a nossos tempos em que as pesquisas se expandiram de forma exponencial.&lt;span style="font-size:78%;"&gt; &lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;CLAUDE LÉVI-STRAUSS E O ESTRUTURALISMO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Um grande pensador, considerado um gigante do pensamento moderno, Claude Lévi-Strauss é um verdadeiro mago do Estruturalismo. Essa corrente do pensamento científico iniciou-se na Lingüística com os estudos de Saussure (filósofo e lingüista suíço – 1857-1913) já no início do século XX. Teve vários desdobramentos até eclodir nos anos 60 no que se convencionou chamar de “Estruturalismo Francês”. Segundo a teoria estruturalista, por trás de toda a atividade humana, estão as “estruturas universais”. São elas que dão forma a culturas e às criações de todo tipo do ser humano. Assim, a linguagem, os mitos, as religiões, a poesia, tudo é resultado dessas “estruturas” e são próprias do gênero humano. O homem passa a ser identificado como “&lt;em&gt;homo symbolicum&lt;/em&gt;”, de que nos fala Ernst Cassirer, e não mais o “&lt;em&gt;homo erectus&lt;/em&gt;” dos primeiros antropólogos, nem mesmo o “&lt;em&gt;homo sapiens&lt;/em&gt;”, de algumas outras teorias.&lt;br /&gt;Como bom estruturalista, ele baseou seus estudos nas oposições binárias (na Linguística de Saussure, como exemplos, os conceitos significante e significado; forma e conteúdo.). Estudou oposições como: o cru e o cozido; o quente e o frio, o animal e o humano. Distinguia-se dos demais antropólogos pelo fato de que os outros buscavam revelar as diferenças entre povos e culturas, e ele buscava as estruturas universais, também chamadas “estruturas profundas”. Os seus estudos colaboraram mais para a igualdade de povos e culturas do que para as diferenças entre eles. Essas semelhanças, porém, encontravam-se naquilo que era essencial e não apenas externo, como viam os demais antropólogos. Um dos fundamentos do Estruturalismo é exatamente a oposição essência / aparência.&lt;br /&gt;Em o &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Cru e o Cozido&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, Lévi-Strauss declarou haver orientado suas pesquisas etnográficas na direção da psicologia, da lógica e da filosofia (a &lt;strong&gt;essência&lt;/strong&gt;). Ele não estava interessado nos propósitos a que serviam as práticas rituais de uma determinada sociedade (a &lt;strong&gt;aparência&lt;/strong&gt;).&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;CLAUDE LÉVI-STRAUSS ESCRITOR&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5401073022623950594" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 158px; CURSOR: hand; HEIGHT: 239px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SvR3TEdyJwI/AAAAAAAAARg/YxYodQGu1Ek/s320/L%C3%89VI-STRAUSS+CapaLivro.bmp" border="0" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Em suas obras, o autor estudou principalmente a correlação do processo formador de mitos com o pensamento ocidental.&lt;br /&gt;As principais são:&lt;br /&gt;· &lt;em&gt;&lt;strong&gt;As Estruturas Elementares do Parentesco&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; (1949) - Marco fundador da antropologia estrutural. Lévi-Strauss repensa o problema universal da proibição do incesto.&lt;br /&gt;· &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Tristes Trópicos&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; (1955) – &amp;shy;Espécie de autobiografia intelectual, a obra relata a vinda de Lévi-Strauss ao Brasil nos anos 1930.&lt;br /&gt;· &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Antropologia Estrutural&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; (1958) – &amp;shy;Nesta coletânea, o autor apresenta paralelos estruturais entre as figuras do xamã e do psicanalista e lança as bases teóricas da mitologia.&lt;br /&gt;· &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Mitológicas&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; (1964-71) - Análise de cerca de 800 mitos ameríndios inspirado nos moldes da música.&lt;br /&gt;· &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Via das Máscaras&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; (1975) – Strauss retoma a questões fundamentais da estética e da história da arte.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;· História de Lince&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; (1991) - O autor investiga as fontes filosóficas e éticas do dualismo ameríndio com base nas lendas.&lt;br /&gt;· &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Saudades do Brasil&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; (1994) - Álbum fotográfico que remonta às raízes da aventura antropológica de Lévi&amp;shy;-Strauss e que traz imagens de São Paulo e do Centro-Oeste.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(Fonte: Folhapress)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Segundo seus estudiosos, os livros do cientista apresentam argumentos complexos expressos em uma linguagem metafórica, simbólica. Seus textos em nada lembram os escritos antropológicos anteriores a ele.&lt;span style="font-size:78%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;TEXTO DO LIVRO &lt;em&gt;O PENSAMENTO SELVAGEM&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:100%;color:#000066;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A idéia de que o universo dos primitivos (ou que se supõe que o sejam) consiste principalmente em mensagem não é nova. Mas, até uma época recente, atribuía-se um valor negativo ao que, erradamente, se tomava por um caráter distintivo, como se esta diferença entre o universo dos primitivos e o nosso con&amp;shy;tivesse a explicação de sua inferioridade mental e tecnológica, quando ela os põe antes em pé de igualdade com os modernos teóricos da documentação. Era preciso que a ciência física descobrisse que um universo semântico possui todos os carac&amp;shy;teres de um objeto absoluto, para que se reconhecesse que. a maneira pela qual os primitivos conceptualizam seu mundo é, não apenas coerente, mas a mesma que se impõe em presença de um objeto cuja estrutura elementar oferece a imagem de uma complexidade descontínua.&lt;br /&gt;De uma só vez achava-se superada a falsa antinomia entre mentalidade lógica e mentalidade pré-lógica. O pensamento selvagem é lógico, no mesmo sentido e da mesma forma que o nosso, mas como o é apenas o nosso quando se aplica ao conhecimento de um universo a que reconhece, simultaneamen&amp;shy;te, propriedades físicas e propriedades semânticas. Uma vez dissipado este mal-entendido, não é menos verdade que, con&amp;shy;trariamente à opinião de Lévy-Bruhl, este pensamento progri&amp;shy;de pelas vias do entendimento, não da afetividade; com o au&amp;shy;xílio de distinções e de oposições, não por confusão e parti&amp;shy;cipação. Se bem que o termo não tivesse ainda entrado em uso, numerosos textos de Durkheim e Mauss mostram que eles haviam compreendido que o pensamento dito primitivo era um pensamento quantificado&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#000000;"&gt;(p. 304-305).&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;LÉVI-STRAUSS NO BRASIL&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;No Brasil, além de professor e pesquisador da USP, Lévi-Strauss tornou-se Doutor &lt;em&gt;Honoris Causa&lt;/em&gt; pela Universidade que muito aprendeu com ele. Como Acadêmico, desprezava a elite e valorizava os índios. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Ao mesmo tempo em que enaltecia um Brasil de que os próprios brasileiros se envergo&amp;shy;nhavam, Lévi-Strauss pode ser descrito como "carinhoso" ao falar de povos como os nambiquaras e os bororos. Foi duro, porém, e mesmo implacável às vezes, ao tratar da sociedade brasileira urbana, que considerava sempre à procura de &lt;em&gt;status&lt;/em&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Lévi-Strauss se utilizava das lições aprendidas com grupos indígenas do cerrado (Goiás) e da floresta (Mato Grosso) - principalmente como relacio&amp;shy;nar natureza e cultura -, para a criação de um dos pensamentos mais in&amp;shy;fluentes da segunda metade do século 20. Enquanto isso, muitos brasileiros ainda olhavam esses mesmo índios co&amp;shy;mo um sinal de atraso a ser superado ou esquecido.&lt;br /&gt;As suas lições só foram realmente aprendidas pelos antropólogos brasi&amp;shy;leiros entre os anos de 1950 e 1980. Portanto, depois de 10 e mais anos após o seu regresso à França. De certo modo, é compreensível, pois foi por essa época que seus livros saíram publicados.&lt;br /&gt;Assim como Claude Lévi-Strauss aprendeu bastante com o Brasil, o Brasil também aprendeu muito com Claude Lévi-Straus. Resta, porém, muito ainda a aprender com esse sábio ligado ao nosso país. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6165605677969513844-5481121921054790342?l=jaymebueno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaymebueno.blogspot.com/feeds/5481121921054790342/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6165605677969513844&amp;postID=5481121921054790342' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/5481121921054790342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/5481121921054790342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaymebueno.blogspot.com/2009/11/claude-levi-strauss-pensador-frances-e.html' title='CLAUDE LÉVI-STRAUSS – PENSADOR FRANCÊS E AMIGO DO BRASIL'/><author><name>Jayme Ferreira Bueno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13660954942300311364</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SNWjxHcpZKI/AAAAAAAAAAg/QlFFARzY2qg/S220/Imagem+170blog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SvNHTt_K1nI/AAAAAAAAARY/aVxOrozE_58/s72-c/CLAUDE+L%C3%89VI-STRAUSS.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6165605677969513844.post-9197725726323156165</id><published>2009-10-30T08:50:00.000-07:00</published><updated>2009-10-30T10:14:31.475-07:00</updated><title type='text'>PRÊMIO NOBEL DE LITERATURA 2009 - HERTA MÜLLER</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SusdNO1zAqI/AAAAAAAAARA/FozdyuZavYE/s1600-h/HERTA+CapaPr%C3%AAmio.bmp"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SusbaLc_-8I/AAAAAAAAAQ4/AdpPmjYwKQM/s1600-h/HERTA+M%C3%9CLLER.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5398438714898643906" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 199px; CURSOR: hand; HEIGHT: 256px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SusbaLc_-8I/AAAAAAAAAQ4/AdpPmjYwKQM/s320/HERTA+M%C3%9CLLER.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Herta Müller - Prêmio Nobel de Literatura 2009&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;1&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;. O Prêmio Nobel&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;O Prêmio Nobel foi instituído em 1895 pelo industrial sueco Alfred Nobel (1833-1896). A fortuna adquirida com a patente da dinamite foi destinada à criação de uma fundação e de um prêmio. Os prêmios concedidos oficialmente desde 1901 são cinco: Medicina, Física, Química, Literatura e da Paz. O de Economia foi instituído em 1968 pelo Banco Central da Suécia com recursos próprios. Este prêmio, que começou a ser atribuído em 1969, só como homenagem pode ser chamado de Prêmio Nobel.&lt;br /&gt;O Nobel, segundo alguns críticos, tem assumido um caráter político. É o caso do Prêmio de Economia. A Fundação Humboldt, incumbida de distribuí-lo, tem concedido o Prêmio sistematicamente a economistas humboldtianos. O presidente do Comitê de Outorga procura abrandar a situação: “as tendências políticas dos ganhadores do prêmio são muito variadas. Alguns são claramente conservadores ou de direita, enquanto que outros são obviamente de esquerda, ou pelo menos do centro do espectro político”.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;No caso específico da concessão do Prêmio de Literatura deste ano de 2009 a Herta Müller, a Academia justificou com argumento literário e ao mesmo tempo político. A obra: “&lt;em&gt;com a concentração da poesia e a franqueza da prosa, descreve a paisagem dos despos&amp;shy;suídos&lt;/em&gt;”.&lt;br /&gt;Lya Luft, tradutora da versão portuguesa de &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Heute wär ich mir lieber nicht begegnet&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, declara: “&lt;em&gt;Prêmios de literatura são em geral muito estranhos. Muitos autores premiados não são interessantes, nem muito bons, e a gente não sabe por que ganha&lt;/em&gt;”.&lt;br /&gt;Herta Müller assumiu o número107 na lista dos ganhadores do Nobel de Literatura. Ela é a 12.ª mulher a receber o Prêmio.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2. Herta Müller, escritora romeno-alemã&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Nasceu em 1953, em Nitzkydorf, vilarejo de Banat, na Romênia. Aí vivia um grande número de imigrantes alemães, os &lt;em&gt;Donauschwaben&lt;/em&gt;, “suábios do Danúbio” (no Paraná se encontra importante colônia de imigrantes suábios, a de Entre Rios). Na época do Nazismo, romenos de ascendência alemã foram deportados para campos de trabalhos forçados na União Soviética, inclusive a mãe de Herta Muller. O livro &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Atemschaukel &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;(“Ritmo da respiração”) retrata o exílio desses romenos sob o regime comunista da então URSS.&lt;br /&gt;Entre os anos de 1972 e 1976, Herta Müller estudou filologia germânica e romanística na Universidade de Timisoara, capital de Banat. Nessa época, ingressou no &lt;em&gt;Aktions-gruppeBanat&lt;/em&gt;, que reunia intelectuais contrários ao regime de Ceausescu e que lutavam pela liberdade de ex&amp;shy;pressão. Depois de 1976, passou a trabalhar em uma fábrica de máquinas. Foi despedida por não ter aceito colaborar com policia secreta do regime romeno. Assumiu o magistério, mas foi impedida de exercer a função. Essas experiências com o regime comunista da Romênia vão-se tornar tema de suas obras. Os livros de Herta Müller são como um ajuste de contas com esse passado de sofrimento.&lt;br /&gt;O primeiro livro de Herta Müller, &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Niederung&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;Depressões&lt;/em&gt; - terras baixas) são contos que focalizam a vida em pequeno vilarejo com o cenário de repressão que aí se vivia. A obra foi censurada. Em 1984, o livro foi contrabandeado para a Alemanha, onde alcançou grande sucesso. Nesse ano de 1984, lançou na Romênia &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Drückender Tango&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; (&lt;em&gt;Tango opressivo&lt;/em&gt;). A obra também se tornou proibida, e a autora foi impedida de publicar em sua própria terra. Perseguida, Herta e seu marido emigraram para a Alemanha em 1987, dois anos antes da queda de Ceausescu.&lt;br /&gt;Dentre suas obras principais, além das já referidas, destacam-se: os romances &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Der Fuchs war damals schon der Jäger&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;,1992 (“&lt;em&gt;A raposa era o próprio o caçador&lt;/em&gt;”), &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Herztier&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; 1994 (“&lt;em&gt;Animal do coração&lt;/em&gt;” – Coração selvagem) e &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Heute wär ich mir lieber nicht begegnet&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;,1997 (“&lt;em&gt;Hoje eu não gostaria de me encontrar&lt;/em&gt;”). Para o Comitê do Prêmio, essas obras: “&lt;em&gt;apresentam, com detalhes primorosos, um retrato da vida sob a estagnação da ditadura&lt;/em&gt;”. Além desses, publicou: &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Der Mensch ist ein groβer Fasan auf der Welt&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, 1986 (“&lt;em&gt;O homem é um grande faisão sobre a terra&lt;/em&gt;”); &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Barfüβiger Februar&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, 1987 (“&lt;em&gt;Fevereiro descalço&lt;/em&gt;”); &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Reisende auf einem Bein&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, 1989 (“&lt;em&gt;Viajante em uma só perna&lt;/em&gt;”); &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Der Teufel sitzt im Spiegel&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, 1991 (“&lt;em&gt;O diabo está no espelho&lt;/em&gt;”); &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Eine warme Kartoffel ist ein warmes Bett&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, 1992 (“&lt;em&gt;Uma batata quente é uma cama quente&lt;/em&gt;”); &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Der Wächter nimmt seinen Kamm&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, 1993 (“&lt;em&gt;O vigia toma – rouba - o seu pente&lt;/em&gt;”); &lt;strong&gt;&lt;em&gt;In der Falle&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, 1996 (“&lt;em&gt;Na armadilha&lt;/em&gt;”); &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Im Haarknoten wohnt eine Dame&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, 2000 (“&lt;em&gt;No nó do cabelo – coque - vive uma senhora&lt;/em&gt;”); &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Heimat ist das, was gesprochen wird&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, 2001 (“&lt;em&gt;Pátria é o que é falado&lt;/em&gt;” – é o que se fala); &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Der König verneigt sich und tötet&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, 2003 (“&lt;em&gt;O rei se inclina e mata&lt;/em&gt;”); e &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Die blassen Herren mit den Mokkatassen&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, 2005 (“&lt;em&gt;Os pálidos homens com as xícaras de cafezinho&lt;/em&gt;”). Publicou ainda um livro de ensaios, &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Hunger und Seide&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;,1995 (“&lt;em&gt;Fome e seda&lt;/em&gt;”).&lt;br /&gt;As suas obras estão traduzidas para o inglês, espanhol, francês e sueco. A única obra em português é a tradução brasileira de &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Heute wär ich mir lieber nicht begegnet&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; feita por Lya Luft e publicada pela Editora Globo, em 2004. Aqui, recebeu o título &lt;strong&gt;&lt;em&gt;O Compromisso&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; contra a vontade da própria tradutora. A Editora o escolheu provavelmente influenciada pelo título da tradução americana, &lt;em&gt;&lt;strong&gt;The Appointment&lt;/strong&gt;.&lt;/em&gt; É interessante notar que em francês o livro recebeu o título &lt;strong&gt;&lt;em&gt;La Convocation&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, coerente com a ideia que aparece já no início da narrativa: “&lt;em&gt;Eu fui convocada. Quinta-feira, dez em ponto...&lt;/em&gt; e que se repete ao longo da narrativa.&lt;br /&gt;Lya Luft, por qualquer motivo, não deu importância ao livro que traduziu. Ao receber a notícia que Herta Müller&lt;/span&gt;&lt;a href="http://g1.globo.com/Noticias/PopArte/0,,MUL1333755-7084,00-HERTA+MULLER+GANHA+NOBEL+DE+LITERATURA.html"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;havia vencido o Prêmio Nobel de Literatura, reagiu como muitos: “&lt;em&gt;nunca ouvi falar&lt;/em&gt;”. No momento da notícia, disse: “&lt;em&gt;Esqueci dele. Não foi um livro particular para mim, nem nunca mais tinha ouvido falar da autora&lt;/em&gt;”. Alegou que o esquecimento se deveu ao fato de o livro ter saído com título diferente do que havia proposto. Acrescenta: “&lt;em&gt;Na minha opinião, não era um livro importante. Era só um dos muitos que já traduzi. Confesso que nunca pensei, ‘puxa, isso ainda vai dar o Prêmio Nobel&lt;/em&gt;’.” Lya Luft se declara não especialista em literatura alemã. Porém, já traduziu escritores alemães, como Hermann Hesse (também suábio); Thomas Mann (Prêmio Nobel de Literatura, 1929); e Günter Grass (Prêmio Nobel de Literatura, 1999). Para estes, ela não economiza elogios, mas sobre Herta Muller e seu livro, insiste: “&lt;em&gt;não tenho coisas interessantes para dizer&lt;/em&gt;”. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5398441274076201250" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 183px; CURSOR: hand; HEIGHT: 304px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SusdvJIegSI/AAAAAAAAARI/GhhlPN9he3E/s320/CAPA+ALEM%C3%83.jpg" border="0" /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt; &lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Capa da edição original com o intrigante cavalo branco&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;3. O literário na obra de Herta Müller&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A obra de Herta Müller na sua maioria versa o tema da vida sob uma ditadura socialista. A autora retrata em seus livros as dificuldades, humilhações e sofrimentos infligidos a imigrantes e também aos próprios romenos que se colocassem contra o governo.&lt;br /&gt;Na obra traduzida para o português, um oficial da polícia secreta persegue, assedia e leva à demissão uma trabalhadora de uma fábrica de roupas (a autora, como a personagem, foi empregada em uma fábrica e sofreu os mesmos problemas). A personagem com frequencia é “convocada”, para ser interrogada em datas aleatórias e sobre acusações completamente sem sentido. Essa fixação na convocação torna-se um dos motivos condutores da obra. Vários outros de seus livros falam da vida da minoria alemã sob um regime opressivo, principalmente por falta de liberdade, intolerância racial e cultural, e opressão dos homens sobre as mulheres.&lt;br /&gt;Ao ganhar o Prêmio Nobel de Literatura, Herta Müller declarou:&lt;br /&gt;1. “&lt;em&gt;Estou surpresa e ainda não consigo acreditar; neste momento não consigo dizer mais nada&lt;/em&gt;”.&lt;br /&gt;2. “&lt;em&gt;Minha escrita sempre tratou de como uma ditadura surge, como uma situação pode ocorrer em que um punhado de pessoas poderosas dominam um país e o país desaparece, e só resta um Estado&lt;/em&gt;”.&lt;br /&gt;3. “&lt;em&gt;Acho que a literatura sempre emerge de coisas que fizeram dano a alguém, e há um tipo de literatura em que os autores não escolhem seu assunto, mas lidam com um que lhes foi lançado - não sou a única escritora assim&lt;/em&gt;”.&lt;br /&gt;No caso da edição brasileira, a tradutora assim se refere à personagem da obra: “&lt;em&gt;É uma personagem bastante kafkiana, com essa coisa persecutória da pessoa que se vê envolvida em uma situação a que não sabe como chegou, sempre muito fragilizada&lt;/em&gt;”. &lt;/p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5398438360891204850" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 175px; CURSOR: hand; HEIGHT: 271px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SusbFkrDJPI/AAAAAAAAAQw/e1G8aP37AG4/s320/HERTA+CapaPr%C3%AAmio.bmp" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Capa da tradução brasileira com o selo de Prêmio Nobel de Literatura 2009&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;A leitura de fragmentos de &lt;strong&gt;&lt;em&gt;O Compromisso&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; nos dará a oportunidade de tecer comentários sobre aspectos da estrutura da obra:&lt;br /&gt;1.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#000099;"&gt;Eu fui convocada. Quinta-feira, dez em ponto.&lt;br /&gt;Sou convocada cada vez com maior freqüência: às dez em ponto na quinta, às dez em ponto no sábado, na quarta ou na segunda. Como se os anos fossem uma semana, fico imaginando que depois do fim de verão logo teremos outra vez inverno.&lt;br /&gt;No trajeto até o bonde os arbustos voltam a emergir através das cercas, com suas frutinhas brancas. Como botões de madrepérola costurados embaixo, talvez até terra adentro, ou como migalhas de pão. Para cabecinhas de pássaros com bicos tortos, as frutinhas são pequenas demais, mesmo assim penso em cabeças de pássaros brancos. E isso dá vertigem. Prefiro pensar em flocos de neve no capim, mas aí a gente se perde, e pensar em giz nos dá sono.&lt;br /&gt;O bonde não tem horários fixos.&lt;br /&gt;Penso que é ele que chega rumorejando, se não forem os choupos com suas folhas duras. Está chegando, o bonde, e hoje me levará logo. Estou decidida a deixar o velho de chapéu de palha embarcar na minha frente. Quando cheguei ele já estava na parada, sabe lá fazia quanto tempo. Não parece frágil, mas é magro como sua sombra, meio corcunda, e abatido. Não tem bunda para encher os fundilhos, nem quadris, só os joelhos marcam a calça.&lt;br /&gt;Mas se no exato momento em que a porta do bonde se abrir ele resolver escarrar no chão, eu embarco antes dele. Quase todos os assentos estão livres, ele os examina com o olhar e fica de pé.&lt;br /&gt;Como é que gente tão velha não fica cansada e insiste em ficar de pé mesmo quando se pode sentar. Às vezes, ouvimos os velhos dizerem: Já vamos ficar deitados tempo suficiente no cemitério. Mas nem estão pensando em morrer, e têm razão. Não há uma ordem fixa, jovens também morrem. Sempre que não preciso ficar de pé, eu me sento. Viajar sentado é como caminhar sentado. O homem me examina, é fácil perceber isso no carro vazio. Hoje estou sem vontade de conversar, senão perguntaria o que é que ele vê em mim. Nem se apercebe que seu olhar me incomoda. Lá fora passa metade da cidade, alternando-se entre árvores e casas. Dizem que gente de idade sente mais do que pessoas jovens. Talvez ele até perceba que hoje tenho na bolsa uma toalhinha de rosto e pasta de dentes, além de uma escova. Mas nada de lenço, pois não pretendo chorar.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;strong&gt;(Início da narrativa, p. 7)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;2.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#000099;"&gt;&lt;em&gt;Desde as três desta manhã escuto o tique-taque do despertador: convocada, convocada, convocada ... Quando dorme, Paul encosta o pé em mim, em diagonal sobre a cama, e se afasta tão depressa que, sem acordar, ele próprio se sobressalta. É um hábito seu. Meu sono passou. Fico deitada, acordada, e sei que deveria fechar os olhos para adormecer de novo. Mas não os fecho. Várias vezes desaprendi o sono e tive de aprendê-lo de novo, do jeito que podia. É um processo bem simples, ou então não funciona. Tudo dorme na madrugada, até gatos e cachorros só rondam as latas de lixo metade da noite. Quando se sabe que não se pode mesmo dormir, é mais fácil pensar em algo claro no quarto escuro do que fechar os olhos com força, em vão. Pensar em neve, em troncos de árvore bran&amp;shy;cos, em aposentos brancos, em muita areia &amp;shy;com isso eu passei o tempo muitas vezes até o dia clarear, quando me dava vontade. Esta manhã podia ter pensado em girassóis, e fiz isso, mas não consegui esquecer que estava convocada para as dez em ponto. Como o des&amp;shy;pertador tiquetaqueava convocada, convocada, convocada, tive de pensar no major Albu, antes mesmo de pensar em mim e em Paul. Hoje, quando Paul se sobressaltou, eu já estava acor&amp;shy;dada. Quando a janela ficou de cor cinza, eu já tinha visto no teto do quarto a boca de Albu, muito grande, a ponta da língua cor-de-rosa atrás dos dentes inferiores e sua voz zombeteira:&lt;br /&gt;- Não precisa ficar nervosa, estamos apenas começando. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;(p. 11)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;3.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#000099;"&gt;Prefiro espiar pela janela da cozinha. As andorinhas atravessam um grande pedaço de céu, girando em seu círculo particular. Esta manhã elas voavam baixo, eu mastigava minha noz e, vendo-as, per&amp;shy;cebi que lá fora era dia. Como fui convocada, será só um dia atra&amp;shy;vés da vidraça, ainda que ao lado da mesa do major eu enxergue metade de uma árvore. Desde que comecei a ser convocada, ela certamente cresceu pelo menos o comprimento de um braço. No inverno é a madeira que assinala o tempo, no verão é a folhagem. A folhagem balança ou sacode a cabeça, segundo o vento. Não posso me distrair com isso. Quando Albu faz uma pergunta breve, quer resposta imediata. Perguntas breves não são as mais simples.&lt;br /&gt;Eu preciso refletir. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;(p. 37)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;4.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#000099;"&gt;Eu pensava sobre as peças que a vida prega, e no caminho de casa, voltando do sapateiro, repassei todas as maneiras de se can&amp;shy;sar do mundo. Primeira e melhor: Nunca ser convocado e nunca enlouquecer, como a maioria. Nunca ser convocada mas enlouque&amp;shy;cer, como a mulher do sapateiro e a sra. Micu ao lado da entrada lá embaixo, é a segunda. Terceira: Ser convocada e enlouquecer, como as duas mulheres no hospício, que alguém fez enlouque&amp;shy;cer. Ser convocado e jamais enlouquecer como Paul e eu, é a quarta maneira. Não muito boa, mas em nosso caso é ainda a melhor pos&amp;shy;sibilidade. Na calçada havia uma ameixa esmagada, vespas matando a fome, recém-nascidas ou velhas. Se toda uma família se acomo&amp;shy;da na ameixa, como será isso. O sol preferiu trocar a cidade pelos campos. A um primeiro olhar, o sol estava maquilado em cores ber&amp;shy;rantes para a noite, a um segundo olhar via-se que levara um tiro - vermelho como todo um canteiro de papoula, dissera o oficial de Lili. Sim, essa é a quinta possibilidade: Ser muito jovem, bela a mais não poder, nada louca, mas morta. Para morrer não é preciso chamar-se Lili&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;. &lt;/span&gt;&lt;strong&gt;(p. 117)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;5.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#000099;"&gt;Antes de comprar as batatas eu fora ver os doces na mercea&amp;shy;ria. Nos potes de vidro amontoados vi bombons vermelhos onde se grudavam vespas mortas, depois lâminas de barbear enferruja&amp;shy;das, depois biscoitos quebrados, depois caixas de fósforo, depois bombons verdes grudados, também com vespas. E na prateleira as garrafas alternavam suas cores, licor de ovos amarelo, suco de gro&amp;shy;selha rosado, uma aguardente esverdeada, removedor de unhas claro como água. O que estava ali realmente parecia achar que era outra coisa. O vendedor dava a impressão de ser uma pessoa feita de fósforos, lâminas, bombons grudentos e biscoitos, que logo iria se desmanchar.&lt;br /&gt;Cem gramas daquelas lâminas de barbear doces, eu disse.&lt;br /&gt;Trate de sumir daqui, ele gritou, compre alguma coisa na farmácia que lhe devolva o juízo.&lt;br /&gt;Eu tinha mesmo perdido o juízo, todas as mercadorias se confundiam em minha cabeça. Fui até a quitanda e fiquei contente porque as batatas do caixote não se transformaram em sapatos ou pedras na balança. Levei na mão dois quilos de batatas e na cabeça a irrefutabilidade das coisas. Depois fui até a farmácia e comprei o olho de vidro. Quando pararem de me convocar, quero que Paul cole nele um pequeno aro, e eu o usarei como enfeite no pes&amp;shy;coço, pensei então. Quando se ouve, do patamar, o elevador descendo com o men&amp;shy;sageiro de Albu, a voz dele soa baixinho na minha cabeça: Terça, dez em ponto, sábado, dez em ponto, quinta, dez em ponto. Quantas vezes depois de fechar a porta eu disse a Paul:&lt;br /&gt;Não vou mais lá.&lt;br /&gt;Paul me pegava pelo braço:&lt;br /&gt;Se você não for, eles virão te apanhar aqui, e não te soltam mais.&lt;br /&gt;Eu balançava a cabeça concordando.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;(p. 202-203)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;6.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#000099;"&gt;Quando alguém sai do elevador, a porta bate como pedras no andar acima ou abaixo. E aqui no andar como ferro. Quando escuto ferro, vou até o patamar. Hoje Albu virá. Quando fui convocada pela primeira vez, ele me mostrou sua identificação. Fiquei olhando boquiaberta a foto dele, em vez de ler como alguém que esmaga seus dedos ao beijar sua mão é cha&amp;shy;mado pela mãe, pela mulher. Devia haver dois, três nomes, tarde demais, a identificação já fora guardada. Se Albu disser que eu devo sumir, vou lhe dizer a verdade:&lt;br /&gt;Meu avô pintou aquele cavalo na casa dele, e eu esperei você aqui diante da porta do apartamento.&lt;br /&gt;E se Paul sair do elevador, também direi isso, então ele não terá de mentir até eu indagar:&lt;br /&gt;Onde é que você esteve.&lt;br /&gt;E como tantas vezes e!e dirá:&lt;br /&gt;Na minha camisa e junto de você.&lt;br /&gt;A Java vermelha recém-pintada brilha. Por tédio, por acaso, o velho olha para o arbusto e inclina-se junto do ouvido de Paul. Agora Paul se levanta e me enxerga. Por que está abotoando sua camisa.&lt;br /&gt;Há, há, nada de enlouquecer. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;(Trecho final da obra, p. 204)&lt;br /&gt;4. Comentário sobre o texto&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Os trechos, embora muito parcialmente, dão-nos uma idéia de aspectos da temática, da construção e da linguagem de O Compromisso, de Herta Müller. Aí se encontram a tortura das seguidas convocações da personagem (nunca nomeada no livro) pelo regime comunista (representada pelo major Albu), numa linguagem transparente (embora se trate de uma tradução) e sem grandes novidades no modo de narrar.&lt;br /&gt;Mesmo tratando-se de uma obra com tendências realistas, a autora não se restringe a mostrar-nos uma realidade apenas mimeticamente. Ela o faz de modo variado, às vezes cruel, outras vezes poeticamente. Mescla a dura vida com alguns momentos de amor ou meramente de prazer.&lt;br /&gt;A sua temática é a social, mas há também o aprofundamento psicológico das personagens. O espectro de observação da narradora percorre toda a vida que a rodeia naquela cidade escura e entristecida, em que nada acontece a não ser uma massacrante rotina e o contínuo medo que acompanha a todos.&lt;br /&gt;Quanto às personagens, que não são muitas no livro, variam de velhos devassos a jovens sedutoras; de trabalhadores sofridos a agentes da polícia política; de velhinhas meio loucas a doentes, feridos, bêbados. Todas elas marcadas pelas contínuas perseguições, delações, traições, dificuldades de viver em um regime opressivo. Aos poucos vão se abeirando da loucura e outras enlouquecem de vez. Mas há também a luta para não se deixarem enlouquecer.&lt;br /&gt;O tom que paira sobre as pessoas e a paisagem, geralmente sufocante, mostra-se às vezes poético: um fundo de paisagem deprimente de céu cinzento, espaços sombrios, ruas escuras, fábricas opressivas, bondes lotados, mas há também lugar para amores que percorrem o livro. A narrativa em algumas passagens desperta um certo suspense, como o segredo que reveste um instigante cavalo branco, que inclusive aparece na capa da edição original.&lt;br /&gt;Quanto à linguagem, varia da dureza da prosa realista, a uma linguagem de pura poesia. É transparente, sem grandes invenções, um tanto conservadora e muito pouco experimental. Assim, o texto pode ser facilmente fluido pelo leitor.&lt;br /&gt;Como ao lado da atmosfera de penumbra e medo, há também um sentido de esperança, a linguagem se adequa perfeitamente a cada uma dessas situações. Por exemplo, com a chegada da primavera e o renascer das plantas e flores, que sucede a um rigoroso inverno coberto de neve, nessas passagens, a linguagem se torna poética. Com passagens líricas, a narrativa nos apresenta ambiente de amor, alguns implícitos, como aquele entre a narradora e sua melhor amiga. Por outro lado, há cenas de sexo, alguns incestuosos. O amor muitas vezes se apresenta como uma forma de fuga daquela vida de rotina.&lt;br /&gt;Concluindo, O Compromisso de Herta Müller é um painel de sofrimento e paixão, de amor e de ódio, de sentimentos humanos tão contraditórios, mas que têm de ser superados. Se não é uma obra-prima da literatura universal, possui o seu valor e não pode ser menosprezada pela crítica, como tem sido às vezes, apesar do sucesso que vem alcançando nos países em que foi traduzida e na própria Alemanha. É livro que merece ser lido como genuína literatura que realmente é.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6165605677969513844-9197725726323156165?l=jaymebueno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaymebueno.blogspot.com/feeds/9197725726323156165/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6165605677969513844&amp;postID=9197725726323156165' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/9197725726323156165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/9197725726323156165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaymebueno.blogspot.com/2009/10/1.html' title='PRÊMIO NOBEL DE LITERATURA 2009 - HERTA MÜLLER'/><author><name>Jayme Ferreira Bueno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13660954942300311364</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SNWjxHcpZKI/AAAAAAAAAAg/QlFFARzY2qg/S220/Imagem+170blog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SusbaLc_-8I/AAAAAAAAAQ4/AdpPmjYwKQM/s72-c/HERTA+M%C3%9CLLER.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6165605677969513844.post-170528179535874723</id><published>2009-09-22T14:27:00.000-07:00</published><updated>2009-09-22T15:28:23.955-07:00</updated><title type='text'>POESIA E LOUCURA</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;1. Alguns conceitos básicos&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Erasmo de Rotterdam ao escrever &lt;em&gt;O Elogio da Loucura&lt;/em&gt; tocou em um dos temas mais complexos da produção poética. De onde provém o processo criador?&lt;br /&gt;Os Antigos, principalmente os gregos, consideravam que havia necessidade de um furor divino para o humano tornar-se um poeta, um demiurgo, um criador. O fenômeno que alguns denominavam &lt;strong&gt;inspiração poética&lt;/strong&gt;, os gregos chamavam de &lt;strong&gt;entusiasmo&lt;/strong&gt; (de &lt;em&gt;en&lt;/em&gt; + &lt;em&gt;theos&lt;/em&gt; = estar com deus em si). Assim, o poeta é um possesso, um possuído. O poeta produz quando abandona a sua própria consciência e se deixa invadir por uma divindade.&lt;br /&gt;A palavra &lt;strong&gt;poesia&lt;/strong&gt; (grego &lt;em&gt;poésis&lt;/em&gt;) significa “uma ação para fazer algo”. O poeta (&lt;em&gt;poietés&lt;/em&gt;) é “aquele que age, que faz”. Segundo Platão, é o &lt;strong&gt;entusiasmo&lt;/strong&gt; que leva à ação.&lt;br /&gt;Para Erasmo, o que move o ser humano à ação deixa de ser o &lt;strong&gt;entusiasmo&lt;/strong&gt;, ou &lt;strong&gt;inspiração divina&lt;/strong&gt;, e passa a ser a &lt;strong&gt;loucura&lt;/strong&gt;. Segundo ele, a sobriedade inibe a ação. Só age quem está possuído pela loucura: “&lt;em&gt;O louco, ao contrário, tomando a iniciativa de tudo, arrostando todos os perigos, parece-me alcançar a verdadeira prudência&lt;/em&gt;” (p. 47). Continua a afirmar: “&lt;em&gt;Se a prudência consiste no uso comedido das coisas, eu desejaria saber qual dos dois merece mais ser honrado com o título de prudente: o sábio que, parte por modéstia, parte por medo, nada realiza, ou o louco, que nem o pudor (pois não o conhece) nem o perigo (porque não o vê) podem demover de qualquer empreendimento&lt;/em&gt;” (p. 47).&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2. Poetas que enaltecem a loucura&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Inúmeros poetas prestaram homenagem à loucura. Na literatura portuguesa, o exemplo a ser citado será um poema de Fernando Pessoa. O exemplo da poesia brasileira, neste espaço, será um texto de Mario Quintana:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;GAZETILHA&lt;/strong&gt; - &lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;Álvaro de campos, heterônimo de Fernando Pessoa&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Dos Lloyd Georges da Babilônia &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Não reza a história nada. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Dos Briands da Assíria ou do Egito, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Dos Trotskys de qualquer colônia &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Grega ou romana já passada, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O nome é morto, inda que escrito.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Só o parvo dum poeta, ou um louco &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Que fazia filosofia, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ou um geômetra maduro, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sobrevive a esse tanto pouco &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Que está lá para trás no escuro &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E nem a história já historia.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;Ó grandes homens do Momento! &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ó grandes glórias a ferver &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;De quem a obscuridade foge! &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Aproveitem sem pensamento! &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tratem da fama e do comer, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Que amanhã é dos loucos de hoje!&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O AUTO-RETRATO - &lt;span style="font-size:78%;"&gt;Mário Quintana&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;No retrato que me faço &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- traço a traço -&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;às vezes me pinto nuvem,&lt;br /&gt;às vezes me pinto árvore...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;às vezes me pinto coisas&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;de que nem há mais lembrança...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;ou coisas que não existem&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;mas que um dia existirão...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;e, desta lida, em que busco&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- pouco a pouco -&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;minha eterna semelhança,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;no final, que restará?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Um desenho de criança...&lt;br /&gt;Terminado por um louco!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;.&lt;strong&gt; 2. Poetas tomados pela loucura&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Em Portugal, o aparecimento do Modernismo, em 1915, deu-se com a revista &lt;em&gt;Orpheu&lt;/em&gt;. A poesia que nela se publicou foi taxada de “poesia de loucos”. Os organizadores e editores da Revista, Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro, foram, então, à busca de poemas de alguém que realmente fosse doente mental. Como já conheciam a poesia de um interno de Hospício, a tarefa não foi difícil. O interno era o poeta Ângelo de Lima.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5384422039993573090" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 138px; CURSOR: hand; HEIGHT: 172px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SrlPUUaZ3uI/AAAAAAAAAPg/vRmr4Fi6_uE/s320/%C3%82NGELO+LIMA.jpg" border="0" /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Ângelo de Lima (Porto, 1872 – Lisboa, 1921) - &lt;/strong&gt;Por haver participado da revolução republicana de 1891 (Portugal foi monarquia até 1910), Ângelo de Lima foi enviado para a África. Na volta a Portugal, dois anos depois, começou a sentir os primeiros sintomas da doença. Esteve internado por quatro anos (1894-1898) no Hospital Psiquiátrico Conde Ferreira no Porto. Mais tarde, em 1901, foi novamente internado. Desta vez, em Lisboa, no Manicômio Rilhafoles. Aí permaneceu praticamente o resto de sua vida até a morte, em 1921.&lt;br /&gt;A sua poesia foi adotada pelos primeiros modernistas e começou a ser difundida. O segundo número de &lt;em&gt;Orpheu&lt;/em&gt; publicou um conjunto de poemas. O soneto seguinte, publicado na Revista, é um exemplo:&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;EDD´ORA ADDIO... – MIA SOAVE!...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;— Mia Soave... — Ave?!... — Almeia?!...&lt;br /&gt;— Mariposa Azual...— Transe!...&lt;br /&gt;Que d’Alado Lidar, Canse...&lt;br /&gt;— Dorta em Paz...— Transpasse Ideia!...&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;— Do Ocaso pela Epopeia...&lt;br /&gt;Dorto...Stringe... o Corpo Elance...&lt;br /&gt;Vai à Campa... — Il c’or descanse...&lt;br /&gt;— Mia soave... — Ave!... — Almeia!...&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;— Não dói Por Ti Meu Peito...&lt;br /&gt;— Não Choro no Orar Cicio...&lt;br /&gt;— Em Profano... — Edd’ora...Eleito!...&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;— Balsame — a campa — o Rocio&lt;br /&gt;Que Cai sobre o Ultimo Leito!...&lt;br /&gt;— Mi’Soave!... Eddora Addio!...&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Quanto à forma, os poemas de Ângelo de Lima sempre se mostrou perfeitamente bem estruturada. O mesmo, porém, não se pode dizer da sua linguagem, que se apresenta bastante desviada da linguagem considerada normal. A sua poesia foi altamente valorizada pelos simbolistas e depois pelos modernistas, principalmente pelo emprego de neologismos e pela sonoridade de seus versos. Há também, nessa poesia, sinais precursores do Surrealismo, que só iria aparecer na França, em 1924.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:100%;"&gt;São notáveis alguns outros sonetos de Ângelo de Lima, como este:&lt;span style="font-size:78%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;em&gt;Pára-me de repente o pensamento &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;em&gt;Como que de repente refreado &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;em&gt;Na doida correria em que levado &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;em&gt;Ia em busca da paz, do esquecimento...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pára surpreso, escrutador, atento, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;em&gt;Como pára um cavalo alucinado &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;em&gt;Ante um abismo súbito rasgado... &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;em&gt;Pára e fica e demora-se um momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pára e fica na doida correria... &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;em&gt;Pára à beira do abismo e se demora &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;em&gt;E mergulha na noite escura e fria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um olhar de aço que essa noite explora... &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;em&gt;Mas a espora da dor seu flanco estria &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;em&gt;E ele galga e prossegue sob a espora.&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Neste poema, pode-se observar uma estrutura perfeitamente definida e uma linguagem de alguém que se encontra de posse de suas faculdades mentais. Acontecia com Ângelo de Lima, o que é normal em pessoas com tal doença, momentos de lucidez em meio a tantos outros de desvarios. Por vezes, a sua poesia abandona aquele estilo de alucinação e passa a retratar estados de lucidez.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Um outro texto típico da poética de Ângelo de Lima é este:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;OLHOS DE LOBAS&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;Teus olhos lembram círios&lt;br /&gt;Acesos n'um cemitério...&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(Dr. Rogério de Barros)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;Têm um fulgor estranho singular&lt;br /&gt;Os teus olhos febris... Incendiados!...&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Como os Clarões Finais... - Exaustinados&lt;br /&gt;Dos restos dos archotes, desdeixados...&lt;br /&gt;— Nas criptas d'um Jazigo Tumular!...&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;— Como a Luz que na Noute Misteriosa&lt;br /&gt;— Fantástica - Fulgisse nas Ogivas&lt;br /&gt;Das Janelas de Estranho Mausoléu!...&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;— Mausoléu, das Saudades do Ideal!...&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;— Oh Saudades... Oh Luz Transcendental!&lt;br /&gt;— Oh memórias saudosas do Ido ao Céu!...&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;— Oh Pérpetuas Febris!... - Oh Sempre Vivas!...&lt;br /&gt;— Oh Luz do Olhar das Lobas Amorosas!...&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Este poema se destaca por uma espécie de dedicatória a um médico, possivelmente aquele que o atendia. A epígrafe denota, além do carinho pelo clínico, o estado em que muitas vezes se encontrava Ângelo de Lima e que se refletia em seus olhos.&lt;br /&gt;Quanto à estrutura se mostra perfeitamente regular como uma forma pouco mais livre do que um soneto, porém conservando o equilíbrio na construção de dos versos, perfeitos decassílabos. Quanto à linguagem fica a meio-termo entre aquela que retrata momentos de lucidez e outra em que aparecem estranhas percepções. Emprega termos exóticos, o que era comum entre os simbolistas, e que não chegam a pertubar o entendimento do texto&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6165605677969513844-170528179535874723?l=jaymebueno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaymebueno.blogspot.com/feeds/170528179535874723/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6165605677969513844&amp;postID=170528179535874723' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/170528179535874723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/170528179535874723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaymebueno.blogspot.com/2009/09/poesia-e-loucura.html' title='POESIA E LOUCURA'/><author><name>Jayme Ferreira Bueno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13660954942300311364</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SNWjxHcpZKI/AAAAAAAAAAg/QlFFARzY2qg/S220/Imagem+170blog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SrlPUUaZ3uI/AAAAAAAAAPg/vRmr4Fi6_uE/s72-c/%C3%82NGELO+LIMA.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6165605677969513844.post-8844046241367762263</id><published>2009-09-11T12:10:00.000-07:00</published><updated>2009-09-11T13:10:52.796-07:00</updated><title type='text'>SAFO - A POESIA LÍRICA GREGA</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SqquES9u6II/AAAAAAAAAPQ/q48K0M1wzeE/s1600-h/SAFO+Busto.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5380304093680953474" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 143px; CURSOR: hand; HEIGHT: 220px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SqquES9u6II/AAAAAAAAAPQ/q48K0M1wzeE/s320/SAFO+Busto.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;Antigo busto grego de Safo, do séc. V a.C.&lt;br /&gt;A inscrição ΣΑΠΦΩ ΕΡΕΣΙΑ=Safo, a eresiana&lt;br /&gt;(alguns a consideram nascida em Éreso) &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;Museu Capitolino, Roma, Itália.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5380302956928494338" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 162px; CURSOR: hand; HEIGHT: 281px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SqqtCIO06wI/AAAAAAAAAPI/dzkXJaGm_M8/s320/SAFO+e+ALCEU.bmp" border="0" /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;Safo e Alcaios - Pintura sobre&lt;br /&gt;jarro helênico do séc. V a.C.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;strong&gt;1. A POESIA LÍRICA GREGA - SAFO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Na Grécia Antiga deu-se o que normalmente acontece ao início das manifestações literárias de um povo. Primeiramente surgem os textos épicos, depois os líricos, em seguida os dramáticos, para finalmente aparecerem os filosóficos. Dessa forma, na literatura grega, temos a sequência: a) séc. VIII a.C. – Epopéia: Homero; b) séc. VII a.C. - Poesia Lírica: Safo; c) séc. VI a.C. – Teatro: Ésquilo; c) finalmente, séc. V - Filosofia, a pré-socrática; e séc. IV - os grandes filósofos Platão e Aristóteles.&lt;br /&gt;A poesia lírica surge na Grécia principalmente com Safo, Alceu, Estesícoro e Alcmano. Nesta época, a poesia era a única forma de expressão literária, como é comum acontecer. Primeiro surgem os mitos (formas simples), depois a atualização desses mitos sob a forma literária: poesia e prosa artística.&lt;br /&gt;Os poetas que mais influenciaram a época inicial da literatura grega foram, sem dúvida, Safo e Alceu. Eram da mesma região e também contemporâneos. Ambos escreviam no dialeto eólico, um dos muitos da Grécia. Como o nome indica, era o dialeto da região da Eólia, na Ásia Menor, onde se encontrava a ilha de Lesbos, terra natal dos dois grandes poetas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;strong&gt;2. SAFO (séc. VII a.C.)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Safo viveu provavelmente em meados do séc. VII a.C. Portanto, logo depois do grande épico Homero, do séc. VIII a.C. Foi ela talvez a primeira mulher a fazer poesia no mundo ocidental. É considerada a mais importante poetisa lírica da Antiguidade. Se Homero ficou conhecido como “o poeta”, ela era chamada “a poetisa”.&lt;br /&gt;Segundo alguns teria nascido em Mitilene, na ilha de Lesbos, no mar Egeu. Outros, porém, afirmam ser ela de Éreso. De família nobre, teve acesso à cultura e às artes. Estudou música, canto e dança. Há que se considerar também o estágio avançado da cultura da Eólia, na Ásia Menor, pela influência da rica cultura jônica.&lt;br /&gt;Provavelmente em consequencia de agitações políticas, Safo teve de deixar a ilha de Lesbos, e se transferiu para a Sicília, para onde também foi desterrado o poeta Alceu. Segundo alguns, foi aí que morreu já com certa idade, pois, por essa época, confessara-se uma geraitera, “um tanto idosa”.&lt;br /&gt;Segundo descrições, teria sido mulher de exuberante beleza e de grande atrativo pessoal, principalmente por seus olhos negros. O historiador Plutarco (entre os séc. II e I a.C.) a chamou “&lt;em&gt;A Bela&lt;/em&gt;”. Para o poeta Alceu, Safo era aquela de “&lt;em&gt;cabelos violetas e sorriso de mel.&lt;/em&gt;” Para o historiador Estrabão, Safo era maravilhosa tanto física como moralmente. Com tais atrativos e conduta livre, atraiu homens e mulheres. Teria casado e tido uma filha de nome Cleis, a quem dedicou um poema.&lt;br /&gt;Viúva do marido, um industrial da Sicília, tornou-se rica e exigente em termos de bem aproveitar a vida. Retornou a Mitilene E passou a viver faustosamente. Teria dito que necessitava de luxo como do sol.&lt;br /&gt;Safo buscou partilhar seus conhecimentos com outras jovens. Criou um espaço de arte e cultura, que passou a ser considerado a primeira “Escola de Aperfeiçoamento”. Não seria exatamente uma escola, mas um templo de adoração às musas. Ali, ela instruía suas companheiras em música, dança e poesia e havia também ritos de adoração à deusa Afrodite. Por seus dotes culturais e físicos, Safo não só ensinava como também inspirava as suas &lt;em&gt;&lt;strong&gt;hetaíras &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;(o grego &lt;em&gt;&lt;strong&gt;hetaíra&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, inicialmente &lt;strong&gt;companheira&lt;/strong&gt;).&lt;br /&gt;Como a Escola passou a ser denunciada pelas atividades desenvolvidas, os pais começaram a preocupar-se com o que suas filhas ali aprendiam. Com a desistência de muitas delas, a Escola entrou em declínio, até que fechou pela saída da hetaíra preferida de Safo, a jovem Átis. Falhou a “experiência pedagógica” de Safo na ilha de Lesbos (de onde provém o termo lesbianismo).&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;O grande golpe amoroso sofrido com a perda de Átis inspirou a Safo um de seus mais belos poemas de amor. Aqui, duas estrofes:&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;"- Mas, ah, que triste a nossa sina! &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;Eu vou contra a vontade, juro, Safo".- &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;"&gt;"Seja feliz", eu disse.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;"&gt; &lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#3333ff;"&gt;E lembre-se de quanto a quero.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;Ou já esqueceu? &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;Pois vou lembrar-lhe &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;em&gt;Os nossos momentos de amor&lt;/em&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Segundo o poeta latino Ovídio (séc. I. A.C.), Safo na idade madura teria voltado a amar os homens. Há inclusive uma lenda segundo a qual teria se suicidado ao saltar de um rochedo pela paixão não correspondida por um jovem barqueiro de nome Faón. Em outras narrativas, Safo teria morrido conformada com a sua idade. Segundo ela própria, encontrava-se cheia de rugas, e sem poder compartilhar novos tálamos. Segundo ela: “&lt;em&gt;o amor já não me alcança com o açoite de suas deliciosas penas&lt;/em&gt;”.&lt;br /&gt;Segundo Quintino Cataudella: “&lt;em&gt;Para muchos de los antiguos, Safo es digna de admiración. Para Estrabón, es pura, pero es condenable moralmente para otros, es una viciosa, una mujer de malas costumbres; evidente&amp;shy;mente, la condena moral surgió cuando se dejó de comprender la ver&amp;shy;dadera naturaleza de aquel sentimiento, substraído a su ambiente y a su tiempo y visto a una luz que no era la suya, según un criterio que no podía convenirle, tan lejanos se hallaban el espíritu y la atmósfera moral en que había brotado&lt;/em&gt;”.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;strong&gt;3. A OBRA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Safo teria escrito nove livros de poemas. Sua poesia engloba odes, epitalâmios, elegias e hinos. Infelizmente, chegaram até nós fragmentos de poemas e talvez uma única ode completa.&lt;br /&gt;A matéria poética de Safo, como não poderia deixar de ser, era o amor, o amor puro, mas também o amor erótico. A sua linguagem, no dialeto eólico, procurava ser simples e natural. Exprimia a ternura, o amor apaixonado e apaixonante, mas também as desilusões do amor. Tudo isso numa métrica própria.&lt;br /&gt;Recentemente, em 2004, foi descoberto por pesquisadores da Universidade de Colônia, na Alemanha., um poema de Safo em um papiro do séc. III a.C. Foi publicado no ano seguinte, em 2005. O poema expressa o amor de Safo por suas companheiras na ilha de Lesbos. Foi traduzido do grego, em forma livre, por Martin West, da Universidade de Oxford:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;Vós, meninas, entusiasmem-se com os carinhosos presentes&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;Das musas de seios perfumados e com a lira clara e melodiosa:&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;Mas o meu outrora macio corpo, agora velho&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;Enrijeceu; meus cabelos tornaram-se brancos, em vez de negros.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Pelo conteúdo, pode-se deduzir que se trata de obra da sua velhice. Nele, a poetisa incentiva as jovens ao amor, embora ela mesma, pela idade, já não se considere a amante de outros tempos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:100%;"&gt;&lt;strong&gt;4. ALGUNS TEXTOS POÉTICOS (geralmente fragmentos ou poemas reconstruídos):&lt;br /&gt;1. A ÁTIS&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;Contemplo como o igual dos próprios deuses&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;esse homem que sentado à tua frente&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;color:#3333ff;"&gt;escuta assim de perto quando falascom tal doçura&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;e ris cheia de graça. Mal te vejo&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;o coração se agita no meu peito,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;do fundo da garganta já não sai a minha voz,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a língua como que se parte, corre&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;um tênue fogo sob a minha pele,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;os olhos deixam de enxergar, os meus&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;ouvidos zumbem,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e banho-me de suor, e tremo toda,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;e logo fico verde como as ervas,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;e pouco falta para que eu não morra&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;ou enlouqueça.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;Este é um dos mais famosos textos de Safo. É inspirado no amor que a unia a Átis, uma de suas ex-alunas e sua amante preferida. Dele, há várias adaptações e traduções. A mais famosa é a do poeta latino Catulo (séc. I a.C.), que começa com o verso: “&lt;em&gt;Ille mi par esse deo videtur&lt;/em&gt;” = literalmente, “&lt;em&gt;Ele para mim vejo ser igual a um deus&lt;/em&gt;”.&lt;br /&gt;Analisando este poema, ninguém mais do que Longino, em &lt;em&gt;O Sublime&lt;/em&gt;, afirma: “&lt;em&gt;Não admiras como, no mesmo momento, ela pro&amp;shy;cura a alma, o corpo, o ouvido, a língua, a visão, a pele, como se tudo isso não lhe pertencesse e fugisse dela; e, sob efeitos opostos, ao mesmo tempo ela tem frio e calor, ela delira e raciocina (e ela está, de fato, seja aterrorizada, seja quase morta); se bem que não é uma paixão que se mostra nela, mas um concurso de paixões&lt;/em&gt;!”.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Outros exemplos da poesia de Safo:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;2. Dominada pelo amor e para confessar o mais intenso sentimento, inicia por comparar a sua amada à mais bela das &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;mulheres,&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; porque só assim faria justiça à beleza dela:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;Quando eu te vejo, penso que jamais&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;Hermíone foi tua semelhante;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;que justo é comparar-te à loura Helena,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;não a qualquer mortal;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;porque só assim faria justiça à beleza dela:&lt;br /&gt;Quando eu te vejo, penso que jamais&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;Hermíone foi tua semelhante;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;que justo é comparar-te à loura Helena,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;não a qualquer mortal;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh, eu farei à tua formosura&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;o sacrifício dos meus pensamentos,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;todos eles, eu digo, e adorar-te-ei&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;com tudo quanto eu sinto.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;3. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;O local é apropriado para viver um grande amor, daí o convite para que venham todos gozar as delícias desse sentimento, bebendo a doçura em taças de ouro. Destaque para a metáfora “taças de ouro”:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;Eu vos rogo, ó cretenses, vinde ao templo:&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;ao redor há um bosque de macieiras,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;e dos altares sempre se levantao odor do incenso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui a água fria rumoreja calma,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;em meio aos ramos; cobre este lugar&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;uma sombra de rosas; cai o sono&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;das folhas trêmulas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui num campo onde os cavalos pastam&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;desabrocham as flores do carvalho&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;e os anetos exalam seu aroma&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;igual ao mel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apanhando grinaldas, vem, ó Cípris,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;e dá-me um pouco desse claro néctar&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;que tão graciosa serves para a festa,em taças de ouro&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;4. Como verdadeira mestra ensina a sua discípula a preparar-se para o amor. As deusas da beleza acolhem aquelas que se enfeitam:&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;Com as meigas mãos, ó Dice,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;trança ramos de aneto,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;e põe essa coroa&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;em teus cabelos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;fogem as Graças&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;de quem não tem grinalda,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;mas felizes acolhem&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;quem se enfeita de flores.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;5. Só mesmo quem conhece profundamente o amor pode descrever o que causa esse sentimento nos amantes:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;O&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt; amor, esse ser invencível, doce e sublime&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;que desata os membros, de novo me socorre.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;Ele agita meu espírito como a avalanche&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;sacode monte abaixo as encostas. Lutar&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;contra o amor é impossível, pois como uma&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;criança faz ao ver sua mãe, vôo para ele.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;Minha alma está dividida: algo a detém aqui,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;mas algo diz a ela para no amor viver...&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;6. Nostálgica, a poetisa sofre, à noite, o gosto amargo da solidão:&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;A&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt; lua já se pôs,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;as Plêiades também:&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;meia-noite; foge o tempo,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;color:#3333ff;"&gt;e estou deitada sozinha.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;7. Misturando a temática amorosa da mulher inacessível com as histórias de moral, como nas fábulas, a poetisa compara a impossibilidade ao esquecimento como uma espécie de consolo àqueles que tentaram e não conseguiram:&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;Como a doce maçã que rubra, muito rubra,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;lá em cima, no alto do mais alto ramo&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;os colhedores esqueceram; não,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;color:#3333ff;"&gt;não esqueceram, não puderam atingir.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;8. Filosófica, meio moralista, Safo enfoca a temática do belo e do bom como categorias estéticas:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3333ff;"&gt;Quem é belo&lt;br /&gt;é belo aos olhos — e basta.&lt;br /&gt;Mas quem é bom&lt;br /&gt;é subitamente belo&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;5&lt;span style="font-size:100%;"&gt;. APRECIAÇÃO CRÍTICA&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;Dentre os gregos, Safo era considerada uma dos chamados "Nove Poetas Líricos". Sua poesia é das mais sublimes, no entanto, devido ao conteúdo erótico, foi censurada na Idade Média e, assim, só chegaram poucos poemas e alguns fragmentos. Só no fim do séc. XIX arqueólogos ingleses descobriram sarcófagos envoltos em pergaminho. Em um deles, aproximadamente 600 versos eram legíveis.&lt;br /&gt;Elogiada em todos os tempos, Estrabão afirmou que não sabia de nenhuma outra mulher com a genialidade e talento poético da grande poetisa de Lesbos. Baudelaire declara: "&lt;em&gt;Safo viril, amante e poeta, mais bela do que Vênus, na palidez melancólica...&lt;/em&gt;"&lt;br /&gt;Os textos de Safo em todos os tempos provocaram e continuam a provocar os sentidos. Eles nos mostram a paixão desenfreada, a perdição, mas também o amor puro e a delicadeza de seus sentimentos. Só assim poderia ter influenciado tantos poetas de Catulo a Ovídio, de Byron a Tennyson. de Baudelaire a Verlaine até chegar a Ricardo Reis (Fernando Pessoa) para citar representantes da poesia da Antiguidade, da época moderna e da atualidade.&lt;br /&gt;Só a força de uma autêntica poesia, uma obra de arte, poderia ter encantado pessoas de todas as épocas e influenciado tantos outros poetas. Essa poesia encantadora é a da poetisa Safo, também ela uma mulher encantadora.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6165605677969513844-8844046241367762263?l=jaymebueno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaymebueno.blogspot.com/feeds/8844046241367762263/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6165605677969513844&amp;postID=8844046241367762263' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/8844046241367762263'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/8844046241367762263'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaymebueno.blogspot.com/2009/09/safo-poesia-lirica-grega.html' title='SAFO - A POESIA LÍRICA GREGA'/><author><name>Jayme Ferreira Bueno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13660954942300311364</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SNWjxHcpZKI/AAAAAAAAAAg/QlFFARzY2qg/S220/Imagem+170blog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SqquES9u6II/AAAAAAAAAPQ/q48K0M1wzeE/s72-c/SAFO+Busto.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6165605677969513844.post-2633566566146602904</id><published>2009-08-18T13:53:00.000-07:00</published><updated>2009-08-18T15:10:17.887-07:00</updated><title type='text'>LÍDIA JORGE E O DIA DOS PRODÍGIOS</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SosjhNZ_JZI/AAAAAAAAAOw/BsRvkFxhaQs/s1600-h/L%C3%8DDIA+Foto.bmp"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;LÍDIA JORGE&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Quando aconteceu o 25 de abril em Portugal, Lídia Jorge era ainda uma jovem, nascida em 1946. Como todo português, também se viu empolgada pelo movimento que viria transformar aquele país. A &lt;strong&gt;Revolução dos Cravos&lt;/strong&gt;, nome pelo qual se tornou conhecido o movimento das Forças Armadas, deu-se no ano de 1974. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5371423030045998994" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 128px; CURSOR: hand; HEIGHT: 160px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SosgyWw-f5I/AAAAAAAAAOg/36Gf73sRZOw/s320/L%C3%8DDIA.bmp" border="0" /&gt;Como fato histórico que abalou as velhas estruturas sociais de um povo, a &lt;strong&gt;Revolução&lt;/strong&gt; tornou-se tema quase que obrigatório para os ficcionistas portugueses. Praticamente todos os grandes escritores, alguns estreantes e outros já consagrados, produziram obra sobre o que foi um misto do idealismo de jovens oficiais do exército português e do anseio de um povo que já não mais aceitava as condições do regime que perdurava desde os anos 20, quando Salazar assumira o poder.&lt;br /&gt;Assim, surgiu um grande número de obras, que, segundo alguns críticos, constituiu um novo ciclo literário. Denominaram-no &lt;strong&gt;A Literatura do 25 de abril.&lt;/strong&gt; Dos iniciantes, Lobo Antunes, com &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Os Cus de Judas &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;(1979) e Lídia Jorge com &lt;strong&gt;&lt;em&gt;O Dia dos Prodígios&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; (1980) são os dois que mais se destacaram. Ainda em 1979, José Saramago, com &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Levantado do Chão&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, talvez tenha sido o escritor que abriu o novo ciclo. Ele e Lobo Antunes. Outros deram continuidade no ano seguinte, 1980: Agustina Bessa-Luís com &lt;strong&gt;&lt;em&gt;O Mosteiro&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, e Almeida Faria com &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Lusitânia&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, além do já referido &lt;em&gt;&lt;strong&gt;O Dia dos Prodígios&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, de Lídia Jorge. No ano de 1981 apareceu O &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Triunfo da Morte&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, de Augusto Abelaira e, em 1982, surgiram os livros de dois grandes autores que vinham produzindo há bastante tempo, desde a época do Neo-Realismo: &lt;em&gt;&lt;strong&gt;O Rio Triste&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, de Fernando Namora, e &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Balada da Praia dos Cães,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; de José Cardoso Pires. Isto para citar aqueles que se consideram os mais importantes voltados para a temática do &lt;strong&gt;25 de abril&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;Em 1980, Lídia Jorge já se encontrava preparada para lançar uma grande obra, embora fosse com esse seu primeiro livro que iria estrear na literatura. Como professora do ensino secundário vivera anos decisivos em Angola e Moçambique em meio a uma guerra cruel, que deixava marcas profundas na terra, nos colonizados e nos colonizadores. Com essa bagagem, produziu &lt;strong&gt;&lt;em&gt;O Dia dos Prodígios&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, um caso raro de aceitação do público e da crítica. De uma autora jovem surgia uma obra já madura. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5371423726585879538" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 110px; CURSOR: hand; HEIGHT: 156px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/Sosha5lBm_I/AAAAAAAAAOo/LvDgSLl3iuE/s320/FOTO+DiaProd%C3%ADgios.bmp" border="0" /&gt;A autora não se ateve apenas e nem diretamente ao fato histórico do &lt;strong&gt;25 de abril.&lt;/strong&gt; Pelo contrário, os acontecimentos surgem num ambiente de gente humilde apegada à terra e que se preocupava mais com os prodígios que vinham acontecendo no próprio lugar em que viviam, a pequena Vilamaninhos. E a realidade de uma revolução acontecida longe, em Lisboa, apresentava-se àquelas pessoas simples como uma visão, algo vindo de um outro planeta. Os soldados que representavam a &lt;strong&gt;Revolução&lt;/strong&gt; eram heróis, anjos, deuses...&lt;br /&gt;Essa primeira obra da autora, de raízes míticas, é considerada a alegoria de um país fechado a tudo antes do 25 de abril de 1974. Vilamaninhos é o microcosmo de Portugal. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Se aceitarmos a afirmação de que Lídia Jorge se baseou na terra natal, para fazer dela a metáfora de um país pequeno e ainda preso a tradições que já deveriam estar fazendo parte do passado, teremos a pequena Boliqueime transformada em Vilamaninhos.&lt;br /&gt;Se tal é verdade, teremos uma Boliqueime real, no Algarve, tão junto a praias famosas, mas, ao mesmo tempo, tão afastada do progresso, com uma população vivendo ainda uma era poética da humanidade, a dos mitos, transformada pela ficção em Vilamaninhos. Ambas com a função de representarem um país e um povo.&lt;br /&gt;Lídia Jorge, em &lt;strong&gt;&lt;em&gt;O Dia dos Prodígios,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; consegue apresentar o povo em geral, e a mulher em particular, pelo modo de falar. Na obra, marcada pela, a linguagem ajuda a construir o perfil de cada personagem em sua complexidade e riqueza estrutural.&lt;br /&gt;O enfoque de um atavismo telúrico, a riqueza oral das personagens, a visão mítica da realidade, a polifonia de temas, tudo misturado com uma boa dose de experimentalismo dão os elementos para a construção de &lt;strong&gt;&lt;em&gt;O Dia dos Prodígios&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5371426655441645842" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 155px; CURSOR: hand; HEIGHT: 204px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SoskFYap8RI/AAAAAAAAAO4/jL-xIEx97oE/s320/L%C3%8DDIA+Foto.bmp" border="0" /&gt;Lídia Jorge continua a publicar importantes obras da literatura portuguesa. Agora, internacionalmente conhecida, sua obra tem sido traduzida para diversos idiomas. Os prêmios que tem recebido atestam a qualidade de seus textos. Citam-se, dentre as principais: &lt;strong&gt;&lt;em&gt;O Dia dos Prodígios&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; (1980); &lt;strong&gt;&lt;em&gt;O Cais das Merendas&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; (1982); &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Notícia da Cidade Silvestre&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; (1984); &lt;strong&gt;&lt;em&gt;A Costa dos Murmúrios&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; (1988), livro que reflete a experiência colonial passada na África, com o qual a autora confirmou o seu destacado lugar no panorama das literatura portuguesa; &lt;strong&gt;&lt;em&gt;O Vale da Paixão&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; (1998); &lt;strong&gt;&lt;em&gt;O Vento Assobiando nas Gruas&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; (2002). &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Combateremos a Sombra&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; é o seu mais recente romance.&lt;br /&gt;A autora publicou ainda duas antologias de contos: &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Marido e Outros Contos&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; (1997) e &lt;strong&gt;&lt;em&gt;O Belo Adormecido&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; (2003). Escreveu ainda de uma peça de teatro: &lt;strong&gt;&lt;em&gt;A Maçon&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Lídia Jorge está aqui representada por dois textos de &lt;strong&gt;&lt;em&gt;O Dia dos Prodígios&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;. O primeiro é significativo por mostrar a cosmovisão da autora ao apresentar os habitantes da pequena Vilamaninhos extasiados por uma visão; o segundo descreve a pequena Vilamaninhos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Macário fazia agradecimento, deixando a vizinhança entoar sozinha. E virava o alto da cabeça nos joelhos. Os cabelos soltos como erva escura por segar. Quando Jesuína Palha disse. O que vejo, meu deus? Vem aí um carro. Um carro celestial. Celestial. Olhem todos. Traz os anjos e os arcanjos. Oh gente. E São Vicente por piloto. Disse Jesuína Palha que voltava da ceifa, ainda com o aven&amp;shy;tal e o lenço repletos de praganas. Todos olharam. Na ver&amp;shy;dade surgia na curva da estrada, pelo lado poente, qual&amp;shy;quer coisa de tão extravagante que todos os que conseguiam enxergar a mancha de cores, virando as cabeças julgaram ir cair de borco sobre o chão da rua. Embora a mancha já volumosa, avançasse lentamente. Ocupando no espaço as três dimensões duma coisa visível, sólida e palpável. Mas os homens, pondo a mão, e fazendo muito esforço para ve&amp;shy;rem claro o que avançava com tanta majestade, disseram. Menos rápidos e mais lúcidos. Vamos. Vamos ser visitados por seres saídos do céu, e vindos de outras esferas. Onde os séculos têm outra idade. Afastem-se, vizinhos, que esta visão costuma fulminar. As crianças correram estrada fora, comandadas pela coragem. Sentiam que o mar ia chegar atrás dum barco de velas alvadias e soltas, desfraldadas à levíssima brisa da tarde. E também começaram a esbra&amp;shy;cejar, esboçando gestos de natação. Mas Macário. Tendo sido o último a enxergar, teve a visão exacta. No momento da surpresa ainda tinha os olhos fechados de repetir pela última vez. À espera de ocasião. À espera de ocasião.&lt;br /&gt;- Isto é um carro de combate. Oh vizinhos.&lt;br /&gt;Na verdade, a pleno meio da estrada avançava um carro singular, porque vinha pejado de soldados garbosos e épi&amp;shy;cos, penetrando já pelo centro de Vilamaninhos com ban&amp;shy;deiras e flores. E cantavam por um altifalante como se viessem munidos de uma poderosa orquestra. Agora já o espectáculo era tão real e tão bonito que todos. Esquecidos desses primeiros segundos de pasmo e confusão. Sentiram estar suspenso o toque, o canto e a audição desde há pouco. Para só ouvirem -e verem aquilo que chegava em cima duro carro aberto e blindado. Todos tinham a certeza que desde tempo dos reis nunca mais se vira de igual. Ah mara&amp;shy;vilha. Então o carro parou em frente do grupo, e fez-se um momento de silêncio tão solene que as pessoas pensaram ir morrer. Mas um soldado. Particularmente bem feito, tendo sem dúvida nascido numa terra muito diferente. Começou a falar de cima do carro, agora parado no largo. Dizia coisas. Que tinha feito uma re vo lu ção, e que era preciso animar os espíritos. Porque tudo. Tudo. E abria uns braços de salvador. Tudo iria ser modificado. Falava tão bem, que todos se encontravam encantados no timbre daquela voz. E nas maneiras másculas, sendo contudo delicadas, como se não sentisse o soldado o peso do corpo. Na farda, no cabelo levemente encaracolado. E ninguém era capaz de dizer fosse o que fosse, presos, todos da surpresa e da maravilha. Nem Macário. Nem Manuel Gertrudes. Os outros soldados sentindo sem dúvida a perturbação que invadia os naturais de Vilamaninhos, levantaram então os braços e disseram o que os ouvintes porventura queriam dizer. Mas falaram os soldados em conjunto. Tão alto e tão vibrante. Que os vilamaninhenses só compreenderam que uma grande coisa eles haviam dito, e maiores ainda teriam a dizer no futuro. Quando acabaram o largo estava cheio de gente que escutava. Nem se sentia&lt;br /&gt;o vazio dos ausentes. E Macário, receando que os habitantes de Vilamaninhos estivessem a desempenhar o papel de bêbados na perfeição, e animado, porque antes da chegada, acabara de ouvir da boca do seu vizinho, que o seu lugar não deveria, ser ali. Sentindo-se patrício desses forasteiros. Disse.&lt;br /&gt;-Nós aqui soubemos logo, dois dias depois, que vocês tinham feito a re vo lu ção. Mas nunca pensá&amp;shy;mos que chegássemos a ver os heróis.&lt;br /&gt;O soldado que havia falado agradeceu com a mão. Todos os outros tinham um ar solene e marcial, não duvidando ninguém que tais homens venceriam as maiores batalhas. Disse também o soldado formosíssimo, com flores a desfo&amp;shy;lharem-se nas abotoadeiras. Que era preciso que aquela terra se capacitasse que o tempo da li ber da de tinha chegado. As mulheres menos ociosas, e as moças, que haviam sido as últimas a descer, mas que mais próximas se encon&amp;shy;travam agora do carro de guerra, começaram a sentir que não poderiam reprimir por mais tempo os sentimentos es&amp;shy;pontâneos, e porque o espectáculo era o mais arrebatador das suas vidas puseram-se a gritar todas as palavras de entusiasmo que souberam. Disseram vivas. Amigos, amores, irmãos. Seres divinos. Libertadores da fome e da inveja. Disseram anjos, coisas formosas, filhos do ventre e visitantes. E havia quem chorasse e cruzasse os braços sobre os seios como se abraçasse os soldados que permaneciam heróicos e fardados sobre o carro verde, da cor do rinchão. Singularmente aberto e blindado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(p. 152)&lt;br /&gt;2.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;A saber. Vilamaninhos tem seis braços. Dois são feitos de casas ao longo da estrada que a atravessa, fita de alcatrão que se esburaca como roupa puída. Primeiro uma nódoa de pedra a emergir do pez, depois uma, duas britas nítidas, apenas aglomeradas. Em seguida uma solta-se, outra, e debaixo dessa outra, outra. E logo a terra à vista como um óculo. Vejam a porcaria da estrada. Os outros dois braços são o resto da antiga, da macadamizada, si&amp;shy;nuosa e às lombas, como correnteza de telhado mourisco. Sempre o cantoneiro a compor-lhe o saibro. Passava esta a meio do povoado antes da preta, mas agora fica de lado; quando se fala da nova. E as outras duas pontas são Q eixo do primitivo caminho. Feito de lajedos e pequenos de&amp;shy;graus de pedra, socalcozitos de desnível do tamanho de um nada, onde os pés escapam e as ferraduras das bestas disferem faísca. Esse é o caminho empedrado, chama-se la&amp;shy;deira, corre de norte a sul e tem a dedada do avô de um dos passados de José Jorge Júnior. Todos sabem e dizem que terá ele próprio sozinho desbravado as carrasqueiras com o seu alferce de dois dentes, e com ele terá cortado ao meio toda a cobra atravessada na passagem. O fundador. Mas as três vias que se cruzam e quebram em seis braços não se encontram no mesmo ponto. Antes duas a duas formando um nó. No meio do nó uma barriga de terra, lajedo e pó, a venda, a igreja, o armazém de figo, o lagar de azeite, três casas de habitação. Desligadas, mas na sombra umas das outras, apenas pela distância de um suspiro de gente. Mas só a venda abre porque Matilde é dona, e só a casa de José Jorge Júnior está habitada e tem uma palmeira. Nesse recinto se terá digladiado a cobra voadora. Vista de cima alguém chamaria a Vilamaninhos uma estrela. Vista de baixo, no meio das encruzilhadas, apenas se diria. Ê uma desmoronação de casas. A casa de Carminha Rosa fica no alto da via empedrada. A de Pássaro entre a empedrada e a nova. Apenas separada desta por um pátio bordado de alta parede com algerozes e malvas. Aí se planta o can&amp;shy;toneiro a ler as horas pela altura do sol. Do lado oposto, a casa de Macário e a de Manuel Gertrudes, parede meias. Mas a palmeira de José Jorge Júnior é a referência mais solene de Vilamaninhos. Um estandarte de folhas verdes, acenando de domingo a domingo. Os meninos tentam subir o pé, feito de nós de folhas mortas, mas descem-na, de calças rotas e coxa em sangue. Depois uns cachinhos de frutos cor de fogo, nunca vistos, acenam lá de cima. Eh, pequenada, isto não é azinheira. Vão procurar boleta para outro lado. Seu pé erecto, um braço. Sua copa, mão. Na sua sombra suposta, pelo chão, se senta o dono. Se vai aqui, são cinco da tarde.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;(p. 71) &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5371421766627057890" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 293px; CURSOR: hand; HEIGHT: 206px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/Sosfo0KbYOI/AAAAAAAAAOY/6LZZGIgJ-qI/s320/Fotos+by+Jayme+384.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Se Boliqueime é a ficcional Vilamaninhos, andei por essas ruas, não por aquelas empoeiradas, mas pela principal, a da faixa de alcatrão. Ali, parei à frente da Junta da Freguesia e avistei algumas personagens que povoam a Vilamaninhos/Boliqueime de hoje e de sempre. Não presenciei o prodígio de uma serpente a voar, mas avistei um céu como aquele do dia em que ali aportaram soldados, deuses, anjos...&lt;br /&gt;O ar do Algarve trazia o perfume das plantas e uma brisa suave soprava da serra que separa aquela região meridional do caloroso Alentejo. Era um dia auspicioso de julho.&lt;br /&gt;Lembrei-me então de uma Lídia Jorge dos anos 80 quando em companhia de Lobo Antunes vieram ambos a Curitiba divulgar suas obras. É a certeza de que se iniciavam em literatura, ele médico psiquiatra, ela jovem professora.&lt;br /&gt;Essa lembrança de uma tarde/noite de setembro de 1983 trouxe uma outra lembrança, a de uma época em que ainda vivia sonhos que, muitos deles, não se realizaram.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6165605677969513844-2633566566146602904?l=jaymebueno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaymebueno.blogspot.com/feeds/2633566566146602904/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6165605677969513844&amp;postID=2633566566146602904' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/2633566566146602904'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/2633566566146602904'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaymebueno.blogspot.com/2009/08/lidia-jorge-quando-aconteceu-o-25-de.html' title='LÍDIA JORGE E O DIA DOS PRODÍGIOS'/><author><name>Jayme Ferreira Bueno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13660954942300311364</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SNWjxHcpZKI/AAAAAAAAAAg/QlFFARzY2qg/S220/Imagem+170blog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SosgyWw-f5I/AAAAAAAAAOg/36Gf73sRZOw/s72-c/L%C3%8DDIA.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6165605677969513844.post-9185051499138860430</id><published>2009-07-03T11:05:00.000-07:00</published><updated>2009-07-03T11:50:28.966-07:00</updated><title type='text'>ATÉ LISBOA - CRÔNICA DE CECÍLIA MEIRELES</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;"&gt;CECÍLIA MEIRELES - (Rio de Janeiro, 1901 – 1964)&lt;br /&gt;Tendo perdido o pai antes mesmo de nascer e sua mãe quando tinha apenas três anos, Cecília se criou com a avó materna. Foi a única dos quatro filhos do casal que sobreviveu. O modo como se relacionou com a morte é descrito de forma muito pessoal: Nasci aqui mesmo no Rio de Janeiro, três meses depois da morte de meu pai, e perdi minha mãe antes dos três anos. Essas e outras mortes ocorridas na família acarretaram muitos contratempos materiais, mas, ao mesmo tempo, me deram, desde pequenina, uma tal intimidade com a Morte que docemente aprendi essas relações entre o Efêmero e o Eterno.&lt;br /&gt;Segundo ela própria, foi o fato de viver no silêncio e na solidão que lhe conferiu a inspiração que ela soube transformar no lirismo de sua obra.&lt;br /&gt;Concluído o Curso Normal do Instituto de Educação do Rio de Janeiro, Cecília Meireles ingressa no magistério em escolas oficiais do então Distrito Federal. Mais tarde, casou-se com o pintor português Fernando Correia Dias, com teve três filhas. Uma delas, Maria Fernanda consagrou-se como importante atriz de teatro.&lt;br /&gt;A sua primeira obra poética foi Espectro, de 1919. Depois vieram várias outras. Ficou conhecida literariamente com a publicação de obras, como: Viagem, 1939; Vaga Música, 1942; Mar Absoluto, 1945; e Romanceiro da Inconfidência, 1953. Na literatura para crianças, publicou Ou Isto ou Aquilo, em 1964, ano de sua morte.&lt;br /&gt;Depois de casada, viveu entre Brasil e Portugal. Naquele país teve participação ativa na literatura e lá publicou algumas de suas obras. É considerada uma poetisa portuguesa, pelos motivos de lá ter vivido, ser casada com um artista português e por sua origem açoriana. Viajou pelos cinco continentes. Lecionou literatura nos Estados Unidos e teve participação ativa na política cultural do Chile.&lt;br /&gt;É detentora de várias homenagens que lhe foram prestadas no Brasil e em vários outros países do mundo. na América Latina, recebeu a medalha da Ordem do Mérito do Chile; na Ásia, foi sócia honorária do Instituto Vasco da Gama, em Goa; e, na Índia, recebeu o título de Doutora Honoris Causa da Universidade de Nova Délhi. A poetisa, inclusive, dá nome a uma rua no bairro de Benfica, em Lisboa, e a uma avenida na cidade de Ponta Delgada, nos Açores.&lt;br /&gt;Retornando à sua obra, deve-se ressaltar a sua participação também na prosa . Especificamente na prosa literária, é autora de inúmeras crônicas. Como narradora de suas andanças pelo mundo, a sua obra foi reunida em três volumes, com o título de Crônicas de Viagem.&lt;br /&gt;Sobre as Crônicas de Viagem, há trabalhos importantes no mestrado de Literatura da Universidade Federal do Paraná. A disciplina e a linha de pesquisa sobre os Cronistas Viajantes do Século XX vem produzindo vários trabalhos, dos quais muitos deles se tornaram dissertações de mestrado.&lt;br /&gt;Raquel Illescas Bueno, professora e pesquisadora do tema, no Congresso de Internacional de Lusitanistas, na Universidade da Madeira, assim se referiu à autora: “para Cecília Meireles, que em 1939 denominou Viagem o livro de poemas que a projetaria na cena literária, e cuja primeira edição foi publicada em Lisboa, viajar é atividade que se coaduna perfeitamente ao seu senso do transitório” e adiante afirma: “Cecília Meireles, como é sabido, destacou-se sobretudo pelo lirismo e pela imaterialidade de sua visão de mundo”.&lt;br /&gt;Karla Renata Mendes, também em palestra no mesmo Congresso, afirmou: “As crônicas de Cecília Meireles, de forma geral, possibilitam vislumbrar sua obra indo além da já consagrada poesia, e permitem entender com mais precisão a escritora completa que foi. Suas crônicas de viagem, importante parcela dessa obra, desnudam um olhar sempre atento à realidade circundante, que ia além do visível e perscrutava os espaços mais recônditos em busca de uma observação ‘diferenciada’”.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;É um fragmento de &lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Até Lisboa&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;, uma crônica de viagem, e sobre Portugal, que ilustra aqui a prosa de Cecília Meireles:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Até Lisboa&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;    &lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5354300728071832242" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 137px; CURSOR: hand; HEIGHT: 180px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/Sk5MJNVWQrI/AAAAAAAAAOA/bEhQvHg8dJA/s320/CASTELO.bmp" border="0" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;                                                                           Ruínas do antigo Castelo da Guarda&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;           &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;E dizem, de Guarda, que é a cidade dos quatro "ff": forte e feia, fria e farta. Mas isso deve ser em capítulo de rivalidades folclóricas e por fatalidade da rima... ("Fuerza dei consonante, a cuanto obligas!...").&lt;br /&gt;Forte? Feia? Farta - não o saberemos. Fria, não. Neste meio dia de junho, brilha sobre Guarda um sol dourado e quente: e há tentações turísticas pelos quatro lados desta altíssima cidade, tão antiga. Desponta, de repente, a imagem de D. Sancho, que a levantou nestas alturas, e cujo nome ficou ligado àquela famosa cantiga velha que a "Ribeirinha", "branca e vermelha", talvez cantasse:&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ai eu, coitada, como vivo&lt;br /&gt;en gran cuidado por meu amigo&lt;br /&gt;que ei alongado! muito me tarda&lt;br /&gt;o meu amigo da Guarda!&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;E eis que vejo o rei D. Sancho, manto e saia de escarlata, por essas terras além... (Permito-me quase trovar.)&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5354303007534761650" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 147px; CURSOR: hand; HEIGHT: 163px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/Sk5ON4_qRrI/AAAAAAAAAOQ/doY6ssbfyr4/s320/D.SANCHO+I.bmp" border="0" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;                                                                                 D. Sancho I, fundador de Guarda&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Rei D. Sancho, rei D. Sancho,&lt;br /&gt;como vos celebraria,&lt;br /&gt;sem o sangue, sem o pranto&lt;br /&gt;que destes à Andaluzia!&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Não vos quero mal: porém,&lt;br /&gt;é que amo os mouros, também...&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Embora rei do Algarve, D. Sancho, se foi mesmo o poeta do can&amp;shy;cioneiro, compreenderá estas minhas inquietações sentimentais, ao passar pela terra de Guarda, onde é tão viva a sua sombra, - deixará que a minha, muito mais tênue, se aproxime de Celorico da Beira.&lt;br /&gt;Na verdade, não sei bem por que vamos por Celorico da Beira, quando uma outra estrada, no mapa, se nos afigura mais curta. Mas as pessoas da terra sempre sabem mais que os forasteiros. Iremos, pois, por onde nos aconselham.&lt;br /&gt;Já o nome de Celorico é um pequeno enigma no labirinto ver&amp;shy;melho e azul das estradas. Logo adiante, encontraremos outra esfinge no caminho... Mas Portugal está bordado de palavras surpreendentes. Não é só, aqui, Fornos de Algodres, mas, ali, Freixo de Espada à Cinta; do outro lado, Santa Comba Dão; lá para cima, Carrazeda de Ansiães... E estes lugares de sonho que se chamam: Barca d'Alva, Ervas Tenras, Vale de Prazeres, Portela do Vento, Penhas Douradas, Rio de Moinhos... Há mesmo um lugar fabuloso que se chama Alfândega da Fé! E o que não daríamos para ficar conversando sobre esses no&amp;shy;mes, viajando por dentro das palavras, na paisagem do tempo, muitas vezes mais bela que a paisagem do espaço!&lt;br /&gt;Aqui há nomes que devem ter sido inventados para quebrar a cabeça do turista: Alfarela de Jales, Altér do Chão... Outros, que pa&amp;shy;recem jogos infantis: fiolhoso, gafanhoeira, alto do velão... Os nomes em letra pequenina, escondidos no intricado desenho do mapa, são, às vezes, os mais engraçados: Vera Cruz do Marmelar e este outro: Cas&amp;shy;tanheira de Pera, - coisa de poeta burlesco, como aquele que cantou:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Quando o sobreiro der baga&lt;br /&gt;e o carvalho der cortiça...&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Pois em Celorico da Beira cai um chuvisco muito agradável, que solta pelo ar um cheiro bom de terra molhada, a sensação de folhas verdes, de frutos em botão, de pesadas casas tranquilas, onde o silêncio é como o tempo de um sino imóvel no campanário.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5354300821036681234" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 156px; CURSOR: hand; HEIGHT: 113px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/Sk5MOnp5SBI/AAAAAAAAAOI/yk9W5a6H_u4/s320/CATEDRAL.bmp" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;                                                                                       O largo e a Catedral de Guarda&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;De minha parte, sobre o fragmento da crônica, farei apenas comentários periféricos:&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Até Guarda&lt;/em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;1.º - sobre ser a cidade de Guarda, capital de um dos dois distritos da Beira Alta, ser “forte e feia, fria e farta”, é questão de ótica: forte ela é, a sua muralha bem o atesta; feia... tenho para mim que não há cidade feia, depende muito do espírito com que se visita determinado lugar; fria, sim, mas somente no inverno, quando toda a serra da Estrela surge branca no horizonte; farta deve ser, mas não tenho grandes argumentos para afirmar, sei somente que o refeição frugal que fiz em minha breve passagem, foi boa, provavelmente uma truta das águas geladas vinda das corredeiras da serra.&lt;br /&gt;2.º - sobre ir por Celorico da Beira e não por outros caminhos, disse-me uma vez, em resposta à mesma pergunta que fiz a um motorista: - “o senhor e sua família querem enfrentar a serra do Caramulo?”. Aí está um bom motivo: nunca enfrentar a serra do Caramulo. Deve ser terrível, há que desviar sempre...&lt;br /&gt;3.º - sobre o D. Sancho referido, ele é o primeiro com esse nome, portanto D. Sancho I. É o segundo rei de Portugal (1185-1211), ainda da dinastia de Borgonha e conhecido por “o povoador”. Fundou e fortificou Guarda, local que “aprisionava” os jovens soldados. Eles teriam de defender as terras montanhosas tão próximas da temida Espanha, forte e aguerrida, sempre a pôr em cheque a independência portuguesa. Como local de acampamento de jovens guerreiros, era tristemente lembrada por enamoradas saudosas de seus amados, e assim amargamente citada nas cantigas de amigo.&lt;br /&gt;4.º - sobre os nomes que emolduram a serra da Estrela, e para ficar só naqueles compostos, eu acrescentaria estes: Vila Franca das Naves, em plenas alturas; Torre de Moncorvo, que nos deixa curiosos por saber o que será moncorvo, que os dicionários e as enciclopédias não registram, só se sabe que fica além de Vila Nova de Foz Côa; Figueira de Castelo Rodrigues, onde possivelmente se encontrava lendária figueira ao pé de um castelo defendido por Rodrigues, filho de Rodrigo, mas hoje com suas amendoeiras em flor. Nas vizinhanças há ainda Horta da Vilariça, próxima de Souto da Velha. E por que a velha queria um bosque? Nós não sabemos, mas, como diz Cecília Meireles, “as pessoas da terra sempre sabem mais que os forasteiros”.&lt;br /&gt;5.º - É para lá que eu vou, como já fui em outros tempos, mas sempre em sentido contrário ao de Cecília - de Lisboa para Guarda. Sairei de Portela de Sacavém, passarei em Vila Franca de Xira, seguirei por Aveiras de Cima, Torres Novas, Vila Velha de Ródão, São Vicente da Beira até encontrar o caminho de vinda de Cecília, no Vale dos Prazeres.&lt;br /&gt;6.º - Talvez, eu, como Cecília, por lá, tenha a felicidade de sentir o “cheiro bom de terra molhada, a sensação de folhas verdes, de frutos em botão, de pesadas casas tranqüilas”. Queira Deus, que eu possa ainda sentir o silêncio do mesmo sino, ou então, o seu badalar a fazer eco pela serra, antes de seguir por terras calientes de Espanha... &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6165605677969513844-9185051499138860430?l=jaymebueno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaymebueno.blogspot.com/feeds/9185051499138860430/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6165605677969513844&amp;postID=9185051499138860430' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/9185051499138860430'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/9185051499138860430'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaymebueno.blogspot.com/2009/07/ate-lisboa-cronica-de-cecilia-meireles.html' title='ATÉ LISBOA - CRÔNICA DE CECÍLIA MEIRELES'/><author><name>Jayme Ferreira Bueno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13660954942300311364</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SNWjxHcpZKI/AAAAAAAAAAg/QlFFARzY2qg/S220/Imagem+170blog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/Sk5MJNVWQrI/AAAAAAAAAOA/bEhQvHg8dJA/s72-c/CASTELO.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6165605677969513844.post-547659123357153192</id><published>2009-05-26T14:12:00.000-07:00</published><updated>2009-05-27T14:48:35.170-07:00</updated><title type='text'>GALIZA - LÍNGUA, POESIA, CULTURA E MAIS</title><content type='html'>&lt;p align="left"&gt;&lt;strong&gt;A GALIZA&lt;/strong&gt; &lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5340552978698354402" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 212px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/Sh10o394PuI/AAAAAAAAANY/Llri5AA9idM/s320/PONTEVEDRA+L%C3%A9rez.bmp" border="0" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;A cidade de Pontevedra às margens do Lérez&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;1. HISTÓRICO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A Galécia (em latim &lt;em&gt;Gallaecia&lt;/em&gt;) foi uma província romana ao norte da Península Ibérica. Correspondia, mais ou menos, o que hoje é a própria Galiza, na Espanha, e a atual região do Minho, em Portugal. Ao sul, encontrava-se a província da Lusitania. A origem do nome, segundo alguns, é a latinização do grego &lt;strong&gt;&lt;em&gt;kallakoi&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, &lt;span style="font-family:georgia;"&gt;que significa “pessoas dos castros”, ou seja, dos castelos. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Em áreas de produção agrícola&lt;/span&gt;, com frequência aparecem os hórreos. São pequenas e tradicionais construções &lt;span style="font-family:georgia;"&gt;de pedra para se armazenar o produto das colheitas. Os hórreos possuem recursos para que não sejam invadidos por pequenos&lt;/span&gt; animais que procuram esses produtos para se alimentar. Eles existem também ao norte de Portugal, na região do Minho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5340256326099192562" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 291px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/Shxm1a6syvI/AAAAAAAAAMw/J_8Ru4SyRiw/s320/H%C3%93RREO.bmp" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Um hórreo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A Galiza &lt;span style="font-family:georgia;"&gt;atualmente é uma Comunidade Autônoma, cuja capital é Santiago de Compostela. Possui quatro províncias: A Corunha, Lugo, Ourense e Pontevedra. A maior cidade é Vigo, na província de Pontevedra.&lt;br /&gt;Como região autônoma é governada por uma Junta, denominada Xunta de Galicia.&lt;br /&gt;A Comunidade possui traços rurais bem definidos. As cidades não chegam a ser grandes. O que &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;predomina são os campos com rica vegetação. Pela situação geográfica e pelo clima favoráveis é rica em vegetação e, por isso, recebeu a denominação&lt;/span&gt; de &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;“país verde”. Poderia também ser chamada "país amarelo". Quando chega a primavera os campos pedregosos se cobrem de &lt;strong&gt;toxo&lt;/strong&gt;, uma planta espinhosa com flores amarelas.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5340533977634654738" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 161px; CURSOR: hand; HEIGHT: 239px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/Sh1jW3fRShI/AAAAAAAAANA/bfuiT9fhMq8/s320/TOXO.bmp" border="0" /&gt; &lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;O toxo nos campos galegos&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;As sete maiores cidades da Galiza (para poder incluir as quatro capitais de Província) são:&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1. VIGO – 295.000 h.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Vigo, a maior cidade da Galiza, é um municúpio da Província de Pontevedra. É, também, a maior cidade não capital de Província de toda a Espanha. É o porto mais importante da Península Ibérica. Praticamente, todos los continentes se interligam com o porto de Vigo, que acolhe um grande número de linhas regulares, tanto de navios de carga, como modernos transatlânticos de turismo.&lt;br /&gt;Na época do Trovadorismo, Vigo era centro de um grande número de trovadores. Ficou famosa a Cantiga &lt;strong&gt;Ondas do Mar de Vigo&lt;/strong&gt;, de Martim Codax (séc. XIII). &lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;1.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Ondas do mar de Vigo,&lt;br /&gt;se vistes meu amigo?&lt;br /&gt;E ai Deus!, se verrá cedo?&lt;br /&gt;2.&lt;br /&gt;Ondas do mar levado,&lt;br /&gt;se vistes meu amado?&lt;br /&gt;E ai Deus!, se verrá cedo?&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5340252042549620226" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 268px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/Shxi8Fc5bgI/AAAAAAAAAMA/AoguXQknVls/s320/VIGO+Mar.bmp" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:78%;"&gt;O mar na ria de Vigo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;2. &lt;span style="font-family:georgia;"&gt;A Corunha – 245.000 h&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;A Coruña situa-se entre o porto e as muitas praias. Por isso, diz-se que é a cidade que tem mar de dois lados. O seu monumento-símbolo é a Torre de Hércules, que foi construída há mais de 2000 anos. É o farol em funcionamento mais antigo do mundo. Como uma das principais capitais de Província, A Corunha apresenta intensa vida noturna, com cassino e espectáculos, concertos e festivais, geralmente apresentados no no Teatro Rosalía.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;strong&gt;3. Ourense – 115.000 h&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;É uma capital que se encontra no centro-sul da Galiza, às margens do rio Minho e bem próxima do norte de Portugal. É famosa por suas burgas, fontes termais, com água a 65º. É famosa a culinária da região, muito parecida com a do norte de Portugal. Além dos mariscos, famosos em toda a Galiza, há o denominado “prato nacional”: lacón (pernil de porco defumado) com grelos (brotos de hortaliças, principalmente do nabo) e salsichas.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;4. Santiago de Compostela – 92.500 h&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Santiago de Compostela é a capital da Comunidade e, juntamente com Jerusalém e Roma, uma dos locais de peregrinação mais importantes do mundo. A cidade toda está ligada à história do apósto Tiago (Santiago) e às peregrinações que para lá se dirigem desde a descoberta do túmulo do apóstolo, no ano de 813. A grande catedral, na praça do Obredoiro, foi construída em 1075. É o ponto de chegada para quem percorre os aproximados 800 km do Caminho de Santiago. É também a cidade dos estudantes.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;5. Lugo – 96.000 h&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Lugo, a romana &lt;em&gt;Lucus Augusti&lt;/em&gt; (bosque de Augusto), tem um ambiente extraordinário devido à sua muralha romana, que a envolve e que se encontra completa e bem conservada. Mede mais de 2 km de comprimento com uma altura média de 11 m. Lugo é atravessada pelo Caminho de Santiago, que vem desde o outro lado dos Pirineus, na França, para chegar a Santiago de Compostela.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;6. Ferrol – 85.000 h&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ferrol, na província de A Corunha, é importante porto e sede de indústrias, principalmente a naval. Por isso, é conhecida como a Cidade dos Estaleiros. Historicamente, foi sede da Armada Espanhola. É a terra natal do caudilho espanhol Francisco Franco. Por tal motivo, foi denominada, na época do Franquismo, de Ferrol del Caudilho. É também pátria de Pablo Iglesias, fundador do partido trabalhista PSOE – Partido Socialista Obrero Español.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;7. Pontevedra –80.000 h&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Pontevedra, a &lt;em&gt;Ponte Vetera&lt;/em&gt; (a forma do latim popular) dos romanos. Teria sido fundada por Teucro, herói da guerra de Troia, no séc. XIII a. C. O fundador dá nome a uma praça da cidade. Em Pontevedra, encontra-se um templo bastante venerado, que é a Igreja da Peregrina, em forma de concha. A pequena e encantadora cidade é bastante movimentada, com inúmeros bares e restaurantes, que servem pratos da rica culinária galega. Nos arredores encontram-se lugares turísticos, como Arousa, a ilha de A Toxa, O Grove e outros.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;II - A LÍNGUA GALEGA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O galego é a língua oficial da Comunidade Autônoma da Galiza, na Espanha. É falado também em algumas áreas fronteiriças do principado das Astúrias e das províncias de Leão e da província de Zamora, estas duas já na atual região de Castela Leão.&lt;br /&gt;A língua galega encontra-se atualmente num grande dilema devido a algumas tendências. Uma delas é a denominada &lt;strong&gt;reintegracionista&lt;/strong&gt;. Esta considera o galego uma variedade do português. Assim, os seus seguidores defendem uma norma ortográfica comum, ou muito parecida, para o galego e o português; há, uma outra, de total independência (o &lt;strong&gt;galeguismo&lt;/strong&gt;). É considerada a tendência oficial, segundo à qual, o galego e o português são duas línguas distintas e, por isso, defende normas ortográficas diferenciadas . É denominada &lt;strong&gt;isolacionista&lt;/strong&gt; pelos partidários do &lt;strong&gt;reintegracionismo&lt;/strong&gt;; e finalmente uma terceira, que é de &lt;strong&gt;aproximação&lt;/strong&gt; com o castelhano, língua oficial da Espanha. Esta, ultimamente, tem sido muito criticada pelos intelectuais da Galiza.&lt;br /&gt;São defensores de uma língua e de uma cultura tipicamente galega intelectuais como Eduardo Pondal, Manuel Curros Enríquez, e no séc. XX, Ramón Cabanillas, Ramón Otero Pedrayo, Álvaro Cunqueiro e tantos outros.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;III – A CULTURA GALEGA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;A cultura galega está intimamente ligada à cultura dos Celtas, povos que habitavam a região antes dos Romanos. Os celtas, em grego, &lt;strong&gt;&lt;em&gt;keltoi&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, signifcava &lt;strong&gt;ocultos&lt;/strong&gt;. Assim, a música, as danças, o folclore de modo geral sofre essa influência.&lt;br /&gt;As &lt;strong&gt;citanias&lt;/strong&gt; (povoados) e os &lt;strong&gt;castros&lt;/strong&gt; (fortificações) já existiam no noroeste da atual Espanha antes mesmo da invasão dos Celtas. Porém, a cultura ibérica se misturou com os elementos célticos, tanto assim que essas construções continuaram a ser utilizados pelos druidas celtas.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5340542507841479458" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 205px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/Sh1rHY_D4yI/AAAAAAAAANI/17Uvxe5soPI/s320/CELTAS+Ru%C3%ADnas.bmp" border="0" /&gt; &lt;p align="center"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;Ruínas da antiga citania e reconstrução de uma casa castreña&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;A música:&lt;/strong&gt; A tradição da dança e da música tem origens celtas. A gaita de fole um dos instrumentos mais típicos. O baile gallego é a manifestação mais visível da região. Dança-se a pares num círculo. É muito parecida com as danças portuguesas da região do Minho, limítrofe à Galiza.&lt;br /&gt;Os principais instrumentos musicais são a gaita de fole, a pandereta, a caixa e o bumbo. É frequente usar-se também as castanholas.&lt;br /&gt;O gênero musical mais típico e tradicional da Galiza é a &lt;strong&gt;muiñera&lt;/strong&gt;. Esse nome se deve ao fato de ter se originado nos moinhos. Na Galiza, é frequente que a música e os seus temas, bem como a dança, sejam fortemente influenciados pela cultura rural e folclórica.&lt;br /&gt;A música galega atual procura unir o moderno ao tradicional. A intenção dos novos compositores, como Xabier Díaz, não é recordar o passado, mas reinterpretá-lo com novas harmonias. Busca-se um novo sentido num presente que aos poucos vai se afastando do tradicionalismo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5340252700947967506" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 272px; CURSOR: hand; HEIGHT: 254px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/ShxjiaLS7hI/AAAAAAAAAMY/objv_jQ5VQg/s320/M%C3%9ASICA+GaitaFole.bmp" border="0" /&gt; &lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;Um desfile de gaiteras &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;- A pintura galega&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Os pintores geralmente nominados na pintura galega são aqueles surgidos após o período denominado de &lt;strong&gt;Rexurgimento&lt;/strong&gt;, já a partir do Romantismo, se considerarmos a poetisa Rosalía de Castro uma das iniciadoras do movimento. Bello Piñeiro (1886 – 1952) teria sido o precursor do &lt;strong&gt;Rexurgimento&lt;/strong&gt; na pintura galega. Pouco &lt;span style="font-family:georgia;"&gt;depois surgem &lt;strong&gt;Os Renovadores&lt;/strong&gt;, como Manuel Colmeiro (Pontevedra, 1901 – 1999), Luis Seoane, Laxeiro, Arturo Souto y Carlos Maside, considerados continuadores da geração&lt;/span&gt; de Eugenio Granell (1912 - 2001), Francisco Llorens (1874 - 1948) e outros. De Manuel Colmeiro disse o colega pintor Carlos Maside, em 1934: &lt;/span&gt;“&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;em&gt;Se os povos caminhassem parelhos em sensibilidade com a obra dos seus criadores representativos, hoje Galiza berraria em pé os seus júbilos por ter parido um pintor, o PINTOR, carne da sua carne, terra da sua terra&lt;/em&gt;”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Dos contemoprâneos, citam-se nomes como os de &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;Alfonso Costa, Ana Lamuño, Barreiro, Cabanas, Caruncho, Correa Corredoira, García Patiño, Isaac Díaz Pardo, Jaime Quesada, Jano Muñoz, Lugrís Vadillo, Marc Quintana, Pablo Orza, Quintana Martelo, Gutiérrez de la Concha.&lt;br /&gt;Um quadro de Manuel Colmeiro:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5340252828141735346" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 219px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/Shxjp0ApzbI/AAAAAAAAAMg/6s6_SFeW2Aw/s320/PINTURA+ColmeiroQuadro.bmp" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;Paisaje con labriegas &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;IV - A RELIGIÃO GALEGA&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A religião predominante é o Catolicismo romano. Porém, há na Galiza uma forte influência céltica também na religião. A cultura dos Druidas e das fadas é constante. Há de certo modo um Cristianismo celta, que surgiu diferente do Cristianismo romano, inclusive na simbologia religiosa.&lt;br /&gt;Os Druidas, que alguns vêem apenas como sacerdotes, eram mais do que isso. Representavam uma espécie de filósofos, cientistas ou eruditos, e inclusive magos. Daí o apego dos galegos à magia e aos rituais religiosos, como se pode exemplificar pelo culto ao apóstolo Santiago, que marca profundamente a religião galega, simbolizada muitas vezes pelo Caminho de Santiago&lt;/span&gt;. &lt;/div&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5340251911552598098" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 283px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/Shxi0dcxgFI/AAAAAAAAAL4/FyYoxgUs1mI/s320/SANTIAGO+Catedral.bmp" border="0" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;A cidade Santiago de Compostela com a Catedral&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Um aspecto ligado à religião e ao folclore da Galiza é a crença nas meigas (magas), que são uma atualização do conceito de fadas e bruxas. As meigas se comportam de acordo com a pessoa. Se uma pessoa merece o bem, agem como fadas; se, ao contrário, a pessoa merece o mal, agem como bruxas.&lt;br /&gt;Não é por acaso que a mascote da Galiza seja a meiga. Para quem não crê, há um ditado espanhol: “yo no lo creo, pero que las hay, las hay!”. Ou, em galego: "no me creo en las meigas prou haber hai-nas". Elas estão expostas por toda parte, lojas, carrinhos de ambulantes e nas tabernas pelos caminhos dos peregrinos.&lt;br /&gt;Alguém disse em galego: “A figura da meiga está moi arraigada na tradición popular”. São mulheres com conhecimento de magia, além de menciñeiras (curandeiras) e, inclusive, adivinhas. Há vários&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;a name="Tipos_de_meigas"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt; tipos de meigas: chuchonas (as que chupam o sangue de crianças); asumcordas (as espreitadeiras de pessoas); marimanta (as que rouba os rapazes e os faz desaparecerem); feiticeira (a que hipnotiza os rapazes e os joga no rio); cartuxeiras ( as que adivinham pelas cartas); lobismuller (versão feminina do nosso lobisomem); e outros&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;V - A GASTRONOMIA GALEGA&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;A Galiza é famosa pela sua culinária. Tanto a tradicional como a &lt;em&gt;nova cozinha&lt;/em&gt; ganham dimensão especial por contar com a inegável qualidade das matérias primas, principalmente os mariscos. Mas há pratos a base de carnes, como o famoso &lt;strong&gt;lancón&lt;/strong&gt; (pernil de porco defumado) e muitas hortaliças, das quais a mais tradicional são os grelos.&lt;br /&gt;Os mariscos mais famosos vêm da região de O Grove; e as carnes, da província de Ourense. Como deve acontecer, cada prato deve vir acompanhado por um bom vinho regional, como um Ribeiro ou um Albariño, que tornam esses pratos mais deliciosos.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5340252567079328722" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 221px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/Shxjanehm9I/AAAAAAAAAMQ/lmYcP5IoOq0/s320/GASTRONOMIA+Mariscos.bmp" border="0" /&gt; &lt;p align="center"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;Pulpos, vieiras, pan gallego y tinto Ribeiro &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;VI – A LITERATURA GALEGA&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;A literatura galega é a grande expressão da Galiza. Desde o século XII com os trovadores galego-portugueses, um surto de lirismo tomou conta de toda a região (a atual Galicia espanhola e o atual norte de Portugal, na época,Portu Cale. As Cantigas Paralelísticas, as Cantigas de Amor e também as Cantigas de Maldizer são estudadas tanto na literatura espanhola, como na portuguesa. São conhecidos poetas como Airas Nunes, Martim Códax, Pero da Ponte, Julian Bolseiro e outros.&lt;br /&gt;Podemos dividir as etapas da literatura galega da seguinte maneira:&lt;br /&gt;- &lt;strong&gt;Período Medieval&lt;/strong&gt; (XIII – XV) - (Trovadorismo, Cantigas de Santa María e Prosa galega medieval) &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- &lt;strong&gt;Séculos Escuros&lt;/strong&gt; (XVI, XVII e XVIII)&lt;br /&gt;- &lt;strong&gt;Rexurdimento&lt;/strong&gt; (XIX)&lt;br /&gt;- &lt;strong&gt;Século XX&lt;/strong&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Rosalía de Castro&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5340251773303810466" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 202px; CURSOR: hand; HEIGHT: 250px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/ShxisabsaaI/AAAAAAAAALw/rOK1LQaOn04/s320/ROSAL%C3%8DA+Foto.bmp" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;No Romantismo, surgiu a grande poetisa Rosalía de Castro (Maria Rosalía Rita). Nasceu em Camiño Novo, nos arredores de Santiago de Compostela, em 1837. Foi registrada como de pais desconhecidos, mas seria filha de José Martínez Viojo, um sacerdote, que, devido à sua condição religiosa, não pôde reconhecer nem legitimar a sua filha. Faleceu em Padrón, em sua residência, em 1885, vítima de câncer. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5340251658253046258" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 206px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/Shxilt1dEfI/AAAAAAAAALo/2poYSjMDdG8/s320/ROSAL%C3%8DA+Casa.bmp" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;Casa de Rosalía em Padrón, atualmente, museu em homenagem à poetisa&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Rosalía de Castro é autora de várias obras tanto em prosa como em poesia, algumas em castelhano. Em galego, publicou: &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Cantares Gallegos&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; (1863), base para o chamado &lt;strong&gt;ressurgimento&lt;/strong&gt; da língua e da literatura galega. A obra, porém, que lhe deu notoriedade foi &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Follas Novas&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, de 1880.&lt;br /&gt;Da primeira parte de &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Cantares Gallegos&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, estas estrofes:&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Campanas de Bastabales,&lt;br /&gt;cuando os oigo tocar,&lt;br /&gt;me muero de añoranzas.&lt;br /&gt;I Cando vos oio tocar,&lt;br /&gt;campaniñas, campaniñas,&lt;br /&gt;sin querer torno a chorar. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;. Cando de lonxe vos oio&lt;br /&gt;penso que por min chama&lt;br /&gt;dese das entrañas me doio. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;. Dóiome de dór ferida,&lt;br /&gt;que antes tiña vida enteira&lt;br /&gt;e hoxe teño media vida. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;. só media me deixaron&lt;br /&gt;os que de aló me trouxeron,&lt;br /&gt;os que de aló me roubaron. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;. Non me roubaron, traidores,&lt;br /&gt;¡ai!, uns amores toliños,&lt;br /&gt;¡ai!, uns toliños amores.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;De &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Follas Novas&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, primeira parte que reúne os poemas sob o título &lt;strong&gt;Vaguedad&lt;/strong&gt;, estes três: &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;I&lt;br /&gt;Daquelas que cantan as pombas i as frores,&lt;br /&gt;Todos din que teñen alma de muller.&lt;br /&gt;Pois eu que n’as canto, Virxe da Paloma,&lt;br /&gt;¡Ai!, ¿de qué a terei?&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;Bem sei que non hai nada&lt;br /&gt;Novo en baixo do ceo,&lt;br /&gt;Que antes outros pensaron&lt;br /&gt;As cousas que ora eu penso.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;E bem, ¿para que escribo?&lt;br /&gt;E bem, porque así semos,&lt;br /&gt;Relox que repetimos&lt;br /&gt;Eternamente o mesmo.&lt;br /&gt;III&lt;br /&gt;Tal como as nubes&lt;br /&gt;Que impele o vento,&lt;br /&gt;I agora asombran, i agora alegran&lt;br /&gt;Os espazos inmensos do ceo,&lt;br /&gt;Así as ideas&lt;br /&gt;Loucas que eu teño,&lt;br /&gt;As imaxes de múltiples formas,&lt;br /&gt;De estranas feituras, de cores incertos,&lt;br /&gt;Agora asombran,&lt;br /&gt;Agora acraran&lt;br /&gt;O fondo sin fondo do meu pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Como representantes da poesia atual, apresentam-se o poeta Celso Emilio Ferreiro e o prosador Xavier Frias-Conde.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Celso Emilio Ferreiro&lt;/strong&gt; (Celanova - Ourense, 1912 – Vigo, 1979).&lt;br /&gt;De família camponesa e galeguista, aos 22 anos fundou com José Velo Mosquera a Federação de Mocedades Galeguistas. Chegou a ser processado por um artigo publicado em &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Guieiro&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, revista que dirigia.&lt;br /&gt;Foi convocado para a Guerra Civil Espanhola pelas tropas de Franco. Em 1966 emigra para a Venezuela. Lá trabalhou no gabinete do presidente Rafael Caldera Rodríguez, que governou aquele país por duas vezes, de 1969 a 1074 e de 1994 a 1999.&lt;/span&gt;&lt;a title="Rafael Caldera Rodríguez" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Rafael_Caldera_Rodr%C3%ADguez"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="Rafael Caldera Rodríguez" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Rafael_Caldera_Rodr%C3%ADguez"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Ao voltar da emigração, passou a residir em Madri, onde exerceu o jornalismo. Escreveu prosa e poesia em castelhano e galego. Em galego, destacou-se por sua poesia de conteúdo social. Foi esta que lhe deu a reputação de grande escritor.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a name="Livros"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Suas principais obras são: &lt;em&gt;Cartafol de poesía&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;O sono sulagado&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Viaxe ao país dos ananos&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Terra de ningures&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Onde o mundo se chama Celanova,&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Longa noite de pedra&lt;/em&gt;. Esta última é a mais importante e conhecida e que deu nome a toda uma época da historia galega contemporánea. Publicou ainda a obra &lt;em&gt;Cimeterio privado&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Pela epígrafe, pelo estilo, pela temática e, inclusive, pelo título da obra, Celso Emilio Ferreiro se mostra admirador e seguidor do poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;POEMA&lt;/strong&gt; de &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Longa Noite de Pedra&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; - 1962 &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;p align="left"&gt;(&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;No meio do caminho tinha uma pedra&lt;br /&gt;tinha uma pedra no meio do caminho&lt;br /&gt;tinha uma pedra&lt;br /&gt;no meio do caminho tinha uma pedra&lt;/em&gt;.)&lt;br /&gt;(Carlos Drummond de Andrade)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5340548957124523330" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 176px; CURSOR: hand; HEIGHT: 296px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/Sh1w-yb9dUI/AAAAAAAAANQ/14FLQZK3Z9s/s320/TEXTO+Poema.bmp" border="0" /&gt; &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;strong&gt;Xavier Frias-Conde&lt;/strong&gt; (1965)&lt;br /&gt;Xavier Frias-Conde é escritor em língua galega, embora tenha publicado também em outras línguas, como o português e o espanhol. A sua obra poética contém literatura infantil (aproximadamente vinte títulos) e poesia para adultos (oito livros e muitas colaborações em revistas literárias). É professor universitário e trabalha também como tradutor de textos literários. Grande ensaísta, principalmente sobre a língua e a cultura galega. Sua residência oficial, desde 1974, é em Madri, mas passa grande parte da vida em Praga.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Só se vive desperto&lt;/strong&gt; (um microrrelato) &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;El acordou a tremer. Tivera o peor pesadelo da súa vida. Soñara que aboiaba entre cabichas, milleiros de cabichas, millóns de cabichas, aínda sen apagar, un mar de cabichas. E respiraba cabichas, afundía entre as cabichas, engulía cabichas... Non entendía por que aquel pesadelo que, amais, xa se repetira varias veces nas últimas semanas. Sinceramente, non entendía o porqué. Mais acordara tan nervioso que procurou acougo. Estricou a man, apañou un cigarro e prendeuno. E o fume chegoulle até o fondo. E despois, matou o cigarro e botou a cabicha ao chan, onde ela foi facer compaña a outras súas colegas que durmían o sono dos xustos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;VII – UM ADEUS A GALIZA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Assim, com esta breve passagem por estradas, caminhos, cidades, aldeias, despedimo-nos de Galiza. Ficou a memória de encontros com pessoas, recantos... Pudemos saborear pratos da rica culinária e ler alguns textos de escritores e poetas. Por tudo isso e por mais que não se diz, a Galiza permanecerá em nossa lembrança como uma região de lugares emblemáticos e de gente acolhedora.&lt;br /&gt;E para finalizar, quatro poemetos (com muita boa vontade, quatro haicais):&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;1&lt;/span&gt;. ALDEA DE COBADOSA&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5340250565588651186" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 206px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/ShxhmHV9jLI/AAAAAAAAAK4/bQeH1eF7mMk/s320/COBADOSA+A+Aldeia.bmp" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;En la Cobadosa,&lt;br /&gt;Provincia de Pontevedra,&lt;br /&gt;en su cueva la osa&lt;/em&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;2. VILA DE CAROY&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5340250211080531730" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 208px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/ShxhReso7xI/AAAAAAAAAKo/_dSpwBxeqxA/s320/CAROY+A+Vilinha.bmp" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Vila de Caroy.&lt;br /&gt;Sigo só pelos caminhos.&lt;br /&gt;Mas,ah! como dói! &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;"&gt;3. EIGREJA DE CAROY&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5340250369107160370" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 205px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/ShxharZH7TI/AAAAAAAAAKw/e3Xc_ak7r5s/s320/CAROY+Eigreja.bmp" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;"&gt;Siento un gran apelo&lt;br /&gt;frente al templo de Caroy.&lt;br /&gt;Yo me quedo suelo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;4. CORREDOIRA&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5340251378106156098" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 208px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/ShxiVaNOxEI/AAAAAAAAALg/uqtnx-DW4NU/s320/CORREDOIRA.bmp" border="0" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;"&gt;Pola estrada calma&lt;br /&gt;de Corredoira a Caroy,&lt;br /&gt;sigo eu e minh'alma.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6165605677969513844-547659123357153192?l=jaymebueno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaymebueno.blogspot.com/feeds/547659123357153192/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6165605677969513844&amp;postID=547659123357153192' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/547659123357153192'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/547659123357153192'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaymebueno.blogspot.com/2009/05/galiza-lingua-poesia-e-cultura.html' title='GALIZA - LÍNGUA, POESIA, CULTURA E MAIS'/><author><name>Jayme Ferreira Bueno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13660954942300311364</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SNWjxHcpZKI/AAAAAAAAAAg/QlFFARzY2qg/S220/Imagem+170blog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/Sh10o394PuI/AAAAAAAAANY/Llri5AA9idM/s72-c/PONTEVEDRA+L%C3%A9rez.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6165605677969513844.post-4060126474552167396</id><published>2009-05-18T14:30:00.000-07:00</published><updated>2009-05-19T05:58:53.247-07:00</updated><title type='text'>LITERATURA LATINA – UMA ODE DE HORÁCIO</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/ShHkhnd3OOI/AAAAAAAAAKg/u_aTio0lZDE/s1600-h/HOR%C3%81CIO+CasaCampo.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5337298299591801058" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 219px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/ShHkhnd3OOI/AAAAAAAAAKg/u_aTio0lZDE/s320/HOR%C3%81CIO+CasaCampo.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;"&gt;Local em que se erguia a Casa de Campo de Horácio na Sabina&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Foto: GEORGIN, Ch. &lt;em&gt;Les Latins&lt;/em&gt;. Paris: Hatier, s. d., p. 672)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;.&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;"&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A LITERATURA LATINA - Periodização&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;strong&gt;1.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Costuma-se dividir a literatura latina em 5 grandes épocas:&lt;br /&gt;I – Período de Influência Helênica (240 a.C. – 81 a.C.)&lt;br /&gt;II – A Época de Cícero (81– 43 a. C.)&lt;br /&gt;III – O Século de Augusto (43 a. C – 14 d. C.)&lt;br /&gt;IV – Período Imperial (14– 192 d. C.)&lt;br /&gt;V – A Literatura Cristã (séc. III– séc. V d. C.)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;As datas que costumam marcar a divisória temporal entre períodos literários são relativos quanto ao estilo propriamente. Eles marcam mais certos acontecimentos históricos e não literários propriamente. Toda periodização literária serve apenas como uma referência de determinada tendência literária que se pode situar de modo aproximado a cada um desses períodos historicamente marcados.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;2.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; O grande período da literatura latina foi, sem dúvida, o século de Agusto. É a denominada época de ouro. O grande apogeu econômico e cultural de Roma propiciou o aparecimento de grandes literatos, principalmente poetas. São exemplos Virgílio, Horácio e Ovídio, três dos maiores poetas latinos. Além deles, são dessa época, também, os líricos Tibulo e Propércio, e o historiador Tito Lívio.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3.&lt;/strong&gt; Para exemplificar um dos poetas mais versáteis da época, selecionamos Horácio (Quintus Horatius Flaccus 65 – 8 a. C.). É o grande poeta das &lt;strong&gt;Odes&lt;/strong&gt;, dos &lt;strong&gt;Epodos&lt;/strong&gt;, das &lt;strong&gt;Sátiras&lt;/strong&gt; e das &lt;strong&gt;Cartas&lt;/strong&gt;. Duas Cartas se tornaram famosas: a &lt;strong&gt;Carta a Mecenas&lt;/strong&gt; e a &lt;strong&gt;Carta aos Pisões&lt;/strong&gt;, esta conhecida como &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Arte Poética&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;.&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;4.&lt;/strong&gt; Mecenas (Gaius Cilinius Maecenas, 70 – 8 a. C.) foi político e diplomata romano, que se tornou conhecido por patrocinar poetas, como Virgílio, Propércio e Horácio. Rico, seu progresso político e sua grande influência se devem ao imperador Augusto, a quem serviu como secretário e conselheiro. A palavra &lt;strong&gt;mecenas&lt;/strong&gt; passou a significar aquele que patrocina a cultura, a ciência e as artes.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;5.&lt;/strong&gt; Com uma pensão e bens recebidos de Mecenas, Horácio pôde viver tranquilo em sua casa de campo e dedicar-se inteiramente à poesia e à filosofia. Rejeitou cargos públicos e preferiu uma vida íntima de inteira doação à arte e ao pensamento.&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;6.&lt;/strong&gt; Há vários poemas em que Horácio se refere ao seu grande protetor. Constam pelo menos sete &lt;strong&gt;Odes&lt;/strong&gt; e quatro &lt;strong&gt;Epodos&lt;/strong&gt; em agradecimento a Mecenas, além de algumas &lt;strong&gt;Cartas&lt;/strong&gt;, poemas escritos em agradecimento ao seu protetor pelos favores recebidos.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;7.&lt;/strong&gt; Como exemplo, na &lt;strong&gt;Ode&lt;/strong&gt; 1, do livro I, diz:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Maecenas, atavis edite regibus, / O et praesidium et dulce decus meum&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; (Mecenas, descendente de altos reis, / ó minha glória e meu doce amparo).&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;8. A seguir uma &lt;strong&gt;Ode&lt;/strong&gt; de Horácio (Quintus Horatius Flaccus (65 - 8 a.C.):&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a name="6203726471037832762"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ODE&lt;/strong&gt; - I, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;11&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;"&gt;Tu ne quaesieris, scire nefas, quem mihi, quem tibi&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;"&gt;finem di dederint, Leuconoe, nec Babylonios&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;"&gt;temptaris numeros, ut melius, quidquid erit, pati.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;seu pluris hiemes seu tribuit Iuppiter ultimam,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;"&gt;quae nunc oppositis debilitat pumicibus mare&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;"&gt;Tyrrhenum: sapias, vina liques et spatio brevi&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;"&gt;spem longam reseces.dum loquimur, fugerit invida&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;aetas: carpe diem quam minimum credula postero&lt;/span&gt;.&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;strong&gt;ODE&lt;/strong&gt; I, &lt;span style="font-size:100%;"&gt;11 - &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;(Tradução minha)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Leuconoe, não indagues - saber seria nefasto –&lt;br /&gt;que fim a mim e a ti os deuses a nós reservaram,&lt;br /&gt;nem consultes os difíceis cálculos dos babilônios,&lt;br /&gt;mesmo porque o melhor é aceitar o que nos vier.&lt;br /&gt;Quer seja este inverno um dos muitos, ou que seja o último&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;que Júpiter te conceda, este que, agora, se desfaz&lt;br /&gt;como espuma no mar Tirreno: prepara o teu vinho,&lt;br /&gt;abrevia esperanças longas, porque o tempo é breve.&lt;br /&gt;Ele nos foge enquanto falamos: colhe este dia,&lt;br /&gt;porque sobre os vindouros dias nada saberemos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;strong&gt;NOTAS&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;:&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;1.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; Esta &lt;strong&gt;Ode&lt;/strong&gt; de Horácio é a de número 11 do livro I.&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;2.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; Metricamente, ela se compõe de dois &lt;strong&gt;espondeus&lt;/strong&gt; ( - - ) e quatro &lt;strong&gt;dátilos&lt;/strong&gt; ( - u u ), que são pés métricos de quatro tempos. Cada sílaba longa ( - ) equivale a dois tempos; e cada sílaba breve ( u ), a um tempo. Um &lt;strong&gt;espondeu&lt;/strong&gt; ( - - ) é o pé métrico de quatro tempo composto por duas sílabas longas. O &lt;strong&gt;dátilo&lt;/strong&gt; ( - u u ) é o pé métrico, também de quatro tempos, formado por uma sílaba longa e duas breves. Esta &lt;strong&gt;Ode&lt;/strong&gt;, que mistura &lt;strong&gt;espondeus&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;dátilos&lt;/strong&gt;, emprega, portanto, versos de ritmo quaternário.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3.&lt;/strong&gt; A tradução está feita em versos de 14 sílabas. Alguns autores costumam chamar de &lt;strong&gt;versos bárbaros&lt;/strong&gt; a todo verso com mais de 12 sílabas, especialmente o de 14, que é o mais empregado, inclusive pelos parnasianos.&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;4. &lt;strong&gt;Leuconoe&lt;/strong&gt; – etimologicamente significa &lt;strong&gt;ingênua&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;pura&lt;/strong&gt;. (Do grego &lt;strong&gt;&lt;em&gt;leukós&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; = &lt;strong&gt;branco&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;puro&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;limpo&lt;/strong&gt;; e &lt;strong&gt;&lt;em&gt;noós&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, por contração, &lt;strong&gt;&lt;em&gt;nous&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; = &lt;strong&gt;inteligência&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;alma&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;coração&lt;/strong&gt;).&lt;br /&gt;É nome feminino tradicional na literatura latina. Foi dado pelo historiador Higino (Gaius Julius Hyginus, 64 a. C. – 17 d. C.) a uma irmã de Netuno e esposa de Apolo. Ovídio (Publius Ovidius Naso, 43 a. C. – 18 d. C.) assim chamou uma das irmãs de Mínias (rei e herói grego).&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;5.&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Babylonios numeros&lt;/strong&gt; = &lt;span style="font-family:georgia;"&gt;cálculos astrológicos em que os caldeus eram mestres, e famosos em Roma.&lt;br /&gt;4. Hiems, em latim, tem o sentido também de um ano, principalmente em uma situação poética, em que se emprega tal palavra como metáfora&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Concluindo, esta apresentação teve a intenção de rever a velha literatura latina, que, embora bastante devedora à literatura grega, não deixou de ser marco importante para as literaturas das línguas neolatinas. O Renascimento, período do Classicismo, foi todo ele influenciado por gregos e latinos, mas principalmente por estes últimos. Não podemos esquecer que a Língua Portuguesa foi chamada por Olavo Bilac de “Última flor do Lácio”, em homenagem à região da Península Itálica - &lt;em&gt;Latium&lt;/em&gt; -, a que mais prosperou por suas condições geográficas. Foram as condições climáticas, geográficas de uma vasta planície que propiciaram aos latinos se desenvolverem, progredirem e, inclusive, suplantar inicialmente os seus vizinhos oscos e umbros. Mais tarde partiram para as grandes conquistas bélicas, que foram base para o vasto e poderoso Império Romano.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6165605677969513844-4060126474552167396?l=jaymebueno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaymebueno.blogspot.com/feeds/4060126474552167396/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6165605677969513844&amp;postID=4060126474552167396' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/4060126474552167396'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/4060126474552167396'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaymebueno.blogspot.com/2009/05/literatura-latina-uma-ode-de-horacio.html' title='LITERATURA LATINA – UMA ODE DE HORÁCIO'/><author><name>Jayme Ferreira Bueno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13660954942300311364</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SNWjxHcpZKI/AAAAAAAAAAg/QlFFARzY2qg/S220/Imagem+170blog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/ShHkhnd3OOI/AAAAAAAAAKg/u_aTio0lZDE/s72-c/HOR%C3%81CIO+CasaCampo.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6165605677969513844.post-852264816823485414</id><published>2009-05-09T10:29:00.000-07:00</published><updated>2009-05-09T12:07:26.406-07:00</updated><title type='text'>JOÃO CABRAL DE MELO NETO AMANDO SEVILHA</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Só em Sevilha o corpo está &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;com todos os sentidos em riste&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(João Cabral de Melo Neto)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5333891312182553746" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 263px; CURSOR: hand; HEIGHT: 190px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SgXJ42Uu7JI/AAAAAAAAAJo/zyjqWVRqBB8/s320/SEVILLA+Vis%C3%A3o.bmp" border="0" /&gt;A obra poética de João Cabral de Melo Neto, por ser uma das mais complexas, e não só da literatura brasileira, enseja os mais variados enfoques. Há críticos que escolhem o lado geométrico, desenhado de seus poemas, como influência para a poesia concreta; outros selecionam o aspecto visual; e outros, ainda, vão fazer leituras de seus poemas sob a ótica as contribuições de Bachelard para os estudos literários. Estudos dessas e de outras naturezas iluminam os textos do grande poeta pernambucano.&lt;br /&gt;Para uma visão rápida de alguns poemas de João Cabral, procuramos apoiar-nos na grande admiração, amor mesmo, pela cidade de Sevilha, na hoje Andaluzia espanhola. Embora tenha vivido em outras tão diferentes cidades da Europa, da África, da América do Sul, da América Central e própria Espanha, Madri e Barcelona, a nenhuma delas o poeta devota tanta admiração e amor como a Sevilha, a quem (porque cidade e mulher) entregou-se de corpo e alma.&lt;br /&gt;Vivendo em Sevilha, por treze anos, embora em vezes diferentes, nela exerceu o cargo de Cônsul do Brasil. Nessa cidade do sul da Espanha, João Cabral de Melo Neto buscou assimilar a literatura, a arte e muito especialmente a cultura popular. Em intensa vivência, embebeu-se da poesia gitana, do flamenco, do cante hondo. Para tanto, foi assíduo frequentador de lugares típicos: tablaos, barrios gitanos, plaza de toros, tascas... Conviveu com o povo sevilhano uma profunda relação de amigo, admirador e divulgador de artistas, toreros, cantaores, bailaoras. Enfim, ao produzir uma poesia impregnada de palavras e figuras andaluzas, contribuiu para a divulgação dessa vasta cultura, principalmente daquela do povo mais simples e, por isso mesmo, muitas vezes, discriminadas por certas classes.&lt;br /&gt;Nestas duas estrofes do poema Viver Sevilha, João Cabral declara:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Só em Sevilha o corpo está &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;com todos os sentidos em riste, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;sentidos que nem se sabia, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;antes de andá-la, que existissem;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sentidos que fundam num só: &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;viver num só o que nos vive,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;que nos dá a mulher de Sevilha &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;e a cidade ou concha em que vive.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta outra confissão, agora em prosa, o poeta afirma:&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;Sevilha é uma cidade intima. Você anda nas ruas de Sevilha como você anda no corredor de sua casa. É difícil explicar, aqui no Brasil, o que é uma corrida de touros, o que é um toureiro... um taurino ... para compreender o que é um taurino é preciso ter vivido na Espanha como eu, que vivi treze anos lá&lt;/em&gt;."&lt;br /&gt;Estes textos levaram habitantes ilustres de Sevilha a se manifestarem sobre o conhecimento e o apreço que João Cabral tinha da cidade:&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;Ele era um poeta com sensibilidade. Um poeta que sabia apreciar o mundo das touradas, dos touros. Que apreciava o flamenco em toda sua gama: o " baile ", o " cante" e a guitarra. É preciso ter muita sensibilidade para entender tudo isso. Especialmente para quem não é da Espanha e não nasceu em Sevilha&lt;/em&gt;. " (Manolo Vazques, toureiro).&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;É muito bonito quando ele fala de Sevilha, do aspecto feminino da cidade, quando a compara a uma mulher andando nas ruas, pisando o chão, sob a luz e na obscuridade, nos recantos bonitos e nas ruas tranqüilas. O olhar de Cabral é muito profundo e não fica no aspecto exterior. Ele vai sempre até o centro das coisas&lt;/em&gt;." (Pablo del Barco, poeta e escritor).&lt;br /&gt;O amplo conhecimento de Sevilha e seus lugares típicos fez com que poetizasse esses locais, como Calle Relator, Plaza Pumarejo, Calle Sierpes, Calle San Luis; os bairros de El Arenal; Triana, Macarena, Santa Cruz, Santa Maria La Blanca, São Bernardo, este frequentado por toreros; e cidades próximas como Utrera e Carmona. A cada um desses lugares referiu-se em poemas nos quais aliava o próprio local a poetas famosos que antes dele os haviam poetizado.&lt;br /&gt;Para o pensamento geometrizante, proporcional e de uma lógica muito particular de João Cabral, Recife é Sevilha, e o Guadalquivir corresponde ao seu Capibaribe. A secura dos campos andaluzes são as pedras do sertão nordestino, assim como a planura do Mediterrâneo são os verdes canaviais de Pernambuco. Em Sevilha em Casa, escreveu:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sevilha veio a Pernambuco &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;porque Aloísio lhe dizia &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;que o Capibaribe e o Guadalquivir &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;são de uma só maçonaria.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Para mostrar o apego motivacional e poético de João Cabral por Sevilha, pode-se começar, como abertura, por esta sua:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;AUTO-CRÍTICA&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Só duas coisas conseguiram&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;(des)feri-lo até a poesia:&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;o Pernambuco de onde veio&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;e o aonde foi, a Andaluzia.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Um, o vacinou do falar rico&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;e deu-lhe a outra, fêmea e viva,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;desafio demente: em verso&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;dar a ver Sertão e Sevilha.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Para João Cabral, apenas duas coisas o despertaram para a poesia, Pernambuco e Sevilha. A secura de Pernambuco ensinou-lhe a secura da poesia, e Sevilha sempre foi para ele, poeta, um desvairado desafio.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;2. Andando e amando Sevilha, o poeta vai, pouco a pouco, ilustrando a sua vivência sevilhana com poesia, como nesta estrofe de Estudos para uma Bailarina Andaluza:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5333902011635071250" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 230px; CURSOR: hand; HEIGHT: 307px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SgXTno4_-RI/AAAAAAAAAKY/_WUjcTLD7Bg/s320/BAILAORA.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Dir-se-ia, quando aparece &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;dançando por &lt;strong&gt;siguiriyas&lt;/strong&gt;, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;que com a imagem do fogo&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;inteira se identifica.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Aqui é o mundo das “bailaoras” que aparece vivo. São elas, “las gitanas andaluzas” que bailam ao som “del cante flamenco”, nos “tablaos” de bairros típicos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;3. As andaluzas, sejam de Sevilha ou de Cádiz, ou de qualquer outra cidade daquela região da Espanha, estão sempre presentes na sua poesia, como nesta primeira parte de Retrato de Andaluzia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Estatura pequena e nítida &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;das cidades de onde ela era: &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;daquele justo para o abraço &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;que é de Cádiz, onde nascera, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;e de Sevilha, onde vivia &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;e se dizia, mas não era: &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;cidades que ainda se podem &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;abraçar de uma vez, completas, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;e que dão certo estar-se dentro, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;àquele que as habita ou versa, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;a entrega inteira, feminina, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;e sensual ou sexual, de sesta.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Nestes versos, vislumbram-se duas cidades próximas, Sevilha perto do mar, e Cádiz, porto desse mar. Encontram-se a pouca distância uma da outra, ambas são capitais de províncias andaluzas. Assim, por serem irmãs próximas podem abraçar-se. Ambas são próprias para abraços, por acolhedoras que são. Inclusive, aqui, se inclui o fato de Cádiz encontrar-se numa parte mais ampla de pequena península e, portanto, rodeada de águas. É como se estivesse continuamente abraçada pelo Mediterrâno. Por isso, nela, pode dar-se um “certo estar-se dentro”, como também em Sevilha. Nelas acontece, porque ambas, femininas, “a entrega inteira”, “sensual e sexual” e de “sesta”, o horário em que em cidades tão quentes dá-se o inteiro fechar-se, sem sair às ruas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;4. O mundo dos touros, a tauromaquia, de que tanto gostava e frequentava, está, por exemplo no poema Alguns Toureiros: &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5333891442955546674" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 153px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SgXKAdfccDI/AAAAAAAAAJw/EO1VT9-ve9g/s320/EL+TOREO.bmp" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:100%;color:#3366ff;"&gt;Un cartel de corridas&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Eu vi Manolo González &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;e Pepe Luís, de Sevilha: &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;precisão doce de flor, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;graciosa, porém precisa. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Vi também Julio Aparício, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;de Madrid, como Parrita: &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;ciência fácil de flor, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;espontânea, porém estrita. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Vi Miguel Báez, Litri, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;dos confins da Andaluzia, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;que cultiva uma outra flor: &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;angustiosa de explosiva. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;E também Antonio Ordóñez, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;que cultiva flor antiga: &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;perfume de renda velha, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;de flor em livro dormida. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Mas eu vi Manuel Rodríguez, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Manolete, o mais deserto, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;o toureiro mais agudo, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;mais mineral e desperto,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o de nervos de madeira, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;de punhos secos de fibra &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;o da figura de lenha &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;lenha seca de caatinga,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o que melhor calculava &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;o fluido aceiro da vida, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;o que com mais precisão &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;roçava a morte em sua fímbria, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;o que à tragédia deu número, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;à vertigem, geometria &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;decimais à emoção &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;e ao susto, peso e medida, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;sim, eu vi Manuel Rodríguez, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Manolete, o mais asceta, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;não só cultivar sua flor &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;mas demonstrar aos poetas: &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;como domar a explosão &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;com mão serena e contida, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;sem deixar que se derrame &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;a flor que traz escondida, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;e como, então, trabalhá-la &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;com mão certa, pouca e extrema: &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;sem perfumar sua flor, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;sem poetizar seu poema.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5333891727042313506" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 266px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SgXKQ_zAfSI/AAAAAAAAAKA/Pw6WxWvOq-c/s320/PLAZA+TOROS.bmp" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#3366ff;"&gt;La Maestranza&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Percebe-se pelo poema a intensa frequencia “a las plazas de toros”. Em Sevilha, está uma das mais famosas da Espanha, “la Real Maestranza de Caballería”. Situa-se no bairro de Arenal, um dos mais típicos daquela cidade. João Cabral torna “el toreo” um verdadeiro poema. O toureiro é o poeta; o tourear, o poema; e cada movimento na arena, é a metáfora contida no poema. Daí o elogio incontido a um dos maiores toureiros da Espanha, Manolete, que não só cultivava a sua poesia, como a demonstrava a outros poetas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;5. Nos bares da cidade, o poeta aprendeu a beber “a palo seco”, como dizem os boêmios sevilhanos. Beber apenas beber, sem mais nada. Nos tablados flamengos, apendeu que cantar “a palo seco” é apenas cantar. É um cantar solitário, sem acompanhamento. Diz João Cabral no início do poema A Palo Seco:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Se diz a &lt;strong&gt;palo seco&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;o cante sem guitarra;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;o cante sem; o cante;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;o cante sem mais nada.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;João Cabral aproxima o “cante a palo seco” à sua própria poesia. Uma poesia seca, feita de silêncios, uma poesia só poesia. Segue, assim, o ensinamento que aprendeu no canto: “A palo seco existem / situações e objetos: / Graciliano Ramos, / desenho de arquiteto”.&lt;br /&gt;O que de fato pode existir de mais seco, de “mais sem nada” do que simples objetos, do que os textos de Graciliano Ramos, do que um desenho de arquiteto. Eles são solitários, valem por si.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;6. O bairro de Sevilha que ilustra a andança de João Cabral pela cidade é Arenal. Lamenta o poeta as mudanças havidas e, por essas, já quase nada mais existe do antigo e verdadeiro. A cidade modernizou-se. Só resta do outro lado do rio o bairro de Triana. É o que nos diz no poema O Arenal de Sevilha:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5333891862688487970" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 218px; CURSOR: hand; HEIGHT: 251px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SgXKY5Hk2iI/AAAAAAAAAKI/YTt_DWd9pXU/s320/TORRE+Oro.bmp" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;&lt;strong&gt;Torre de Oro&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Já nada resta do Arenal &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;de que contou Lope de Vega. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;A Torre do Ouro é sem ouro &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;senão na cúpula amarela.&lt;br /&gt;Já não mais as frotas das Índias, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;e esta hoje se diz América; &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;nem a multidão de mercado &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;que se armava chegando elas.&lt;br /&gt;Já Riconete e Cortadilho &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;dormem no cárcere dos clássicos &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;e é ponte mesmo, de concreto, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;a antiga Ponte de Barcos.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Urbanizaram num Passeio &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;o formigueiro que antes era; &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;só, do outro lado do rio, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;ainda Triana e suas janelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;O bairro Arenal é onde se encontram alguns dos monumentos mais famosos como a “Torre del Oro”, a “plaza de toros de la Maestranza”. Foi nesse bairro que teria surgido o mito de Don Juan, depois imortalizado literariamente pelo poeta barroco Tirso de Molina e, mais tarde, pelo romântico Francisco Zorilla, com a peça Don Juan Tenorio. Inspirou também Cervantes, o escitor francês Merimée, que escreveu a novela Carmen, base para ópera homônima do compositor também francês Bizet. Carmen seria uma jovem vendedora de cigarros, mas também dançarina atraente de Arenal. O bairro foi também motivo da obra do renascentista Lope de Vega, El Perro del Hortelano y el Arenal de Sevilla.&lt;br /&gt;A modernização que conheceu João Cabral, e muito mais aquela sofrida depois da Exposição Universal de Sevilha, em 1992, fez com que a cidade se transformasse completamente em especial nesse espaço entre os bairros de Arenal e de Triana. Foi aí que se instalaram os pavilhões da grande Feira. Foi aí que se construiu a estação ferroviária para receber o AVE – o trem de alta velocidade, que liga Sevilha a Madri. Surgiram novas e moderníssimas pontes.&lt;br /&gt;Nada disso, porém, pode ofuscar o antigo brilho da cúpula da “Torre del Oro”, o mistério da antiga Ponte de Barcos. O antigo espaço foi urbanizado num longo passeio. Só restou a poesia de Triana e de suas janelas, no outro lado do Guadalquivir.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;7. Não se poderia esquecer uma rua de Sevilha. Fica, como exemplo, a Calle Relator, local que inspirou João Cabral de Melo Neto a “contar” poeticamente o Crime na Calle Relator, título de um poema e de um livro de João Cabral de Melo Neto. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5333891576194032514" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 289px; CURSOR: hand; HEIGHT: 231px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SgXKIN1-Y4I/AAAAAAAAAJ4/IsemwJ_Mt6c/s320/CALLE+Relator.bmp" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;color:#3366ff;"&gt;&lt;strong&gt;Calle Relator&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;CRIME NA CALLE RELATOR&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Achas que matei minha avó?&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;O doutor à noite me disse:&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;ela não passa desta noite;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;melhor para ela, tranqüilize-se.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;À meia-noite ela acordou;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;não de todo, a sede somente;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;e pediu: Dáme pronto, hijita,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;una poquita de aguardiente.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Eu tinha só dezesseis anos;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;só, em casa com a irmã pequena:&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;como poder não atender&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;a ordem da avó de noventa?&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Já vi gente ressuscitar&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;com simples gole de cachaça&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;e arrancarse por &lt;strong&gt;bulerías&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;gente da mais encorujada.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;E mais: se o doutor já dissera&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;que da noite não passaria&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;por que negar uma vontade&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;que a um condenado se faria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui a esse bar do Pumarejo&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;quase esquina de San Luís;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;comprei de fiado uma garrafa&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;de aguardente (cazzala e anis)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;que lhe dei cuidadosamente&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;como uma poção de farmácia,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;medida, como uma poção,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;como não se mede a cachaça;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;que lhe dei com colher de chá&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;como remédio de farmácia:&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Hijita, bebi lo bastante,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;disse com ar de comungada.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Logo então voltou a dormir&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;sorrindo em si como beata,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;um semi-sorriso de gracias&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;aos santos óleos da garrafa.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;De manhã acordou já morta&lt;/em&gt;,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;e embora fria e de madeira,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;tinha defunta o riso ainda&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;que a aguardente lhe acendera.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Aqui se dramatiza a culpa da jovem que ficou entre o dever de atender à sua querida avó e o perigo que poderia causar à saúde da velhinha adoecida. Teria cpometido um crime? O poeta a perdoa. Para ele, o que ela fez foi um grande bem. A doente conciliou o sono e pode reencontrar o riso perdido.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;8. A cidade selecionada para representar localidades da província de Sevilha, foi Carmona. Aqui o poeta viu a arte de um ferrageiro, nas rendas de suas grades de ferro. Em O Ferrageiro de Carmona, o poeta aprendeu poesia. É arte difícil e deve ser feita à mão e não moldada em forma. Éo que se lê nestas estrofes selecionadas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O FERRAGEIRO DE CARMONA&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Um ferrageiro de Carmona,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;que me informava de um balcão:&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;"Aquilo? É de ferro fundido,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;foi a forma que fez, não a mão.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Só trabalho em ferro forjado&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;que é quando se trabalha ferro&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;então, corpo a corpo com ele,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;domo-o, dobro-o, até o onde quero.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;O ferro fundido é sem luta &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;é só derramá-lo na forma. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Não há nele a queda de braço &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;e o cara a cara de uma forja.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Existe a grande diferença &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;do ferro forjado ao fundido: &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;é uma distância tão enorme &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;que não pode medir-se a gritos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conhece a Giralda, em Sevilha?&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;De certo subiu lá em cima.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Reparou nas flores de ferro&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;dos quatro jarros das esquinas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois aquilo é ferro forjado.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Flores criadas numa outra língua.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Nada têm das flores de forma,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;moldadas pelas das campinas.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Dou-lhe aqui humilde receita,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Ao senhor que dizem ser poeta:&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;O ferro não deve fundir-se&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;nem deve a voz ter diarréia.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Forjar: domar o ferro à força,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;não até uma flor já sabida,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;mas ao que pode até ser flor&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;se flor parece a quem o diga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;O que o ferrageiro fazia era pura arte, pura poesia. Não escolhia o caminho fácil do ferro fundido, mas o trajeto difícil do ferro forjado. Forjado é o ferro, forjada é a poesia de João Cabral. O ferrageiro, semioticamente, sabia a diferença de linguagem que há entre o fazer flores de ferro e fazer poesia. Cada uma usa uma língua diferente. Era capaz ainda o ferrageiro de dar sábia lição: “o ferro não deve fundir-se / nem deve a voz ter diarréia”. Tudo deve ser difícil, contido, metáfora da própria poesia de João Cabral de Melo Neto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;9. João Cabral de Melo Neto afastou-se, ou teve de afastar-se fisicamente, de Sevilha. Porém, o poeta levou-a consigo. Ela o acompanhou na memória e nos versos. Assim a cidade passou a ser algo que o acompanharia sempre, Coisas de Cabeceira, Sevilha, que é o título de um de seus poemas. Nesta primeira parte, lemos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Diversas coisas se alinham na memória &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;numa prateleira com o rótulo: Sevilha. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Coisas, se na origem apenas expressões &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;de ciganos dali; mas claras e concisas &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;a um ponto de se considerarem em coisas, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;bem concretas, em suas formas nítidas.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;strong&gt;Por estes versos pode-se notar mais uma vez a admiração de João Cabral pela concisão. O falar cigano é claro e comedido a ponto de se transformarem em coisas concretas, como queria o poeta que fosse a poesia. A sua era.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;10. A despedida de João Cabral ao deixar Sevilha deve ter sido um momento de sofrimento para o poeta. Ao receber o adeus de seus amigos, procurou exorcizar esse sentimento de perda ao poetizar esse instante no poema Na Despedida de Sevilha:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;NA DESPEDIDA DE SEVILHA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"&lt;strong&gt;Tó lo bueno le venga a U’ted.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não viveu cá como um qualquer.&lt;br /&gt;Conheceu Sevilha como a Bíblia&lt;br /&gt;fala de conhecer mulher.&lt;br /&gt;..&lt;br /&gt;Sei tudo dessas relações&lt;br /&gt;de corpo, que não o deixarão&lt;br /&gt;ir de Sevilha a outra Cidade&lt;br /&gt;como alguém que se lava as mãos.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Sei que sabe de tudo, até&lt;br /&gt;dos estilos de matar touros;&lt;br /&gt;do &lt;strong&gt;flamenco&lt;/strong&gt; e sua goela extrema,&lt;br /&gt;de sua alma esfolada, sem couro.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Sei que bem sabe distinguir&lt;br /&gt;a &lt;strong&gt;soleá&lt;/strong&gt; de uma &lt;strong&gt;siguiriya&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;Sei que conhece casa a casa,&lt;br /&gt;sua cal de agora e a cal antiga.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Sei que entende nossos &lt;strong&gt;infundios&lt;/strong&gt;,&lt;br /&gt;nossa verdade de mentira&lt;br /&gt;que o sevilhano faz mais franco&lt;br /&gt;mas nunca um Franco nem polícia&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Eu, como simples sevilhano,&lt;br /&gt;só sei &lt;/em&gt;adiós&lt;em&gt; na minha língua,&lt;br /&gt;nesse andaluz de que a gramática&lt;br /&gt;fala desde Madrid, e de cima.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vaya con Dió&lt;/strong&gt;! com o gracioso&lt;br /&gt;que anda na boca das ciganas,&lt;br /&gt;no Pumarejo, em Santa Cru,&lt;br /&gt;nos cais da Barreta e Triana.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.Repito &lt;strong&gt;adió&lt;/strong&gt;! nesse andaluz&lt;br /&gt;que é o espanhol com mais imagens,&lt;br /&gt;que faz a cigana e a duquesa&lt;br /&gt;benzerem-se igual: &lt;strong&gt;Qué mal ange!”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;João Cabral, ao deixar Sevilha, recebe as homenagens do homem simples, do andaluz autêntico, daquele que fala as palavras formalmente incompletas, mas completas no seu conteúdo, no sentimento que essas palavras expressam. “Que todo o bem o acompanhe”; “Segue com Deus!”; “adeus”. Era uma despedida de alguém que conhecia e sabia tudo de Sevilha. Sevilha é conhecida em seus recantos mais íntimos. É cidade e é mulher. Entende de touradas, de cantares populares, das pequenas mentiras, fingimentos, em que o sevilhano é mestre. Só o andaluz poderia reduzir uma expressão “que mala sangre”, em “qué mal ange”, que literalmente poderia ser “que mau caráter!”, mas transforma-se numa interjeição que pode admitir o sentido segundo a situação. Essa riqueza da fala do povo encantou o poeta e nela foi buscar fonte de – não direi inspiração – motivo para a sua poesia.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Finalizando, vamos procurar seguir o preceito do poeta. Já que não se pode humanizar a terra, vamos que se sevilhize o mundo. É o que faz João Cabral no poema Sevilhizar o Mundo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Como é impossível, por enquanto,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;civilizar toda a terra,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;o que não veremos, verão,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;de certo, nossas tetranetas,&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;infundir na terra esse alerta,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;fazê-la uma enorme Sevilha, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;que é a contra-pelo, onde uma viva&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;guerrilha do ser, pode a guerra.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Sevilha está presente em todos que a conhecem, localmente ou pela imaginação. Eu, agora, com João Cabral de Melo Neto revisitei Sevilha, andei Sevilha, amei Sevilha e aprendi poesia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6165605677969513844-852264816823485414?l=jaymebueno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaymebueno.blogspot.com/feeds/852264816823485414/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6165605677969513844&amp;postID=852264816823485414' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/852264816823485414'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/852264816823485414'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaymebueno.blogspot.com/2009/05/joao-cabralde-melo-neto-amando-sevilha.html' title='JOÃO CABRAL DE MELO NETO AMANDO SEVILHA'/><author><name>Jayme Ferreira Bueno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13660954942300311364</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SNWjxHcpZKI/AAAAAAAAAAg/QlFFARzY2qg/S220/Imagem+170blog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SgXJ42Uu7JI/AAAAAAAAAJo/zyjqWVRqBB8/s72-c/SEVILLA+Vis%C3%A3o.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6165605677969513844.post-5106214603189410347</id><published>2009-04-29T09:26:00.000-07:00</published><updated>2009-04-29T10:12:32.941-07:00</updated><title type='text'>GEIR CAMPOS E A GERAÇÃO DE 45</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SfiJqXAUnII/AAAAAAAAAJg/QvNVOv-wgf8/s1600-h/GEIR+CAMPOS+Dic..bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5330161519815859330" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 138px; CURSOR: hand; HEIGHT: 249px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SfiJqXAUnII/AAAAAAAAAJg/QvNVOv-wgf8/s320/GEIR+CAMPOS+Dic..bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Geir Nuffer Campos é um poeta capixaba (São José do Calçado/ES, 1924 - Niterói, 1999). Exerceu várias profissões. Foi jornalista, diagramador gráfico e inclusive piloto da marinha mercante e ex-combatente civil na Segunda Guerra Mundial.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Formado em Teatro e depois doutor em Comunicação Social, foi professor na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Colaborou em diversos diários do Rio de Janeiro e do Espírito Santo. Como radialista, apresentou programa sobre poesia na Rádio MEC, por mais de 20 anos. Foi também diretor da Biblioteca Pública Estadual de Niterói. É autor da letra do Hino de Brasília.&lt;br /&gt;Literariamente, começou em 1940, escrevendo contos e poemas originais ou traduzidos. É de 1950 o seu seu primeiro livro Rosa dos rumos. Na continuidade, publicou várias outras obras poéticas. Os principais são: Da profissão do poeta, Canto claro e poemas anteriores, Operário do canto, Cantigas de acordar mulher, Metanáutica" e Canto de peixe, dentre outros. É também autor do Pequeno Dicionário de Arte Poética, importante guia para quem gosta de saber um pouco mais sobre poesia. Em 1956, recebeu o prêmio Olavo Bilac pelo livro Canto claro e poemas anteriores.&lt;br /&gt;Ao lado de Péricles Eugênio da Silva Ramos, Alphonsus de Guimaraesn Filho, João Cabral de Melo Neto, Paulo Mendes Campos, Ledo Ivo, José Paulo Paes, dentre o s mais conhecidos, Geir Campos participou ativamente do grupo que ficou conhecido por Geração 45. No manifesto do grupo, lê-se: Somos na realidade um novo estado poético, e muitos são os que buscam um novo caminho fora dos limites do modernismo”.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Seguem três comentários críticos sobre Geir Campos:&lt;br /&gt;1. “Com Operário do Canto, Geir Campos volta a mover a poesia social, para demonstrar que a preocupação social não perturba a tessitura lírica”. (Adonias Filho)&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;2. “A poesia de Geir Campos tem circulação, ousadia e canto. Ninguém pode equivocar-se: aproximando o ouvido, sentimo-la como um rumor de cristal errante, sentido e som da poesia verdadeira.” (Pablo Neruda)&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Dos mais destacados poemas de Geir Campos, seguem:&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;TAREFA&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Morder o fruto amargo e não cuspir&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;mas avisar aos outros quanto é amargo,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;cumprir o trato injusto e não falhar&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;mas avisar aos outros quanto é injusto,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;sofrer o esquema falso e não ceder&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;mas avisar aos outros quanto é falso;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;dizer também que são coisas mutáveis...&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;E quando em muitos a noção pulsar&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;— do amargo e injusto e falso por mudar —&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;então confiar à gente exausta o plano&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;de um mundo novo e muito mais humano.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(Poema do livro &lt;em&gt;Geir Campos: antologia poética&lt;/em&gt;, Léo Christiano Editorial. Org. Israel Pedrosa: Rio de Janeiro, 2003, p. 89).&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;SAFRA&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Como um viticultor ocioso come&lt;br /&gt;em pleno outono, uma por uma, as uvas&lt;br /&gt;do cacho que ele viu nascer, pesar,&lt;br /&gt;sob os olhos do sol e o próprio olhar;&lt;br /&gt;e em que, mais demorando o paladar&lt;br /&gt;na espera aberta entre o prazer e a fome,&lt;br /&gt;já reconhece o gosto bom das chuvas&lt;br /&gt;lavando os fornos do verão distante;&lt;br /&gt;e, como uma saudade só, o sabor&lt;br /&gt;da terra presa às mãos grossas de suor&lt;br /&gt;— assim viver a vida, instante a instante.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;FOGUEIRA&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;em&gt;Os gnomos do bosque desabotoam&lt;br /&gt;as toscas pelerines de cortiça&lt;br /&gt;forradas com cetim púrpura e ouro:&lt;br /&gt;o mais sanguíneo deles inaugura&lt;br /&gt;um inferno menor, e todos dançam,&lt;br /&gt;enquanto as labaredas tremem como&lt;br /&gt;mãos de noivas sem tálamo, acenando&lt;br /&gt;para o vento cantor que as chora ausentes&lt;br /&gt;— e também chora, nas árvores altas,&lt;br /&gt;a mágoa obscura de não serem flautas.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;HAICAIS&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;1.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Vento da manhã&lt;br /&gt;varre as folhas pelo chão&lt;br /&gt;do dia que nasce.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;2.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Olhos de afogado:&lt;br /&gt;são de ver coisas terríveis&lt;br /&gt;no fundo do mar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(Poemas do Jornal de Poesia. &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.revista.agulha.nom.br/"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;www.revista.agulha.nom.br/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;ALBA&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Não faz mal que amanheça devagar,&lt;br /&gt;as flores não têm pressa nem os frutos:&lt;br /&gt;sabem que a vagareza dos minutos&lt;br /&gt;adoça mais o outono por chegar.&lt;br /&gt;Portanto não faz mal que devagar&lt;br /&gt;o dia vença a noite em seus redutos&lt;br /&gt;de leste - o que nos cabe é ter enxutos&lt;br /&gt;os olhos e a intenção de madrugar.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(Poema de &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.almadepoeta.com/"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;www.almadepoeta.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;)&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;Do livro Da profissão do poeta, que foi dedicado a Paulo Mendes Campos, são estes poemas: &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;DA IDENTIFICAÇÃO PROFISSIONAL&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;em&gt;Operário do canto, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;em&gt;me apresento&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;sem marca ou cicatriz, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;limpas as mãos,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;em&gt;minha alma limpa, a face descoberta,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;em&gt;aberto o peito, e — expresso documento —&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;a palavra conforme o pensamento&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;strong&gt;DO CONTRATO DE TRABALHO&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Fui chamado a cantar e para tanto&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;há um mar de som no búzio do meu canto.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Embora a dor ilhada ou coletiva&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;me doa, antes celebro as coisas belas&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;que movem o sol e as demais estrelas&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;— antigos temas que parecem novos&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;de tão gratos ao meu e aos outros povos&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;DA RELAÇÃO COM VÁRIOS OFÍCIOS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;em&gt;Meu verso tine como prata boa&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;pesando na confiança dos bancários;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;os empregados no comércio bem &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;sabem como atender aos que encomendo&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;e recomendo mais do que ninguém;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;aos que funcionam em telefonia&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;com ou sem fio, rádio, a esses também&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;sei dizer à distância ou de mais perto&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;a cifra e o texto no minuto certo;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;para os músicos profissionais,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;sem castigar o timbre das palavras&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;modulo frases quase musicais;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;para os operadores de cinema&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;meu verso é filme bom que a luz não queima;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;trilho também as estradas de ferro&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;e chego ao coração dos ferroviários&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;como um trem sempre exato nos horários;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;às equipagens das embarcações&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;de mares ou de lagos ou de rios&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;meu verso fala doce e grave como&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;doce e grave é a taboca dos navios;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;nos frigoríficos derrete o gelo&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;da apatia, se é para derretê-lo,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;meu canto a circular nas serpentinas;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;à boca da escotilha ou nas esquinas&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;do cais, o meu recado é força viva&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;guindando a atenção dos homens da estiva;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;desço cantando aos subsolos e às minas&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;onde outros operários desenterram&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;o minério de suas artérias finas;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;a outros, que dão sua têmpera aos metais,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;meu canto ajuda feito um sopro a mais&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;aflando o fogo em flâmulas vermelhas;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;aos colegas que lidam nos jornais&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;boas noticias dou e, mais do que isso, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;jeito de as repetir e divulgar&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;quando o patrão quisera ser omisso;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;à gente miúda, pronta a ser maior,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;passo lições de um magistério puro&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;e o que é dever escrevo a giz no muro;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;para os químicos sei fórmulas novas&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;que os mártires elaboram nas covas...&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;e a todos que trabalham vai assim&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;em&gt;meu canto sugerindo meio e fim.&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;DO HORÁRIO DO TRABALHO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Marcadas as minhas horas de ofício,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;de dia em sombras pelo chão e à noite&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;no rútilo diagrama das estrelas,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;só quem ama o trabalho sabe vê-las.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;DOS PERÍODOS DE DESCANSO&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;em&gt;Seja domingo ou dia de semana,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;mais do que as horas neutras do repouso&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;confortam-me os encargos rotineiros;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;em&gt;meu descanso é confiar nos companheiros.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;DO DIREITO A FÉRIAS&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;em&gt;Nunca me participam por escrito&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;ou verbalmente os ócios que mereço,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;mas sempre gozo bem o merecido:&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;pois o ócio não é ofício pelo avesso?&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;em&gt;É quando fio o verso; depois teço.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;DA REMUNERAÇÃO DAS FÉRIAS&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Em férias tenho a paga de saber&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;lembrado o verso meu por quem o inspira;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;é como se outra mão tangesse a lira.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;DO SALÁRIO MÍNIMO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Laborando entro os pontos cardinais,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;de norte a sul, de leste a oeste, vou&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;cobrando aqui e ali quanto me basta:&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;o privilégio de seguir cantando.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;(Imposto é cuidar onde e como e quando.)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;DO EXPEDIENTE NOTURNO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Trabalho à noite e sem revezamentos.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Se há mais quem cante, cantaremos juntos;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;sem se tornar com isso menos pura&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;a voz sobe uma oitava na mistura.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;D&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;A SEGURANÇA DO TRABALHO&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Mesmo no escuro, canto. Ao vento e à chuva,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;canto. Perigo à vista, canto sempre;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;e é clara luz e um ar nunca viciado&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;e sol no inverno e fresca no verão,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;meu canto, e sabe a flores se é de flores&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;e a frutos se é de frutos a estação.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Só não me esforço à luz artificial&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;com que a má fé de alguns aos mais deslumbra&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;servindo-lhes por luz o que é penumbra;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;também quando o ar parece rarefeito&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;a lira engasga, o verso perde o jeito.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;DA HIGIENE DO TRABALHO&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;em&gt;Não canto onde não seja o sonho livre,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;onde não haja ouvidos limpos e almas&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;afeitas a escutar sem preconceito.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Para enganar o tempo ou distrair&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;em&gt;criaturas já de si tão mal atentas, não canto...&lt;br /&gt;Canto apenas quando dança,&lt;br /&gt;nos olhos dos que me ouvem, a esperança.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;DA ALTERAÇÃO DE CONTRATO ETC.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Meu ofício é cantando revelar&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;a palavra que serve aos companheiros;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;mas se preciso for calar o canto&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;e em fainas diferentes me aplicar&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;unindo a outros meu braço prevenido,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;mais serviço que houver será servido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Lendo alguns e relendo outros poemas de Geir Campos, percebo que a sua poesia, que é de talhe classicizante, como se propôs a Geração de 45, incopora elementos de várias poéticas. Como exemplo apenas, cito a poética dos árcades (veja–se o poema Fogueira, em que explora o motivo da flauta, aliado a um conjunto de outros motivos do viver bucólico); de Camões (principalmente poemas como Da Identificação Profissional, Do Contrato de Trabalho, Da Alteração de Contrato Etc, além de outros em que vibra o tom do decassílabo clássico); de Olavo Bilac (como o poema Do Horário de Trabalho, em que termina com versos muito parecidos com versos do famoso Soneto XIII da coletânea Via Láctea. É só comparar estes dois versos de Geir Campos: “no rútilo diagrama das estrelas, / só quem ama o trabalho sabe vê-las”, com estes dois de Olavo Bilac; “Pois só quem ama pode ter ouvido / Capaz de ouvir e de entender estrelas”);não podendo ainda esquecer da poética de João Cabral de Melo Neto, seu colega de Geração (vejam-se estes dois versos perfeitamente no estilo do poeta pernambucano: “pois o ócio não é ofício pelo avesso? / É quando fio o verso; depois teço”).&lt;br /&gt;A sua poética é realmente multiforme. A sua poesia transita das atribuições trabalhistas, que ele poetiza com maestria, à fina sensibilidade e incomparável formalismo dos poemas de influência oriental, como os Haicais.&lt;br /&gt;Nota-se também na sua obra, não apenas uma preocupação social, como alguns críticos apontam, porém, mais do que isso, um sentido de solidariedade humana (pode-se notar isso no poema Tarefa e nestes versos de Do Expediente Noturno: “Se há mais quem cante, cantaremos juntos”).&lt;br /&gt;Espero que minha leitura tenha sido fiel ao espírito da poética de Geir Campos. Somente um poeta complexo como ele, consegue harmonizar o formalmente artesanal a um sentir profundamente poético.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6165605677969513844-5106214603189410347?l=jaymebueno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaymebueno.blogspot.com/feeds/5106214603189410347/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6165605677969513844&amp;postID=5106214603189410347' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/5106214603189410347'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/5106214603189410347'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaymebueno.blogspot.com/2009/04/geir-campos-e-geracao-de-45.html' title='GEIR CAMPOS E A GERAÇÃO DE 45'/><author><name>Jayme Ferreira Bueno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13660954942300311364</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SNWjxHcpZKI/AAAAAAAAAAg/QlFFARzY2qg/S220/Imagem+170blog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SfiJqXAUnII/AAAAAAAAAJg/QvNVOv-wgf8/s72-c/GEIR+CAMPOS+Dic..bmp' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6165605677969513844.post-4508159431701511892</id><published>2009-04-13T14:01:00.000-07:00</published><updated>2009-04-14T04:30:03.930-07:00</updated><title type='text'>POESIA, FINGIMENTO E SINCERIDADE NA LITERATURA PORTUGUESA</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A crítica literária portuguesa de modo geral se debate em relação a um problema literário, e em especial poético, que é o caso do fingimento e da sinceridade na criação artística. Qual seria a principal função do criador: confessar-se ou fingir? Com fundamento nessa pergunta-se, passa-se a enfocar a produção de determinado poeta de acordo com a feição teórica que esse criador assume ao escrever seus poemas.&lt;br /&gt;Embora o problema seja de todos os tempos, em Portugal ele se aprofundou depois de Fernando Pessoa, que explicitava em suas criações poéticas e em textos críticos a ideia que arte, e em decorrência disso, literatura e, mais especificamente, poesia, tudo é fingimento. Aristotélico como era, o grande poeta português não se afastava muito do seu mestre grego, que afirmava ser a poesia uma imitação. Ser imitação do real e fingir o real são conceitos que praticamente se igualam, pois ambos defendem uma realidade que subjaz à criação literária e que é de outra natureza. Uma coisa é a realidade, outra, diferente, é a produção artística.&lt;br /&gt;Essa discussão intensificou-se com as declarações do grande poeta e líder da revista &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Presença&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, José Régio. Este, em aparente oposição ao poeta da revista &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Orpheu&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, considera a arte como resultado não do fingimento, mas da sinceridade. Desde então esses dois conceitos passaram a se opor em termos de crítica literária.&lt;br /&gt;Olhando-se, porém, por um outro prisma, parece que tanto a poesia dita fingida, como aquela dita sincera, em nada são diferentes. Ambas são fingidas e ambas são sinceras, simultaneamente. São fingidas em relação à pura realidade, ou, como se queira, a realidade real; e ambas são sinceras, quanto ao modo como são produzidas. São elas sinceras artisticamente. É o que se pode depreender de textos como os que seguem:&lt;br /&gt;Quando Fernando Pessoa diz:&lt;br /&gt;1. &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;A base de toda a arte é a sensação.&lt;br /&gt;2. Para passar de mera emoção sem sentido à emoção artística, ou susceptível de se tornar artística, essa sensação tem de ser intelectualizada&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;ele está lançando uma como que teoria da poesia fingida. Há a necessidade de intelectualizar uma sensação, ou seja, fingi-la, para que ela se torne uma sensação com valor artístico. Antes disso, ela é apenas uma sensação. Fernando Pessoa aplica essa teoria no poema que denominou Autopsicografia, como se constata nesta transcrição da primeira estrofe:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;O poeta é um fingidor.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Finge tão completamente&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Que chega a fingir que é dor&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;A dor que deveras sente.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Assim, “a dor que deveras sente”, a que se refere o poeta, é a sensação; a dor que ele diz “fingir”, essa é já a dor intelectualizada, que se torna matéria poética. A poesia e a teoria se correspondem, numa prova inequívoca de que a poesia de Fernando Pessoa é uma poesia pensada e não meramente sentida.&lt;br /&gt;De outro lado teórico, assumindo uma poesia viva, uma poesia sincera, José Régio declara:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;o que então inspira a obra de arte - é a paixão; e uma paixão considerada infamante ou uma paixão considerada nobre – podem da mesma forma inspirar obras elevadas sob o ponto de vista que nos interessa: estético.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;e também:&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;É original tudo o que provém da parte mais virgem, mais verdadeira e mais íntima duma personalidade artística&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Poeticamente, e de modo coerente com essa teoria, José Régio escreve poemas como Demasiado Humano, aqui ilustrado em sua primeira estrofe:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;Escancarei, por minhas mãos raivosas,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;As chagas que em meu peito floresciam.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Versos a escorrer sangue eis escorriam&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Dessas chagas abertas como rosas…&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;e neste dramático poema denominado Diário, do qual se transcreve a primeira estrofe, diz ele:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Tinha um diário aonde ia escrevendo,&lt;br /&gt;Dia a dia, a agonia dos meus dias:&lt;br /&gt;Era um romance tremendo,&lt;br /&gt;Dilacerado de piedade e de ironias.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;Aí, estão presentes dois modos de enfocar teoricamente e na prática a arte da poesia, uma classificada como “poesia fingida” e uma outra, que se denominou “poesia sincera”. A primeira é representada principamente por Fernando Pessoa, mas de modo geral também pelos colaboradores da revista &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Orpheu&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, fundada em Lisboa em 1915. A segunda tem seu lídimo representante na pessoa de José Régio e dos poestas da revista &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Presença&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, que surgiu em Coimbra em 1927.&lt;br /&gt;Esta discussão levada a sério por muitos críticos foi também bastante combatida e mesmo ironizada. É o caso, por exemplo, do poeta do Surrealismo português Alexandre O’Neill, que, com seu senso altamente irônico e de certo modo desestabilizador dos formalismos, como foi preceito da estética surrealista, escreveu:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Às dores inventadas&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Prefere as reais.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Doem muito menos&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Ou então muito mais...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;Antes do encerramento, trazem-se aqui dois fragmentos da crônica Elogio da Mentira, de Miguel Sanches Neto, publicado em 31 de março de 2009. No primeiro, afirma-se:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Não há verdades, apenas versões. Levando este raciocínio ao seu extremo, chegaremos à conclusão de que tudo é ficção. Assim, nada coincide com nada. O que vejo não é igual ao que o outro vê, mesmo quando estamos olhando para o mesmo objeto e do mesmo mirante. Movemo-nos em meio a realidades construídas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;e no segundo, conclui-se:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Todo ficcionista é um ilusionista profissional; promove uma proliferação de entes e fatos, embaralhando assim as muitas realidades. Todas verdadeiras à sua maneira. Pois só à maneira de cada um é que pode haver verdade.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;Concluindo este breve comentário sobre tema tão complexo, apenas podemos dizer que toda poesia é, de um ponto de vista, fingida, porque é a vivência de uma sensação, de uma emoção, que é transformada pelo poder de intelectualizar, enfim de transformar o que se vive em matéria poética, o que se configuraria como a arte de fingir. Por outro lado, toda a poesia é sincera, porque está de acordo com a arte e não com a realidade.&lt;br /&gt;Fernando Pessoa, no poema Isto, que aqui se transcreve, esclarece vários aspectos:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;Dizem que finjo ou minto &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Tudo o que escrevo. Não. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Eu simplesmente sinto &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Com a imaginação. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Não uso o coração.&lt;br /&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Tudo o que sonho ou passo, &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;O que me falha ou finda, &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;É como que um terraço &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Sobre outra coisa ainda. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Essa coisa é que é linda.&lt;br /&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Por isso escrevo em meio &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Do que não está ao pé, &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Livre do meu enleio, &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Sério do que não é. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Sentir? Sinta quem lê!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;1. Ele não finge no sentido literal, ele apenas sente com a imaginação, ou seja, ele intelectualiza, “finge” poeticamente.&lt;br /&gt;2. O que o poeta sonha ou passa – as emoções – isso é apenas o primeiro estágio; o segundo estágio, que é a intelectualização dessa sensação ou emoção, &lt;em&gt;essa coisa é que é linda&lt;/em&gt;, porque já é matéria poética.&lt;br /&gt;3. Finalmente, o poeta confirma que escrever livre do enleio, ou seja, livre do encantamento do que se vive, mas, de modo sério, embora sobre um assunto que não é sério no sentido estrito da palavra, mas um “fingimento”, uma “cópia”, é que torna a arte séria. A arte assim construída deve, portanto, autêntica, verdadeira do ponto de vista estético.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6165605677969513844-4508159431701511892?l=jaymebueno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaymebueno.blogspot.com/feeds/4508159431701511892/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6165605677969513844&amp;postID=4508159431701511892' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/4508159431701511892'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/4508159431701511892'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaymebueno.blogspot.com/2009/04/poesia-fingimento-e-sinceridade-na.html' title='POESIA, FINGIMENTO E SINCERIDADE NA LITERATURA PORTUGUESA'/><author><name>Jayme Ferreira Bueno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13660954942300311364</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SNWjxHcpZKI/AAAAAAAAAAg/QlFFARzY2qg/S220/Imagem+170blog.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6165605677969513844.post-3821695615723864631</id><published>2009-04-01T14:49:00.000-07:00</published><updated>2009-04-02T05:46:01.121-07:00</updated><title type='text'>UM CONTO DE DANIEL OSIECKI</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SdSyJ9B83UI/AAAAAAAAAJY/tdbW8ih1eBs/s1600-h/DANIEL+Foto.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5320072943902711106" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 61px; CURSOR: hand; HEIGHT: 78px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SdSyJ9B83UI/AAAAAAAAAJY/tdbW8ih1eBs/s320/DANIEL+Foto.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Daniel Osiecki é um jovem curitibano, nascido em 1983. Formou-se em Letras na Pontifícia Universidade Católica do Paraná e especializou-se em Literatura Brasileira nessa mesma Instituição. Na Especialização, apresentou como monografia um estudo sobre um romance de Moacir Scliar, que denominou: &lt;em&gt;Um Herdeiro da Diáspora: a questão da identidade judaica em O Centauro no Jardim, de Moacyr Scliar&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Profissionalmente, é professor de literatura brasileira e revisor de texto. Mantém o Blog &lt;em&gt;Távola Redonda&lt;/em&gt;, voltado para a literatura. Nele, Daniel publica seus estudos, principalmente sobre autores portugueses. O próprio título do blog, ao homenagear uma revista literária portuguesa dos anos 50, demonstra claramente a influência da literatura portuguesa nos seus trabalhos. É nesse espaço, que publica periodicamente artigos e análises literárias.&lt;br /&gt;Como músico, creio que um tanto amador, tem feito apresentações com sua Banda formada por ele e alguns amigos, que foram seus colegas no curso e fora dele. Nela, Daniel é responsável pelo som da bateria.&lt;br /&gt;O livro de contos &lt;em&gt;Abismo&lt;/em&gt; é sua primeira obra de ficção publicada. Os contos aí presentes mostram geralmente ambientes sombrios, próprios de um sorvedouro, ou abismo, como o autor intitulou esta sua obra. Explora os aspectos existenciais, o que reflete a grande admiração que tem pelo existencialista português Vergílio Ferreira. A confirmar essa influência, como epígrafe ao livro, transcreveu este trecho desse autor: “&lt;em&gt;Se o homem “é” o que faz, é-o sobretudo para os outros, não totalmente para si, muito menos para a interminável realização da própria aspiração humana&lt;/em&gt;” (Vergílio Ferreira).&lt;br /&gt;Conheci o Daniel como meu aluno de literatura portuguesa no curso de Letras da PUCPR. Em uma das primeiras aulas, quando procurei levantar algumas leituras já feitas, ele foi um dos poucos que conhecia autores e obras dessa literatura. Propôs-se a apresentar na próxima aula a leitura que fizera de &lt;em&gt;Viagens na minha terra&lt;/em&gt;, do romântico Almeida Garrett. Em suas leituras, logo entusiasmou-se pelos autores neo-realistas. Passou a ler Alves Redol, Fernando Namora e Miguel Torga daquela fase em que se preocupou com os problemas sociais &lt;span style="font-family:georgia;"&gt;do norte vinhateiro. Costumamos manter vivo um relacionamento, ao menos pela Internet. Sei que continua interessado na literatura portuguesa.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; Em seu blog, diz: “&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Em nome dos poetas que publicaram na Revista Távola&lt;/span&gt; Redonda, criei este blog. Espaço para discussões sobre literatura, muito em especial a Literatura Portuguesa. Viagens poéticas e narrativas&lt;/em&gt;”. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;O lançamento do livro &lt;em&gt;Abismo&lt;/em&gt; aconteceu no sábado, 28 de março deste ano. Lá estive, para cumprimentar o autor, ex-aluno e amigo Daniel Osiecki. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5320056289027922802" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 125px; CURSOR: hand; HEIGHT: 208px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SdSjAgyXm3I/AAAAAAAAAJQ/HJGNJxXM6g8/s320/DANIEL+Capa.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A seguir um conto transcrito de &lt;em&gt;Abismo&lt;/em&gt;:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a name="BM5581947257458700628"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;PESSOAS&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Fernando acabara de sair do modesto restaurante onde almoçava todos os dias no centro de Lisboa. Caminhando despreocupado pela rua encontrou um velho amigo, Bernardo.&lt;br /&gt;- Olá, Fernando. Quanto tempo, como está?&lt;br /&gt;- Estou bem, Bernardo, obrigado. Como está indo o escritório de contabilidade? Muita correria?&lt;br /&gt;- Daquele jeito de sempre. Você soube do Alberto?&lt;br /&gt;- Claro, uma grande perda. Ele foi um mestre para mim. No ano passado passei algumas semanas com ele e com a tia na casa que tinham no Douro. Foi uma grande perda mesmo.&lt;br /&gt;- E se foi. Bem, está muito ocupado agora?&lt;br /&gt;- Na verdade estava indo ver Ophélia, mas... por quê?&lt;br /&gt;- Estou indo encontrar o Ricardo. Quer me acompanhar?&lt;br /&gt;Fernando pensou por alguns segundos e decidiu que acompanharia o velho amigo no passeio.&lt;br /&gt;- Claro! - Respondeu Fernando. - Por que não? Depois eu explico pra Ophélia.&lt;br /&gt;Os dois dirigiram-se para a cantina Pessoa, que ficava próxima à Praça do Comércio. Fernando era correspondente estrangeiro, escrevia versos e também tinha uma tipografia em Lisboa. Ele e seus companheiros da Revista Orpheu estavam em polvorosa, pois a revista havia sido um sucesso. Seu grande amigo Mário estava preparando a segunda tiragem.&lt;br /&gt;Bernardo era uma figura atípica. Muito pouco sabia sobre seu amigo, apenas que havia nascido em Lisboa e trabalhava como assistente contábil e levava uma vida modesta. Também era poeta, e tinha uma ambição: publicar sua obra prima que já havia começado a lhe inquietar.&lt;br /&gt;- Então, como vai sua obra-prima? &amp;shy;Perguntou Fernando, acendendo um cigarro.&lt;br /&gt;- Não sei. Já pensei em desistir. Já tenho o título.&lt;br /&gt;- Qual é? - Perguntou Fernando, interessado. - Eu prefiro não falar nada por enquanto. Vamos ver. Vamos aguardar.&lt;br /&gt;Um garçom traz uma jarra de vinho do Porto e se retira rapidamente para atender dois rapazes que estavam à mesa ao lado. Nesse momento entra um homem alto, com um ar de erudito e com uma maleta de médico na mão esquerda. Dirige-se à mesa de Fernando e Bernardo e cordialmente os cumprimenta.&lt;br /&gt;- Boas tardes caros colegas!&lt;br /&gt;- Querido amigo Ricardo, como estás? - Pergunta afavelmente Bernardo.&lt;br /&gt;- Agora estou bem, caro Bernardo, agora que estou de volta a Portugal.&lt;br /&gt;- Ricardo, o que você fez esse tempo todo no Brasil? - Pergunta Fernando, interessado nas suas novidades.&lt;br /&gt;- Olá, Fernando. Como sabes, estive exilado. Exerci minha profissão de médico e escrevi odes. Bem, como vão as coisas por aqui? Soube da revista.&lt;br /&gt;- Pois é. Eu e o Mário trabalhamos duro. Se tiver interesse em juntar-se a nós...&lt;br /&gt;- Meu caro Fernando, sabes muito bem que jamais conseguiríamos trabalhar juntos. Eu considero a produção de vocês um tanto quanto alucinada, irreverente demais, até certo ponto chocante. Espero que...&lt;br /&gt;- Você jamais romperia com as estéticas do passado. Você não passa de um burguês que é incapaz de...&lt;br /&gt;Nesse momento Bernardo, até agora apenas ouvindo os dois amigos, intervém na conversa com a intenção de acalmar os ânimos. - Calma, gente, mudemos de assunto. E o Álvaro?&lt;br /&gt;- O Álvaro está viajando pelo Oriente.&lt;br /&gt;Nem sinal dele. - Ricardo tomou um longo gole do vinho. - quando falei com ele pela última vez, ele estava me mostrando alguns poemas que chamavam de futuristas.&lt;br /&gt;Os três ainda ficaram conversando por uma hora. Depois saíram e cada um seguiu um caminho diferente. Apesar de todas as divergências, de todas as diferenças intelectuais e de uma certa hostilidade entre os amigos, separados e distantes, pareciam fragmentos de um mesmo ser. Suas condições de seres estilhaçados por razões diversas, davam a cada um deles um aspecto soturno e radiante ao mesmo tempo. Quando estavam um ao lado do outro não se suportavam, ou apenas fingiam, pois o poeta é um fingidor, e finge que é dor a dor que deveras sente. Porém quando estavam separados, distantes, sentiam que se comunicavam e que se completavam de alguma forma. Os estilhaços provocados pela distância os aproximavam, e assim os formavam como um único-ser.&lt;br /&gt;O céu de Lisboa já estava tornando-se escuro, as pessoas que caminhavam na Praça do Comércio caminhavam mais rápido. O desejo de chegar em casa era grande. Em frente da Cantina Pessoa chegou um homem alto, de cabelos escuros e usando monóculo. Entrou e dirigiu-se ao balcão.&lt;br /&gt;- Boas noites. O senhor sabe se aqui estiveram três cavalheiros. Fernando, Bernardo e Ricardo?&lt;br /&gt;- Assim por nome é difícil, entra tanta gente aqui todo dia.&lt;br /&gt;O elegante senhor colocou as mãos nos bolsos em busca de papel e caneta. Escreveu seu nome e deu ao dono da cantina.&lt;br /&gt;- Se eles aparecerem aqui ainda hoje ou amanhã, diga que ficarei em Lisboa até o final da semana. É fácil de reconhecê-los. Muito obrigado, senhor e boas noites.&lt;br /&gt;Saiu pela rua escura. O simpático senhor dono da cantina pegou o bilhete e leu em voz alta. Estava sozinho.&lt;br /&gt;- "Voltei. Álvaro de Campos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Em um breve comentário, pode-se dizer que Daniel Osiecki assimilou bem as características do Pós-Modernismo. No conto Pessoas, há o caráter da intextextualidade entre a sua narrativa e o verdadeiro “romance” criado por Fernando Pessoa entre si e suas diferentes personas, os heterônimos.&lt;br /&gt;Uma outra tendência pós-modernista, e que decorre da primeira, é o recontar fatos históricos ou da história literária. Daniel faz em seu conto o que autores famosos já fizeram sobre o mesmo tema É só relembrar José Saramago com o romance O ano da morte de Ricardo Reis e Amadeu Lopes Sabino com o conto O Lepidóptero, do livro Retrato de Rubens. E sem esquecer os textos de Fernando Pessoa, que estão, sobretudo, em Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação, em especial na parte que ele intitulou Para a Compreensão de... (Alberto e Caeiro e também os outros heterônimos), além, ainda, do Livro do desassossego, do heterônimo prosador Bernardo Soares, que foram, sem dúvida, fontes valiosas para o texto de Daniel Osiecki.&lt;br /&gt;É lógico que as narrativas desta obra de Daniel sofram daquelas impurezas próprias das primeiras obras de um autor, seja ele qual for. Como diz Ricardo Reis sobre a poesia de Alberto Caeiro, embora eu reproduza as suas palavras sem a crueldade daquele frio heterônimo: “Perdoa-se-lhe a falta, porque aos inovadores muito se perdoa; mas não se pode omitir que seja uma falta, e não uma distinção”.&lt;br /&gt;E, para finalizar, reproduzo o texto aparentemente enigmático e cruel de Álvaro de Campos sobre o Cancioneiro de Fernando Pessoa: “Sou demasiado amigo de Fernando Pessoa para dizer bem dele sem me sentir mal: a verdade é uma das piores hipocrisias a que a amizade obriga”. (Ser amigo, e eu sou amigo do Daniel, não nos pode impedir de falar bem de alguém. É o que eu faço agora. Falo bem dos contos do livro &lt;em&gt;Abismo&lt;/em&gt;).&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6165605677969513844-3821695615723864631?l=jaymebueno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaymebueno.blogspot.com/feeds/3821695615723864631/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6165605677969513844&amp;postID=3821695615723864631' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/3821695615723864631'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/3821695615723864631'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaymebueno.blogspot.com/2009/04/um-conto-de-daniel-osiecki.html' title='UM CONTO DE DANIEL OSIECKI'/><author><name>Jayme Ferreira Bueno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13660954942300311364</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SNWjxHcpZKI/AAAAAAAAAAg/QlFFARzY2qg/S220/Imagem+170blog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SdSyJ9B83UI/AAAAAAAAAJY/tdbW8ih1eBs/s72-c/DANIEL+Foto.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6165605677969513844.post-79136194432883971</id><published>2009-03-25T05:57:00.000-07:00</published><updated>2009-03-26T10:51:40.237-07:00</updated><title type='text'>A POESIA DE HERCÍLIA FERNANDES</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/ScvAh9d7UBI/AAAAAAAAAI4/zKOAEvaHSIE/s1600-h/FERNANDES-HERC%C3%8DLIA.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5317555474709303314" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 160px; CURSOR: hand; HEIGHT: 210px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/ScvAh9d7UBI/AAAAAAAAAI4/zKOAEvaHSIE/s320/FERNANDES-HERC%C3%8DLIA.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div&gt;&lt;div&gt;Por intermédio de Tânia Azeredo, a&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Taninha, dos Blogs No rastro da poesia e no Rastro da educação, tomei contato com a poesia de Hercília Fernandes. Ela é uma mulher de muitos talentos: educadora, compositora de música popular, poetisa e escritora, não necessariamente nessa ordem. Talvez, simultaneamente, como todas as pessoas que se propõem a produzir trabalho, arte, cultura.&lt;br /&gt;Com dois livros publicados, Retrato de Helena, 2005, e Agá-Efe: entre ruínas e quimeras, 2006, Hercília Fernandes já faz parte do mundo das letras. Como professora e pedagoga, atua na educação fundamental e na universitária, em seu estado natal, o Rio Grande do Norte. É Mestre em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em Natal. Na área da educação, é também Especialista em Educação Infantil pela mesma UFRN – Centro de Ensino Superior de Seridó, em Caicó, sua terra natal, no extremo sul do estado potiguara.&lt;br /&gt;Escreve versos desde muito jovem. Como confessa, aprendeu a construir seus sonhos na paisagem do sertão. Talvez, a brancura do algodão do Seridó, a brisa da serra da Borborema, aliados à beleza dos bordados da região foram o alento poético da sua meninice e que se solidifica agora na juventude. Hercília Fernandes mantém os Blogs&lt;em&gt; HF diante do espelho e Novidades &amp;amp; Velharia&lt;/em&gt;. Como não tive ainda acesso aos livros de Hercília Fernandes, recolhi em diferentes blogs os três poemas que seguem:&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;ORVALHO (Etimologia poética)&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Favor não me chamar&lt;/span&gt;:&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;ervilha&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;lentilha&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;milha&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;qualquer coisa terminada em ilha!&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Gosto das mil miudezas... &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Aprecio deveras poesia-ilha&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Porém, my name is&lt;br /&gt;Hercília!&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Me chame orvalho.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Lágrimas aquecem o tom matinal&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;dispersam tempestades após labores e silêncios.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Me chame firmamento&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Jardim em flor desbravando litoral&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Rósea cor, purpurina, a-normal&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Mas, favor não me chamar&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;ervilha&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;lentilha&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;milha&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;qualquer terminação em ilha&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Meu nome é orvalho&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;natural-mente&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Hercília!&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;Neste poema, dá-se atenção ao trabalho com a palavra. Da palavra &lt;em&gt;Hercília&lt;/em&gt;, o seu nome, a poetisa deriva, foneticamente, &lt;em&gt;ervilha&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;lentilha&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;milha&lt;/em&gt; e a terminação &lt;em&gt;ilha&lt;/em&gt;. Esta última, porém, embora uma terminação, assume o seu próprio sentido como palavra, o substantivo &lt;em&gt;ilha&lt;/em&gt;. Assim, passa a significar, plurivocamente, um acidente geográfico, mas que, muito frequentemente, tanto poética como filosoficamente, torna-se metáfora de homem ou de mulher. É comum dizer-se que ninguém pode ser uma ilha. Todos nós necessitamos de outras pessoas, sejam familiares, amigos, pessoas amadas, enfim o outro, para nos completar e dar sentido à nossa existência.&lt;br /&gt;Além desse trabalho paronomásico, a poetisa trabalha também com a formação das palavras. Assim grafa &lt;em&gt;poesia-ilha&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;a-normal&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;natural-mente&lt;/em&gt;. Na primeira, a palavra &lt;em&gt;ilha&lt;/em&gt; aparece na formação da palavra composta &lt;em&gt;poesia-ilha&lt;/em&gt;. Em &lt;em&gt;a-normal&lt;/em&gt;, dá-se a formação de uma nova palavra com o prefixo negativo &lt;em&gt;a&lt;/em&gt;. Por fim, em &lt;em&gt;natural-mente&lt;/em&gt;, temos uma formação com o sufixo &lt;em&gt;mente&lt;/em&gt;, que pode aproximar-se ao verbo &lt;em&gt;mentir&lt;/em&gt;, sinônimo de &lt;em&gt;fingir&lt;/em&gt;, usado frequentemente para evidenciar o aspecto ficcional do texto. Não se pode também desprezar o emprego da expressão em língua inglesa &lt;em&gt;my name is&lt;/em&gt;. Os estrangeirismos, ao lado de arcaísmos e de neologismo constituem fortes recursos poéticos.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;ORVALHO (Etimologia poética) traz no título o alerta de ser um poema que busca a própria etimologia dos seus termos. E o termo nuclear do poema é o próprio nome da autora: &lt;em&gt;Hercília&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;É assim que leio o poema Orvalho, de Hercília Fernandes.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/span&gt;CAVALO ALADO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Fiquei triste!&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;De repente todo manto azul do céu&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;desabou sobre mim. Ao tocar minha pele, aquele azul-celeste, &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;claro feito neve, coloriu-me de carmim.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Claro! Eu não dei por mim. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Precisava mais de poesia:&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;escura, difusa, tardia&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;faria luz à minha nostalgia.&lt;br /&gt;Claro! Eu desejei o cetim. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Com todos os seus festins. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Eu precisava demais de folia&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;para emoldurar a minha melancolia.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Claro! Tudo foi só um sonho&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Um engano desenganado: &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;claro - como é o orvalho,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;escuro - como é o pecado.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Claro... O sonho se foi num cavalo alado!&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/span&gt;Este é um poema que estrutural e semanticamente privilegia, em especial, o elemento cromático e a rima, além da duplicidade semântica natural de toda poesia.&lt;br /&gt;Quanto ao elemento cromático, que se alia às antíteses, aparecem explicitamente “manto azul do céu”, “azul celeste”, “carmim”; e, implicitamente à cor do, a “cetim”, que geralmente se apresenta colorido. Há, ainda, o “claro orvalho” em oposição ao “escuro pecado”. Essas oposições desembocam em um autêntico paradoxo: “engano desenganado”. Esse é o estado em que o &lt;em&gt;eu poético&lt;/em&gt; mergulha.&lt;br /&gt;É esse estado poético, já emergente nas contradições da primeira estrofe: “azul celeste, claro feito neve, coloriu-me de carmim”. Isso desencadeia, na segunda estrofe, uma sequência de rimas pelo emprego das palavras: &lt;em&gt;poesia&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;tardia&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;nostalgia&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;folia&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;melancolia&lt;/em&gt;. E isso constitui o festim desejado. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;A duplicidade semântica aparece acentuadamente no último verso com a palavra &lt;em&gt;Claro&lt;/em&gt;. O termo &lt;em&gt;Claro&lt;/em&gt; tanto pode referir-se à brancura do sonho, como representar uma expressão afirmativa, que surge em frases como, por exemplo, "Claro que isso acontece...".&lt;br /&gt;Como motivos principais, aparecem a tristeza e a desilusão. O poema inicia com o verso “Fiquei triste” e continua registrando “minha nostalgia”, “minha melancolia”, para encerrar-se com “O sonho se foi num cavalo alado!”.&lt;br /&gt;O cavalo branco, ao voar, leva o sonho. É a perda, o esvair-se do sonho.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;MARIA CLARA&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Maria Clara&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Clara&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Alva&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;rara Maria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;............................................................ Ria&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;............................................................ &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ia&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;............................................................ &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Subia&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;............................................................ clara à luz do dia&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Minha cara, &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Clara minha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;........................................................... Doce flauta, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;........................................................... serena,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;........................................................... silencia.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Minha causa&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;fada minha!&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;........................................................... Rara&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;........................................................... tão alva&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;.......................................................... Clara,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;........................................................... tanto bem,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;.......................................................... Maria!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Neste poema, Hercília Fernandes trilha o experimentalismo. A disposição das estrofes - que ocupam diferentes espaços na página em branco - vai ao encontro de uma das primeiras formas experimentais da poesia que depois foi também denominada poesia concreta, como se prefere no Brasil, ou experimental, denominação mais presente na literatura portuguesa. Essa é uma contribuição, principalmente, da poesia de Mallarmé, com o poema &lt;em&gt;Un coup de dés&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Com o aproveitamento dessa técnica, a poetisa passeia pelos recursos do concretismo com bastante facilidade. Da similaridade formal da palavra passa para a diferenciação semântica, como em “Maria Clara”, “Clara”, “Alva”. Nessa sequência, há a passagem de &lt;em&gt;Clara&lt;/em&gt; (substantivo próprio), para &lt;em&gt;Clara&lt;/em&gt; (adjetivo) e finalmente um sinônimo da segunda palavra, o também adjetivo &lt;em&gt;Alva&lt;/em&gt;. De modo semelhante, continua na segunda estrofe, embora com outras derivações: &lt;em&gt;Ria&lt;/em&gt;, que evolui para &lt;em&gt;ia&lt;/em&gt;, para &lt;em&gt;subia&lt;/em&gt; e para &lt;em&gt;dia&lt;/em&gt;, sempre com a terminação &lt;em&gt;ia&lt;/em&gt;, que aparece na primeira palavra. Segue em frente explorando o processo em: &lt;em&gt;cara&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Clara&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;causa&lt;/em&gt;. Na última estrofe, surge &lt;em&gt;Rara&lt;/em&gt;, próxima foneticamente de &lt;em&gt;cara&lt;/em&gt; e de &lt;em&gt;Clara&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Como figuras, aparece a metáfora sinestésica "Doce flauta", seguida da assonância &lt;em&gt;serena&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;silencia&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Para concluir, é interessante notar que o texto inicia com &lt;em&gt;Maria&lt;/em&gt; e termina com &lt;em&gt;Maria&lt;/em&gt;. É como o fechamento de um círculo e como, também, a expressão viva da circularidade do poema, uma das características da poesia concreta.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;Com os comentários, procurei mostrar um pouco da riqueza e da complexidade da poesia de Hercília Fernandes. Espero que a poetisa continue com sua produção poética, para satisfação de seus leitores, dentre os quais me incluo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Para encerrar, envio uma homenagem à Hercília e à sua terra natal.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/span&gt;Sertão. Seridó.&lt;br /&gt;Na beleza da brancura&lt;br /&gt;a flor de Caicó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6165605677969513844-79136194432883971?l=jaymebueno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaymebueno.blogspot.com/feeds/79136194432883971/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6165605677969513844&amp;postID=79136194432883971' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/79136194432883971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6165605677969513844/posts/default/79136194432883971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaymebueno.blogspot.com/2009/03/poesia-de-hercilia-fernandes.html' title='A POESIA DE HERCÍLIA FERNANDES'/><author><name>Jayme Ferreira Bueno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13660954942300311364</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/SNWjxHcpZKI/AAAAAAAAAAg/QlFFARzY2qg/S220/Imagem+170blog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/ScvAh9d7UBI/AAAAAAAAAI4/zKOAEvaHSIE/s72-c/FERNANDES-HERC%C3%8DLIA.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6165605677969513844.post-2427072162294371772</id><published>2009-03-17T10:07:00.000-07:00</published><updated>2009-03-19T13:37:34.781-07:00</updated><title type='text'>DE REALITY SHOW E DE FERNANDO PESSOA</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/Sb_elInFG7I/AAAAAAAAAIo/eh-mj2yARUA/s1600-h/F.PESSOA+Foto.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5314210814868396978" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 230px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_db7zgLvmm1w/Sb_elInFG7I/AAAAAAAAAIo/eh-mj2yARUA/s320/F.PESSOA+Foto.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;Em um programa dominical de televisão, uma participante recentemente eliminada de um &lt;em&gt;Reality Show&lt;/em&gt;, quando entrevistada, referiu-se à &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;existência de duas vidas: uma lá dentro, no ambiente vivido pelos enclausurados, e outra aqui fora. Falou também que todos possuem dois lados: o que é visto aqui de fora e outro que se vivencia lá dentro. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Portanto, de modo simplificado, o que ela disse e o que há são duas vidas. Uma é a vida real, aquela de aqui fora; a outra, uma vida fingida, a dos participantes na casa do &lt;em&gt;reality show&lt;/em&gt;. Ou será o contrário?, como indaga Fernando Pessoa. A entrevistada acrescentou, ainda, que o fato de as pessoas cultivarem os dois lados é normal, porque todos nós os possuímos concomitantemente.&lt;br /&gt;Como esses são temas de vários autores, e frequentes na poesia de todos os tempos, lembrei-me em especial de Fernando Pessoa. Em várias passagens da sua obra, o poeta versa, como um dos motivos de sua poesia, a existência de duas vidas, uma real e outra fingida.&lt;br /&gt;Ao retornar à literatura portuguesa, vamos transcrever dois textos de Fernando Pessoa: um poema e um fragmento de um poema em prosa, dentre aqueles que o próprio poeta denominou poemas dramáticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;POEMA 165&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Tenho tanto sentimento&lt;br /&gt;Que é frequente persuadir-me&lt;br /&gt;De que sou sentimental,&lt;br /&gt;Mas reconheço, ao medir-me,&lt;br /&gt;Que tudo isso é pensamento,&lt;br /&gt;Que não senti afinal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos, todos que vivemos,&lt;br /&gt;Uma vida que é vivida.&lt;br /&gt;E outra vida que é pensada.&lt;br /&gt;E a única vida que temos&lt;br /&gt;É essa que é dividida&lt;br /&gt;Entre a verdadeira e a errada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual, porém, é verdadeira&lt;br /&gt;E qual errada, ninguém&lt;br /&gt;Nos saberá explicar;&lt;br /&gt;E vivemos de maneira&lt;br /&gt;Que a vida que a gente tem&lt;br /&gt;É a que tem que pensar. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Aprendamos a viver e a conviver com nossas duas vidas, com a real - a vivida - e com a pensada - puro sonho&lt;/strong&gt;. &lt;strong&gt;Penso que ninguém sabe explicar qual a verdadeira e qual a errada, porque ambas são verdadeiras.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;FRAGMENTO DE O MARINHEIRO, poema dramático de Fernando Pessoa.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;(...)&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;SEGUNDA — À beira-mar somos tristes quando sonhamos... Não podemos ser o que queremos ser, porque o que queremos ser queremo-lo sempre ter sido no passado... Quando a onda se espalha e a espuma chia, parece que há mil vozes mínimas a falar. A espuma só parece ser fresca a quem a julga uma... Tudo é muito e nós não sabemos nada... Quereis que vos conte o que eu sonhava à beira-mar?&lt;br /&gt;PRIMEIRA — Podeis contá-lo, minha irmã; mas nada em nós tem necessidade de que no-lo conteis... Se é belo, tenho já pena de vir a tê-lo ouvido. E se não é belo, esperai..., contai-o só depois de o alterardes...&lt;br /&gt;SEGUNDA — Vou dizer-vo-lo. Não é inteiramente falso, porque sem dúvida nada é inteiramente falso. Deve ter sido assim... Um dia que eu dei por mim recostada no cimo frio de um rochedo, e que eu tinha esquecido que tinha pai e mãe e que houvera em mim infância e outros dias — nesse dia vi ao longe, como uma coisa que eu só pensasse em ver, a passagem vaga de uma vela. Depois ela cessou... Quando reparei para mim, vi que já tinha esse meu sonho... Não sei onde ele teve princípio... E nunca tornei a ver outra vela... Nenhuma das velas dos navios que saem aqui de um porto se parece com aquela, mesmo quando é lua e os navios passam longe devagar...&lt;br /&gt;PRIMEIRA — Vejo pela janela um navio ao longe. É talvez aquele que vistes...&lt;br /&gt;SEGUNDA — Não, minha irmã; esse que vedes busca sem dúvida um porto qualquer... Não podia ser que aquele que eu vi buscasse qualquer porto...&lt;br /&gt;PRIMEIRA — Por que é que me respondestes?... Pode ser... Eu não vi navio nenhum pela janela... Desejava ver um e falei-vos dele para não ter pena... Contai-nos agora o que foi que sonhastes à beira-mar...&lt;br /&gt;SEGUNDA — Sonhava de um marinheiro que se houvesse perdido numa ilha longínqua. Nessa ilha havia palmeiras hirtas, poucas, e aves vagas passavam por elas... Não vi se alguma vez pousavam... Desde que, naufragado, se salvara, o marinheiro vivia ali... Como ele não tinha meio de voltar à pátria, e cada vez que se lembrava dela sofria, pôs-se a sonhar uma pátria que nunca tivesse tido: pôs-se a fazer ter sido sua uma outra pátria, uma outra espécie de país com outras espécies de paisagens, e outra gente, e outro feitio de passarem pelas ruas e de se debruçarem das janelas... Cada hora ele construía em sonho esta falsa pátria, e ele nunca deixava de sonhar, de dia à sombra curta das grandes palmeiras, que se recortava, orlada de bicos, no chão areento e quente; de noite, estendido na praia, de costas e não reparando nas estrelas.&lt;br /&gt;PRIMEIRA — Não ter havido uma árvore que mosqueasse sobre as minhas mãos estendidas à sombra de um sonho como esse!...&lt;br /&gt;TERCEIRA — Deixai-a falar... Não a interrompais... Ela conhece palavras que as sereias lhe ensinaram... Adormeço para a poder escutar... Dizei, minha irmã, dizei... Meu coração dói-me de não ter sido vós quando sonháveis à beira-mar...&lt;br /&gt;SEGUNDA — Durante anos e anos, dia a dia, o marinheiro erguia num sonho contínuo a sua nova terra natal... Todos os dias punha uma pedra de sonho nesse edifício impossível... Breve ele ia tendo um país que já tantas vezes havia percorrido. Milhares de horas lembrava-se já de ter passado ao longo de suas costas. Sabia de que cor soíam ser os crepúsculos numa baía do norte, e como era suave entrar, noite alta, e com a alma recostada no murmúrio da água que o navio abria, num grande porto do sul onde ele passara outrora, feliz talvez, das suas mocidades a suposta...&lt;br /&gt;(uma pausa)&lt;br /&gt;PRIMEIRA — Minha irmã, por que é que vos calais?&lt;br /&gt;SEGUNDA — Não se deve falar demasiado... A vida espreita-nos sempre... Toda a hora é materna para os sonhos, mas é preciso não o saber... Quando falo de mais começo a separar-me de mim e a ouvir-me falar. Isso faz com que me compadeça de mim própria e sinta demasiadamente o coração. Tenho então uma vontade lacrimosa de o ter nos braços para o poder embalar como a um filho... Vede: o horizonte empalideceu... O dia não pode já tardar... Será preciso que eu vos fale ainda mais do meu sonho?&lt;br /&gt;PRIMEIRA — Contai sempre, minha irmã, contai sempre... Não pareis de contar, nem repareis em que dias raiam... O dia nunca raia para quem encosta a cabeça no seio das horas sonhadas... Não torçais as mãos. Isso faz um ruído como o de uma serpente furtiva... Falai-nos muito mais do vosso sonho. Ele é tão verdadeiro que não tem sentido nenhum. Só pensar em ouvir-vos me toca música na alma...&lt;br /&gt;SEGUNDA — Sim, falar-vos-ei mais dele. Mesmo eu preciso de vo-lo contar. À medida que o vou contando, é a mim também que o conto... São três a escutar... (De repente, olhando para o caixão, e estremecendo). Três não... Não sei... Não sei quantas...&lt;br /&gt;TERCEIRA — Não faleis assim... Contai depressa, contai outra vez... Não faleis em quantos podem ouvir... Nós nunca sabemos quantas coisas realmente vivem e vêem e escutam... Voltai ao vosso sonho... O marinheiro. O que sonhava o marinheiro?&lt;br /&gt;SEGUNDA (mais baixo, numa voz muito lenta) — Ao princípio ele criou as paisagens, depois criou as cidades; criou depois as ruas e as travessas, uma a uma, cinzelando-as na matéria da sua alma — uma a uma as ruas, bairro a bairro, até às muralhas dos cais de onde ele criou depois os portos... Uma a uma as ruas, e a gente que as percorria e que olhava sobre elas das janelas... Passou a conhecer certa gente, como quem a reconhece apenas... Ia-lhes conhecendo as vidas passadas e as conversas, e tudo isto era como quem sonha apenas paisagens e as vai vendo... Depois viajava, recordando, através do país que criara... E assim foi construindo o seu passado... Breve tinha uma outra vida anterior... Tinha já, nessa nova pátria, um lugar onde nascera, os lugares onde passara a juventude, os portos onde embarcara... Ia tendo tido os companheiros da infância e depois os amigos e inimigos da sua idade viril... Tudo era diferente de como ele o tivera — nem o país, nem a gente, nem o seu passado próprio se pareciam com o que haviam sido... Exigis que eu continue?... Causa-me tanta pena falar disto!... Agora, porque vos falo disto, aprazia-me mais estar-vos falando de outros sonhos...&lt;br /&gt;TERCEIRA — Continuai, ainda que não saibais por que... Quanto mais vos ouço, mais me não pertenço...&lt;br /&gt;PRIMEIRA — Será bom realmente que continueis? Deve qualquer história ter fim? Em todo o caso falai... Importa tão pouco o que dizemos ou não dizemos... Velamos as horas q
